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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Brasil assina adesão ao apelo global contra a hanseníase




Brasília - A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, assina hoje (18) o Apelo Global contra a Hanseníase. A cerimônia será às 9h, no Plenário 7 da Câmara dos Deputados.

A adesão do Brasil ao movimento, que manifesta o compromisso de luta contra a discriminação global das pessoas atingidas pela hanseníase, é um marco no engajamento do país na eliminação da doença e do estigma que ainda é associado a ela.

Participam do lançamento o embaixador das Nações Unidas para a Eliminação da Hanseníase, Yohei Sasakawa, e o coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Artur Custódio.

Fonte: Exame

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Jardineiro clandestino muda a lei da cidade para plantar comida

Ron Finley, o estilista que planta hortas em Los Angeles
Estilista quer hortas em todos os terrenos baldios de Los Angeles

Entre o meio-fio e a calçada, num bairro de classe média baixa repleto de lojas de bebida, fast food e terrenos baldios, o estilista americano Ron Finley plantou uma horta. Cansado de dirigir 45 minutos para encontrar alimentos saudáveis e convicto de que hortas urbanas são um antídoto para problemas de saúde, pobreza e violência da cidade, resolveu dar um destino melhor à faixa de grama seca na frente de sua casa.

Em Los Angeles, a responsabilidade pela manutenção da calçada e de sua vegetação é de cada morador, mas a lei antiga não permitia o plantio de alimentos no local. Alguém então denunciou a horta clandestina de Finley, que acabou recebendo a seguinte notificação da prefeitura: se não limpar o terreno, o próximo passo será um mandado de prisão. O estilista, determinado, fincou o pé e desafiou a burocracia. Não só não derrubou a horta, como conseguiu o apoio de outros jardineiros e simpatizantes da ideia e conseguiu uma alteração na lei: agora é permitido plantar alimentos pelas ruas da cidade.

Por acreditar que plantar comida é uma ferramenta de educação e transformação do bairro, Finley fundou uma rede de jardineiros voluntários, a LA Green Grounds. Ele tem planos de ocupar todos os terrenos baldios de Los Angeles com jardins comestíveis, formando uma “floresta de comida”. Neste vídeo (com legendas em português), ele conta um pouco mais:




As nossas hortas urbanas

O Hortelões Urbanos é talvez o maior e mais conhecido grupo dedicado ao cultivo de alimentos na cidade. Conta com mais de 5 mil participantes e se encontra no Facebook para trocar experiências sobre o cultivo doméstico e organizar mutirões nas hortas comunitárias da cidade. Para plantar alimentos em áreas públicas de São Paulo, como praças, canteiros e terrenos abandonados, é simples: basta solicitar autorização da subprefeitura. No jardim de casa ou no vaso do apartamento, não custa nada.

Andrea e Ariel, participantes ativos do grupo Hortelões Urbanos, contam como vêem o processo de sensibilização para a criação de hortas urbanas em São Paulo e por que isso é importante para eles e para a cidade:

"As hortas urbanas, a meu ver, têm um incrível poder transformador. Na horta das Corujas, pequenos milagres acontecem todos os dias. Às vezes estamos cavando um canteiro novo e aparece uma nascente borbulhando. Às vezes vemos pica-paus, insetos coloridíssimos que ninguém nunca conhecia, borboletas e maritacas em bandos. De repente uma muda que parecia morta começa a verdejar, vinga, e cresce diante de nossos olhos.


Quando você se dá conta, está com um monte de estranhos carregando esterco, instalando uma cacimba, cavando a terra, e mais gente se junta pra ajudar, e no fim do dia você ganhou um monte de amigos. Sentimos juntos as agruras da seca, o calor do sol, o vento gelado do inverno e vivenciamos cada estação com suas cores, cheiros, sabores. Comemoramos juntos a primavera, a água pura que brota farta, a abundância das colheitas, aprendemos e ensinamos tudo o que sabemos e sempre há algo novo a ser aprendido e ensinado. Doamos nosso tempo e ganhamos vida, amigos, alimento fresco, esperança.

