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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Conheça o ‘Senhor Gentileza’ que mudou a rotina de uma favela


Blog BRASIL/ Folha de S. pAULO

Patrícia Britto, em Vitória

Quem sobe o Morro dos Alagoanos, em Vitória, não demora para ouvir falar de um homem que fez os capixabas lembrarem da favela por outro motivo, que não seja o tráfico de drogas.

Lá no alto da comunidade, em uma casa amarela com duas janelas e três vasos na calçada, mora o Raimundo de Oliveira, de 67 anos, autodenominado “agitador cultural”.

Nascido em uma família simples do morro, Raimundo se dedica desde jovem à missão de divulgar a arte e a cultura na favela.

É ele quem produz uma das tradicionais festas da cidade, o Femusquim (Festival de Música de Botequim), que todos os anos leva para o morro shows de samba, bossa-nova e MPB, de artistas locais e nacionais.

Quando foi criado, em 1997, o Femusquim tinha apenas uma caixa de som no meio da rua. O festival cresceu e hoje em dia leva para o morro, nos dois dias de festa, um público de cerca de 3.000 pessoas.

Entusiasta do morro, Raimundo conta que criou o festival para levar uma atração cultural para a comunidade e reduzir o preconceito contra os moradores da favela.

“Antes as pessoas não vinham para cá porque havia, e ainda há, um preconceito. Acham que o morro é violento. Mas com essas ações, como o Femusquim, nós estamos quebrando essa barreira. As pessoas estão vindo e vendo que o morro não é como se vende”, disse Raimundo durante a visita.

Ocupado por imigrantes nordestinos na década de 1920, o morro na região oeste de Vitória se tornou um dos pontos de tráfico de drogas na capital espírito-santense e é pouco frequentado por moradores de outras regiões. Mas, desde que o festival entrou para o calendário cultural da cidade, as ruas do morro ficam cheias de visita nos dias de festa.

Neste ano, em sua 18ª edição, o Femusquim fará uma homenagem ao cantor e compositor baiano Dorival Caymmi (1914-2008), nos dias 6 e 7 de novembro. A festa é gratuita, e os artistas são remunerados por meio de lei de incentivo à cultura.

GENTILEZA

Na vizinhança do Morro dos Alagoanos, Raimundo também é conhecido como Senhor Gentileza e lembrado pelas ações que cria para tornar a comunidade um lugar acolhedor.

Uma dessas criações é a chamada “escadaria da gentileza”: “Um dia eu estava nessa escadaria e percebi que ninguém me cumprimentava. Aí me deu um estalo. Limpei, pintei e escrevi: sorria, dê bom dia, dê boa tarde, dê boa noite. Gentileza gera gentileza. E o pessoal gostou”, contou ao blog.

Ao que parece, a estratégica funcionou.

Nas quase duas horas de visita do blog, em uma noite de quarta-feira, mais de 20 pessoas cumprimentaram Raimundo nas ruas do morro –entre elas, três motoristas de ônibus, a moça que vende cachorro quente na calçada, o barbeiro, e uma dona de casa sorridente na janela.

“A gentileza causa tanto bem, que muitos males ela evita, como o estresse, o infarto e o cansaço mental”, defendeu Raimundo, em tom professoral, enquanto apresentava o morro ao blog.

Outras de suas criações para alegrar a comunidade foram a “escadaria da fama”, pintada com nomes de artistas espírito-santenses, e o pequeno “jardim as rosas não falam”, de dois metros quadrados, transformado a partir de um antigo depósito de lixo.

Ele também já plantou árvores nas ladeiras do morro, montou um coral infantil, pintou muros e abriu uma biblioteca. Na maioria dos casos, as criações são custeadas com dinheiro do próprio bolso, por desesperança em esperar iniciativa do poder público.