A porteira da Horta das Corujas está sempre aberta para quem quiser plantar ou colher."
     
Andrea Valencio Pesek, designer

"Tem muitos objetivos e inclusive mudam para cada pessoa. Os que eu enxergo são:
Sensibilizar a população sobre temas como a crise alimentar e a importância de promover modelos de produção de alimentos justos e sustentáveis.

- Promover e buscar maior contato com a terra e a reconexão com os ciclos da natureza.
- Empoderar cada vez mais cidadãos para cultivar seu próprio alimento de forma orgânica e agroecológica e sensibilizar sobre a importância de fortalecer cadeias e empreendimentos de pequenos produtores agroecológicos e de comércio justo.
- Criar comunidades solidárias e com maior coesão social.

O processo de encher as cidades de concreto tem uma inércia grande, são muitas cadeias produtivas envolvidas e um paradigma de desenvolvimento instaurado, mas as cidades, sobre tudo as grandes, perceberam que precisam mudar, e cada vez com mais urgência. O desafio está nas pequenas e médias, elas precisam entender que podem fazer as coisas de uma forma diferente."

Ariel Kogan, engenheiro

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Rap da Saúde desafia tuberculose no Alemão

Eli Geovane Sant’anna | Complexo do Alemão | 25.11.2013

Os adolescentes do Rap da Saúde
Os adolescentes do Rap da Saúde realizam eventos para informar os jovens sobre a tuberculose

Levantamentos do Ministério da Saúde mostraram que, desde março deste ano, o Rio de Janeiro foi o estado com maior incidência de tuberculose no país. Em favelas como as do Complexo do Alemão, onde as condições de vida são mais baixas e a aglomeração de pessoas é alta, a vulnerabilidade à doença é maior. No Alemão, a taxa de incidência da doença foi de 53,5 pessoas a cada 100 mil habitantes em 2012 (o conjunto de favelas conta, segundo estimativa publicada no portal do Governo do Estado, 120 000 habitantes). O dado ainda é parcial, mas dá idéia da gravidade do problema.
 
Mineiro e Matinha são, de acordo com os agentes de saúde do Alemão, as comunidades mais afetadas pela doença e fazem parte do itinerário do Rap da Saúde (Rede de Adolescentes e Jovens Promotores da Saúde). Neste projeto, jovens voluntários de 14 a 20 anos realizam periodicamente, pelas ruas e casas das comunidades, um “arrastão da saúde”. Eles organizam eventos nas estações do teleférico e distribuem informativos. Um catavento de papel, feito pelos próprios adolescentes, é dado à população, simbolizando e sinalizando o meio de propagação da tuberculose: o ar. O projeto, no Alemão, é promovido pela Coordenação de Políticas e Ações Intersetoriais da Superintendência de Promoção da Saúde, da Prefeitura do Rio, pela ONG Educap (Espaço Democrático de União Convivência, Aprendizagem e Prevenção), pelo Fórum de Tuberculose e pelo Centro de Promoção da Saúde (Cedaps).

Matheus dos Santos, 17 anos, descobriu a doença enquanto prestava serviço voluntário com a rede de jovens da saúde. Hoje, para sua alegria, o adolescente que antes informava sobre a doença, agora se encontra curado. “Independente de ser jovem ou não, as pessoas podem e devem se prevenir. O jovem hoje em dia acha que é imune a qualquer coisa, e a realidade é bem diferente disso”, afirma Matheus, ressaltando também a importância da família na prevenção e no tratamento da doença. 

Informar para superar o preconceito

A ação dos adolescentes do Rap da Saúde envolve a prevenção a outras doenças que, a exemplo da AIDS ou da diabete, enfraquecem o sistema imunológico, tornando-o mais vulnerável à tuberculose. Os adolescentes distribuem por exemplo preservativos nas comunidades que percorrem, tendo constatado o quanto é alarmante a desinformação sobre doenças sexualmente transmissíveis, inclusive entre os mais jovens. A dificuldade, no entanto, é evitar a confusão entre as doenças e seus modos de transmissão. Segundo o Ministério da Saúde, a tuberculose representa a primeira causa de morte entre pacientes com AIDS no Brasil. O teste anti-HIV tornou-se em consequencia uma prática comum entre os pacientes contaminados pelo bacilo de Koch, gerando medo e preconceito em torno de ambas as doenças.
Lúcia Cabral, presidente da Educap, ressalta o valor deste trabalho de informação realizado pelo RAP da Saúde. “Insisto nesta campanha pois ainda há preconceito das pessoas que adquirem a doença e das que estão próximas delas. Isso faz com que muitas vezes elas não procurem as unidades de saúde”, aponta Lúcia, que já teve que orientar moradores para hospitais próximos, por causa do receio de não terem seu anonimato garantido nas clínicas de saúde da comunidade, e do medo de tornarem-se vítimas do preconceito que ainda envolve a tuberculose.

Carolina Cruz, gerente de ações de controle da tuberculose no Estado do RJ, informou que, atualmente, todos os casos notificados são tratados pelos agentes de saúde, para garantir um melhor acompanhamento. Estes utilizam o modelo DOTS (sigla em inglês para Tratamento Diretamente Observado), com o qual o profissional de saúde monitora cada dose do medicamento tomada pelo paciente, evitando abandono do tratamento quando os sintomas desaparecem.

Os profissionais do Alemão, assim como os de toda rede, estão orientados a esclarecer a população sobre a doença e a identificar os sintomas e promover espaços para discussão visando à redução do abandono do tratamento.
 
A tuberculose em questão:
 

Como é feito o tratamento? A agente comunitária de saúde Cláudia Souza explica que quando a doença é detectada, imediatamente o paciente é encaminhado para o médico, que inicia a medicação fornecida pela Clínica da Família. Após iniciar tratamento, o portador da doença deixa de transmiti-la. Todos os componentes da família realizam o exame de escarro.

Como acontece a transmissão da doença? Ela ocorre quando uma pessoa com tuberculose elimina bacilos no ar que são aspirados por outra pessoa. Aquele que se contaminou com os bacilos da tuberculose poderá adoecer ou não, dependendo da quantidade de bacilos aspirados e do seu sistema imunológico – isto quer dizer que nem todos que se contaminam com o bacilo adoecerão. Por isto, as pessoas com sistema de defesa mais fraco são mais vulneráveis – como é o caso de portadores da Aids e de diabetes, e das camadas mais pobres da população, que têm suas defesas enfraquecidas por precárias condições de vida.

Quais são os sintomas da tuberculose? Tosse há mais de 15 dias, cansaço, febre vespertina, sudorese noturna, perda de apetite, hemoptóicos (escarro com estrias de sangue) e hemoptise (escarro de sangue) são algumas dos sinais de contração da doença.

Para mais informações:
Programa de Controle da Tuberculose do Estado do Rio de Janeiro
Tel. 21 2333-3848

Fonte: Viva Favela

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O futuro é violento e já começou

ANTÓNIO GUERREIRO
 
O discurso tradicional dos movimentos e partidos ecologistas foi útil e eficaz num primeiro momento, mas revela-se hoje incapaz de fazer passar as pessoas à acção. É a mudança imediata de práticas e hábitos que visa uma fundação chamada Futurzwei, criada em Berlim por um sociólogo, especia-lista na questão da violência social e autor de um livro-choque, publicado em 2008, intitulado Guerras Climáticas. Com esse livro, Harald Welzer desenhou os contornos das guerras do século XXI, não como um profeta do Apocalipse, mas como alguém que leu com atenção, e com conhecimento das dinâmicas sociais da violência, o que o nosso presente já deixa perceber.