“A cultura é vista como sobremesa: é a última coisa. Você vê a verba da segurança, da saúde, da educação… Cultura é o que sobra”, lamentou.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Festival de Inverno UFMG - Mobilidade Urbana em pauta


Por Sara Maynard;
Foto: Natália Garcia.
Viajar o mundo pensando a questão da mobilidade urbana: foi isso que fez a jornalista Natália Garcia. Criadora do projeto Cidades para pessoas (http://cidadesparapessoas.com), a especialista em planejamento urbano percorreu grandes centros em busca de ideias que tenham melhorado as cidades para seus habitantes. O resultado foi a criação de uma rede de conteúdo urbanístico e um acúmulo de experiências que a permite realizar consultorias, palestras e aulas sobre o tema.
A jornalista compõe o Encontro Temático “Mobilidade Urbana”, que acontece nesta terça-feira, às 10h, na geodésica construída no Bosque da Música. Também são convidados a conduzir a discussão pesquisadores e ativistas do coletivo Basurama, BH em Ciclo e Tarifa Zero BH. A mediação da conversa fica a cargo de Rita Velloso, professora de Arquitetura e Urbanismo da PUC e UFMG e Coordenadora do Observatório das Metrópoles.
Basurama é um coletivo que realiza projetos de arte e design para transformação social. Os protagonistas de seus trabalhos são os resíduos e os processos relacionados com sua produção na sociedade de consumo. Desde 2001, tem trabalhado em mais de 20 países, somando mais de 50 cidades do mundo.
Para falar um pouco sobre o experimento de bicicletas compartilhadas que está acontecendo durante o Festival, entra em cena o BH em Ciclo, uma associação de ciclistas que pensa e trabalha em soluções para o uso da bicicleta em Belo Horizonte.
Já o Tarifa Zero BH está envolvido com as questões de mobilidade urbana desde junho de 2013. O grupo tem um projeto de lei de iniciativa popular para subsídio completo do transporte público em Belo Horizonte.
“Estamos muito animados com esse encontro entre experiências tão ricas e complementares. E por ser a primeira vez que algumas dessas falas chegam a Belo Horizonte!”, declara o curador do Festival Roberto Andrés.
Sempre às 10 horas, os Encontro Temáticos discutirão temas diversos durante toda a semana. Veja toda a programação aqui:http://46festivalufmg.wordpress.com/2014/07/20/encontros-tematicos-programacao/. Participe!
Fonte: site Festival de Inverno UFMG

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Socialização ajuda idosos nas atividades cotidianas


Notícia publicada no Saúde Informa
Satisfação do idoso com o contexto social pode ser decisiva para sua melhor capacidade funcional
A satisfação do idoso com seu contexto social pode influenciar sua capacidade de fazer atividades básicas da vida diária, como ir ao banheiro, tomar banho, vestir-se, comer, transferir-se da cama para uma cadeira ou até mesmo caminhar de um cômodo a outro. É o que revela pesquisa realizada a partir de um inquérito com 2055 idosos a partir de 60 anos, moradores de residências na zona urbana da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
“Percebemos que os idosos que estavam insatisfeitos ou indiferentes com as relações sociais tinham pior desempenho nessas atividades”, afirma a fisioterapeuta Juliana Lustosa Torres, autora da dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG. “A maior socialização do idoso com amigos está associada com o melhor desempenho funcional”, completa.
Segundo Juliana Torres, não é possível saber se foi a incapacidade ou a insatisfação com o contexto social que aconteceu primeiro. Mas ela ressalta que as intervenções para melhorar a satisfação do idoso com sua socialização podem ser benéficas tanto para a prevenção como para a recuperação das limitações funcionais.
Metodologia
A análise considerou componentes da rede social, como a situação conjugal e a frequência de visita de parentes e amigos nos últimos 30 dias, além do apoio social, que diz respeito à satisfação com as relações pessoais e à existência de pessoas com quem o idoso pode contar.
Os dados foram analisados com base no modelo Hurdle, inédito em pesquisas no Brasil, que avalia se a pessoa tem incapacidade física e o grau dessa incapacidade. De acordo com o resultado, o método possibilita verificar as variáveis associadas com ter ou não a dificuldade e o número de vezes em que ela ocorre.
Componente social

Os resultados do trabalho mostram que o ambiente social no qual o idoso está inserido também influencia em seu desempenho funcional, e não apenas nas questões físicas e cognitivas. A satisfação do idoso com seu contexto social e o contato com amigos podem ser decisivos para a promoção e recuperação da saúde, em relação à melhor funcionalidade.