Harald Welzer (n. 1958) é um sociólogo e psicossociólogo alemão, actualmente professor na Universidade de Flensburg. A sua obra tem incidido nas questões da violência social e da memória. É neste âmbito que se situam dois livros seus sobre o nacional-socialismo, um dos quais é um trabalho originalíssimo sobre arquivos que nunca tinham sido trabalhados e que consistem em conversas dos soldados alemães, presos pelos aliados, que desconhecem que as suas conversas estão a ser gravadas. Mas o seu trabalho de professor e investigador também se desenvolve noutro plano: o dos estudos sobre as consequências sociais das mudanças climáticas e as formas de violência que elas provocam. Enquanto autor de Guerras Climáticas (título original: Klimakriege, 2008), Welzer ganhou uma elevada reputação internacional. Esse livro de tonalidade apocalíptica anuncia as formas e as causas da violência que irão crescer ao longo deste século: a violência ligada às mudanças climáticas, a emergência em grande escala de um novo sujeito a que Welzer chama o "refugiado do clima" (o indivíduo que, submetido a catástrofes climáticas, vai tentar sobreviver noutro lugar; este tipo de refugiados ainda não foi devidamente categorizado), a luta pelo acesso aos recursos naturais cada vez mais escassos.

Não há futuro possível para a cultura actual do consumo e da produção de lixo


Harald Welzer
Harald Welzer esteve em Lisboa, recentemente, a convite do Goethe-Institut, para participar num colóquio - organizado também pelo Instituto Francês, que tinha como tema "Amizade e Política na Europa". Um atraso de algumas horas do avião fez com que tivesse chegado a Lisboa já depois de terminado o colóquio. Mas, no dia seguinte, fez uma palestra no Teatro Maria Matos (integrado assim na lógica de um programa que esta instituição, dirigida por Mark Deputter, desenvolveu este ano), onde apresentou um projecto de intervenção ecológica, em termos pedagógicos e sociais, de que é co-fundador, e que nasceu em Berlim. Chama-se Futurzwei, ou seja, Futuro II, nome de uma segunda forma gramatical do futuro, correspondente ao que nós chamamos "futuro anterior". Este texto resume o que foi dito nessa palestra e acrescenta-lhe partes de uma conversa-entrevista com Harald Welzer, para além de utilizar Guerras Climáticas como fonte.

Porquê esse nome, Futurzwei? Porque, diz Welzer, "a Fundação trabalha no sentido de construir um outro futuro, porque não há futuro possível para a cultura actual do consumo e da produção de lixo". Esse trabalho consiste em mobilizar e atrair pessoas, colectividades, empresas, instituições, em suma, aquilo a que se chama a sociedade civil, já que, garante o sociólogo, "nenhum governo quer verdadeiramente mudar o que quer que seja", e a protecção do clima "não releva exclusivamente das políticas do ambiente".

Tudo deve começar pela interrogação sobre os nossos modos de vida, já que o problema ecológico reside aí, no tipo de economia que cria os modos e estilos de vida que se tornaram universais. A sua formação de psicólogo social fê-lo compreender que "a tomada de consciência e o saber não chegam para alterar as nossas práticas, os hábitos quotidianos. O que mais contribui para a mudança de uma prática é a própria prática. Se anunciamos um acontecimento catastrófico que se produzirá em 2050, devido à subida das águas do mar, as pessoas acham a mensagem assustadora, sabem muito bem que participam dos hábitos e do modo de vida que conduz à catástrofe, mas continuam a fazer o que sempre fizeram".

Segundo Welzer, a informação faz sentido, mas tem de ser colocada num contexto de acção. Ora, são essas acções exemplares, que valem como "narrativas" ecológicas (e Welzer realça o poder das narrativas, diz que elas são o instrumento fundamental de Futurzwei), que a sua fundação cria, divulga e promove, estabelecendo assim não uma comunidade ou uma rede, mas um movimento de irradiação, por influência e contágio.

Todos de acordo, ninguém muda nada

São muitas as narrativas divulgadas no site de Futurzwei e em jornais e publicações que não são propriamente activistas. Harald Welzer fala, com regozijo, da aceitação que essas narrativas têm tido até num jornal conservador como é o Frankfurter Allgemeine Zeitung, o mais importante diário alemão. E conta a história de dois jovens berlinenses designers de moda que desenham vestuário, de modo a reciclar roupa velha. Ou uma escola de Friburgo que gera pelos seus próprios meios a energia que consome de modo a reduzir quase a zero as emissões de carbono, o que começou a ter este efeito contagioso: os alunos perguntam aos pais coisas deste tipo: "Porque é que temos este frigorífico tão grande?", "Por que me vão levar à escola num carro enorme?"