“Percebemos que a incapacidade funcional possui três aspectos. Além do físico e psicológico, há o componente social e este merece um enfoque diferencial das autoridades”, sugere Juliana. Ela propõe ao governo, por exemplo, que já oferece ginástica para os idosos, que desenvolva também modos de incentivar que eles saiam de casa, encontrem outras pessoas e não fiquem restritos ao seu domicílio, por exemplo.


A pesquisadora sugere, ainda, a utilização dos resultados desse estudo na prática de todos os profissionais de saúde, principalmente os que trabalham na área de geriatria, para que atentem aos fatores emocionais, além do físico. ”Como fisioterapeuta, além do meu trabalho normal, ao ver que um idoso possui algum déficit funcional, posso tentar incentivar que sua família realize visitas, que ele saia de casa para encontrar amigos ou fale ao telefone. Quanto mais conseguirmos fazer com que o idoso seja funcional, melhor será para a família e para o governo”, defende.
Título: Relações sociais e desempenho funcional de idosos da região metropolitana de Belo Horizonte
Nível: Mestrado
Autora: Juliana Lustosa Torres
Orientadora: Maria Fernanda F. Lima e Costa
Coorientadora: Rosângela Corrêa Dias
Programa: Saúde Pública
Defesa: 1º de agosto de 2013

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Viver perto de áreas verdes aumenta sensação de bem-estar, diz estudo

Um estudo de cientistas britânicos sugere que viver em uma área urbana com espaços verdes tem um impacto positivo no bem-estar mental dos habitantes de cidades.



Os investigadores, da Universidade de Exeter, constataram que passar a morar num local com áreas verdes gera um efeito positivo duradouro, enquanto que aumentos de salários ou promoções no trabalho, por exemplo, fornecem apenas efeitos positivos de curto prazo.

Para os autores da pesquisa, os resultados mostram que o acesso a parques urbanos traz benefícios para a saúde pública.

Mathew White, do Centro Europeu para o Desenvolvimento e Saúde Humana da Universidade de Exeter, um dos autores da pesquisa, explicou que o estudo baseia-se nas descobertas de um outro levantamento, que mostrou que as pessoas que viviam em áreas urbanas mais verdes tinham menos sinais de depressão e ansiedade.

Ele diz que isso ocorre por várias razões. «Por exemplo: as pessoas fazem todo tipo de coisas para ficarem mais felizes, lutam por uma promoção no trabalho, aumento de salário, até casam. Mas o problema com todas estas coisas é que, depois de seis meses a um ano, elas voltam aos níveis originais de bem-estar. Então estas coisas não são sustentáveis, elas não nos fazem felizes no longo prazo», afirmou.

«Descobrimos que num grupo de vencedores da lotaria, que tinham ganho mais de 500 mil libras, o efeito positivo definitivamente estava lá, mas depois de seis meses a um ano, eles tinham voltado aos níveis normais.»

As descobertas foram publicadas na revista especializada Environmental Science and Technology.

A equipa de pesquisadores usou dados da Pesquisa de Residências Britânicas (que mudou o nome para pesquisa Compreendendo a Sociedade) e que começou a ser feita na Grã-Bretanha em 1991 pela Universidade de Essex.

«É uma amostra enorme e representativa da população britânica (actualmente cerca de 40 mil residências pesquisadas por ano), em que são respondidas várias perguntas, sobre rendimentos, estado civil, etc», disse White.

«Mas também inclui algo chamado Questionário Geral de Saúde, que é usado por médicos para diagnosticar depressão e ansiedade.»

«O que se vê é que, mesmo depois de três anos, a saúde mental ainda é melhor (para quem vive perto de áreas verdes), o que é improvável com as muitas outras coisas que achamos que nos farão felizes», disse.

O pesquisador acrescentou que a equipa quer fazer mais pesquisas para examinar uma possível ligação entre qualidade de relacionamentos conjugais e a vida em áreas verdes.
«Há provas de que as pessoas que vivem, próximas de espaços verdes são menos stressadas e, quando se está menos stressado, toma-se decisões mais razoáveis e comunica-se melhor», afirmou White.

«Não vou afirmar que é uma poção mágica que cura todos os problemas do casamento, claro que não é, mas pode ser que (o factor do cenário) ajude a pender a balança na direcção das decisões mais razoáveis e diálogos mais maduros.»