Apesar desta consciência cada vez maior, não parou de aumentar o consumo e a delapidação dos recursos, nem diminuiu a taxa de emissão de gases

Harald Welzer
O discurso ecologista de Harald Welzer é muito diferente do discurso dos movimentos ecologistas tradicionais e do partido dos Verdes alemão: "Eles foram importantes até certa altura, mas agora o seu discurso e as suas práticas revelam-se ineficazes", precisamente por não serem ancorados em conhecimentos de psicologia social. Esses movimentos e partidos basearam-se sempre na lógica da denúncia dos "maus" (as empresas muito poluidoras, as marcas inimigas do ambiente, os empresários insensíveis, as práticas erradas que deviam ser sancionadas moralmente), sem perceberem que isso acaba por criar uma espécie de anestesia. Toda a gente está de acordo, reconhece que é verdade, mas ninguém muda. Foi para instituir uma nova prática e um novo discurso que Futurzwei foi criado. Trata-se de contar exemplos positivos, de transmitir narrativas que fazem apelo a uma mudança imediata de comportamento e exigem acção, não apenas tomada de consciência, em que a acção é sempre adiada. É assim que, em balanço, Harald Welzer resume o que se tem passado neste domínio: "Os progressos realizados nos últimos anos no que diz respeito à tomada de consciência são consideráveis. Infelizmente, ao nível da acção, os resultados são muito menos brilhantes. Podemos observar que, apesar desta consciência cada vez maior, não parou de aumentar o consumo e a delapidação dos recursos, nem diminuiu a taxa de emissão de gases."

As contradições e os paradoxos tornaram-se gritantes, como se pode ver neste exemplo descrito por Welzer: apesar de o mundo não ter crescido, há cada vez mais delegações e ONG para tudo e por todo o lado, o que implica mais tráfego aéreo, mais necessidade de hotéis, de transportes, de restauração, etc. Conclusão: toda essa gente produz efeitos completamente contrários às suas intenções, por mais louváveis que elas sejam. Um ponto de vista positivo considera isso como a consequência necessária de qualquer acção. Mas Welzer inclina-se mais para a versão negativa: nenhum governo tem a menor intenção de modificar os hábitos instalados coercivamente por um modelo económico porque tal modificação não só seria impopular como suporia a renúncia ao ganho imediato, garantido na condição de que nada mude. Outro paradoxo que Welzer gosta de lembrar: desde meados do século XIX que os engenheiros e os tecnocratas se recusam a compreender que os efeitos secundários dos seus empreendimentos são muito mais importantes do que aquilo que efectivamente produziram. O automóvel é um exemplo eloquente.

Segundo Harald Welzer, toda a discussão sobre as alterações climáticas e os seus efeitos catastróficos tem de partir da afirmação peremptória de que não temos necessidade de tanta energia, de tantos bens de consumo, de tanta mobilidade, de tanta novidade. Esta perspectiva é completamente diferente daquela que, perante a iminência de uma catástrofe climática, considera que a primeira preocupação é fazer tudo o que é necessário para continuarmos a viver da mesma maneira. Daí esta pergunta que Welzer gosta de fazer: "Como é que uma sociedade moderna pode preservar o legado de uma civilização e continuar a pôr à disposição dos seus cidadãos, no futuro, aquilo a que temos direito, do ponto de vista da democracia, da liberdade e da justiça?" Mas Welzer chama também a atenção para uma certa manipulação a que o conceito de "catástrofe" foi submetido. Escreve ele no seu livro sobre as guerras climáticas: "A natureza não é um sujeito, não é susceptível de viver catástrofes, ela pode, quando muito, causar acontecimentos catastróficos para os humanos, com consequências sociais."

25 milhões de refugiados ecológicos entre 1995 e 2008

Os refugiados do clima


Nesse livro, fazendo uma abordagem histórica e, ao mesmo tempo, psicossociológica, Welzer aponta para um futuro em que a violência (que sempre fez parte do processo social) será largamente motivada pelas alterações climáticas, pela degradação do ambiente, por uma diminuição dos recursos. E essa nova ordem climática terá consequências sociais, económicas e políticas. Os conflitos dominantes no século XXI serão portanto, escreve o autor de Guerras Climáticas, "conflitos mundiais de classes, conflitos mundiais de convicções e conflitos mundiais em torno dos recursos naturais e dos efeitos sociais e políticos das mudanças climáticas. E como não existem, por agora, nem actores transnacionais particularmente eficazes nem um monopólio interestatal da violência, não há a mínima possibilidade de regular esses conflitos simultaneamente antigos e novos". Importa dizer que Welzer não estabelece uma relação simples e directa entre as mudanças climáticas e a violência. Nem sempre o clima é uma causa imediata, ele é muitas vezes a "ocasião", isto é, o quadro geral que potencia o desencadear da violência que, depois, pode ter outras causas imediatas. Por isso é que, muito embora a guerra climática já esteja em curso, nem sempre damos por ela. As causas mais imediatas da violência sobrepõem-se a essa causa primeira. Essa violência extrema ligada à evolução do clima que contribuirá para desestabilizar a sociedade nasce precisamente no interior dos dispositivos existentes e não no exterior, como seria o caso de um "choque de civilizações" anunciado pelo autor norte-americano de ciência política, Samuel Huntington.

Um dos conceitos de Welzer é o de "refugiado do clima". E fornece o seguinte número: desde 1995 até 2008, os refugiados ecológicos foram estimados em 25 milhões, contra 22 milhões de refugiados políticos. Mas um estudo recente das Nações Unidas, citado no livro, aponta para 200 milhões de refugiados do clima nas próximas três décadas. Num futuro próximo, garante Welzer, será impossível fazer a distinção entre os refugiados de guerra e aqueles que fogem por causa da degradação do ambiente. E cada vez mais pessoas disporão de cada vez menos meios para assegurar a sua sobrevivência.

 A primeira guerra climática, segundo Welzer, foi a guerra do Darfur. Uma guerra entre os camponeses sedentários "africanos" e os nómadas pastores "árabes". Os conflitos entre eles aumentaram por causa de mudanças climáticas que aceleraram a erosão dos solos. Uma grande seca tornou toda a região Norte imprópria para a criação de gado, quem se dedicava à pastorícia foi empurrado para o Sul. Eis como um conflito geralmente interpretado como étnico - e que de facto se desenvolveu em função de uma lógica étnica - teve as suas origens em causas ambientais. E uma das causas do genocídio do Ruanda, lembra também Welzer, foi a sobrepopulação. O que faz evocar imediatamente o fantasma nazi do Lebensraum, do espaço vital, a reivindicação de um espaço para os alemães, o que justificava o extermínio de quem o ocupava e não era alemão.

Guerras Climáticas fornece também uma longa análise do modo como os países ocidentais delegaram a violência - prescindindo do monopólio - em empresas privadas - e muitas vezes obscuras - de segurança que também já protegem as fronteiras, de modo a que estas sejam cada vez mais empurradas para o exterior, para países económica e politicamente dependentes. O autor diz que em 2006 os poderes públicos dos Estados Unidos gastaram 545 dólares por cada lar para proteger os cidadãos, tendo efectuado 100 mil contratos com empresas privadas, que operam, nos bastidores, à margem da democracia e do controlo pelo poder político. Na Europa, a agência que gere a cooperação operacional nas fronteiras da União Europeia, a Frontex, está cada vez mais confrontada com a impossibilidade de estancar as migrações que se devem à miséria, aos regimes ditatoriais e, mais recentemente, aos efeitos desastrosos das mudanças climáticas. As políticas actuais tanto da União Europeia como dos Estados Unidos consistem em empurrar para cada vez mais longe as fronteiras a transpor pelos candidatos à imigração, nomeadamente através de campos de detenção fora dos territórios nacionais ou no extremo limite deles. Assim, diz Welzer, "a moral é salva nos nossos países ricos, poupados à visão do desembarque, nas nossas costas, de multidões de homens, mulheres e crianças em busca de uma vida melhor". As palavras de Welzer ecoam com alguma força no desastre mais recente, na ilha de Lampedusa, cujos habitantes começam a manifestar-se, submetidos que têm sido a um espectáculo de morte que a União Europeia relega para os seus confins. E Lampedusa é um confim. As guerras do século XXI, vaticina Welzer, são pós-modernas e pós-heróicas, no sentido em que "têm o aspecto de ser conduzidas a contragosto".