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Políticas Públicas para comunidades quilombolas

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR/PR) abriu Chamada Pública 002/2012,  de assinatura de convênios para projetos de instituições privadas, sem fins lucrativos,  voltados para a capacitação de lideranças quilombolas, com foco no fortalecimento institucional e desenvolvimento local.Os convênios, que somam um total de R$ 1,2 milhão, serão firmados com a SEPPIR depois da seleção das propostas. Atualmente, 1.834 comunidades, certificadas e/ou tituladas, são oficialmente reconhecidas pelo Governo Federal.Os convênios têm como objetivo apoiar efetivamente as iniciativas que contribuam para o empoderamento e autonomia da população quilombola.

Os critérios de pontuação da Chamada Pública foram elaborados de maneira a garantir a priorização das propostas apresentadas pelas próprias organizações representativas deste segmento populacional; ou por proponentes que demonstrem ter familiaridade com o universo quilombola, tanto de trabalho in loco quanto acadêmico (de produção de conhecimento para construção de políticas públicas); e que incluam em suas equipes executoras pessoas das comunidades quilombolas a serem atendidas. As propostas poderão ter orçamento entre R$ 120 mil e R$ 200 mil, voltados para gastos de custeio (capacitação, formação, incentivo, dentre outros).

Esta é a segunda chamada pública da SEPPIR voltada para Povos e Comunidades Tradicionais em 2012. A primeira, já na fase final do processo de seleção, contemplou os povos tradicionais de matriz africana.

Programa Brasil Quilombola (PBQ)

A Chamada Pública é uma das ações da SEPPIR no contexto do Programa Brasil Quilombola (PBQ), lançado em 2004, para consolidar os marcos da política de Estado para os territórios quilombolas. O PBQ teve sua institucionalização ampliada com a publicação do Decreto 6261, de 2007, que agrupa as ações voltadas às comunidades em quatro eixos: acesso à terra; infraestrutura e qualidade de vida; inclusão produtiva e desenvolvimento local; e direitos e cidadania.

Já existem muitos empreendimentos quilombolas consolidados, e outros em fase inicial e/ou intermediária, com destaque para o arroz quilombola do Sul, a banana orgânica de São Paulo, os produtos de castanha-do-Pará, o artesanato de Pernambuco, entre outras comunidades.

Quilombolas

As comunidades quilombolas são grupos étnico-raciais segundo critérios de auto-atribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida . Localizam-se em 25 estados da federação, sendo a maior concentração nos estados do Maranhão, Bahia, Pará, Minas Gerais e Pernambuco. Os únicos estados que não registram ocorrências destas comunidades são o Acre e Roraima.

Fonte: SEPPIR

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Seminário sobre qualidade de vida e envelhecimento saudável tem inscrições abertas

Desafios do envelhecimento; políticas públicas para o idoso; velhice e transfiguração dos valores na pós modernidade serão alguns dos temas abordados durante o seminário “Qualidade de vida e envelhecimento saudável”, que será realizado do dia 23 a 25 de agosto, no auditório Maria Sinno da Escola de Enfermagem da UFMG. O objetivo do evento é promover um fórum de discussão, divulgação, troca de experiências e interação entre os profissionais de saúde, de modo a instrumentalizá-los para uma assistência de melhor qualidade, tendo como perspectiva o processo de envelhecimento.

No  dia 23 será realizado um mini-curso pré seminário sobre cuidados paliativos, de 14 às 18 horas,  ministrado pela enfermeira colaboradora do Núcleo de Geriatria e Gerontologia da UFMG, Raquel de Souza Azevedo. Confira aqui a programação completa.

As inscrições podem ser feitas no site da Fundep  até o dia 14 de agosto. Para participar apenas do seminário, que começa no dia 24, profissionais pagam R$50 e para assistir também ao mini curso que será realizado no dia 23/8, R$60. Já os estudantes, pagam R$30 para o seminário, e R$40 incluindo o mini-curso. O evento é destinado à profissionais de saúde, alunos de graduação da UFMG e outras universidades e cuidadores profissionais de idosos. A promoção é do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Cuidado e Desenvolvimento Humano (NEPCDH).

Fonte: Escola de Enfermagem da UFMG
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