200 milhões de refugiados do clima nas próximas três décadas, defende Harald Welzer no livro Guerras Climáticas

O impacto social das catástrofes e as consequências tanto das mudanças climáticas como da corrida frenética pela conquista dos recursos naturais cada vez mais escassos são imprevisíveis, em grande medida, mas há uma regra que já todos percebemos e é lembrada por Welzer: os efeitos do aquecimento global serão tanto mais devastadores quanto eles atingem em primeiro lugar os países mais pobres e os menos capazes de os enfrentar. Daí a multiplicação dos refugiados do clima de países pobres, mas também o endurecimento dos países mais ricos, onde a pressão migratória é percebida como uma ameaça. Ou então, quando as catástrofes naturais atingem os países ricos, elas só têm impactos sociais verdadeiramente fortes em zonas e cidades pobres, como foi o caso em Nova Orleães, em 2005. Welzer lembra, aliás, que tal catástrofe já tinha sido prevista e descrita na revista Scientific American, em Outubro de 2001.

No que diz respeito à corrida para a exploração dos recursos ainda existentes, Welzer fala do que se está já a preparar na Antárctida, quando os gelos começam a derreter e o subsolo, com as suas imensas jazidas de matérias-primas, fica acessível. O direito à sua exploração já é desde há algum tempo motivo de conflitos diplomáticos e contestações. A Inglaterra reivindica um milhão de quilómetros quadrados da Antárctida, o que obviamente desagrada à Argentina e ao Chile.

O que, em suma, Harald Welzer mostra é que as nossas sociedades não estão preparadas para enfrentar os desafios e as formas de violência originados pelas guerras climáticas e pelos conflitos em torno da captação dos recursos. Essas guerras já começaram em larga escala, mas vão continuar a aumentar. As questões ambientais e dos recursos naturais tornar-se-ão a principal razão por que se mata e se morre no século XXI. Os homens normais que, durante o nazismo, se tornaram de um dia para o outro assassinos em massa (este é o tema de um dos livros de Harald Welzer) vão continuar a existir e fenómenos desse tipo irão surgir. Esta é a previsão deste psicossociólogo, baseada não em profecias apocalípticas, mas deduzida das amostras de futuro que se vão disseminando por todo o lado. Esse é o Futuro I, cujas regras de formação são gramaticalmente simples. O Futuro II, o Futurzwei, esse, é muito mais complicado de usar e tem, como sabemos, um sentido hipotético.

Especialista afirma que uso indiscriminado de Ritalina pode causar um "genocídio do futuro"


Para uns, ela é uma droga perversa. Para outros, a 'tábua de salvação'. Trata-se da ritalina, o metilfenidato, da família das anfetaminas, prescrita para adultos e crianças portadores de transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Teria o objetivo de melhorar a concentração, diminuir o cansaço e acumular mais informação em menos tempo. Esse fármaco desapareceu das prateleiras brasileiras há poucos meses (e já começou a voltar), trazendo instabilidade principalmente aos pais, pela incerteza do consumo pelos filhos. Ocorre que essa droga pode trazer dependência química, pois tem o mesmo mecanismo de ação da cocaína, sendo classificada pela Drug Enforcement Administration como um narcótico.

No caso de consumo pela criança, que tem seu organismo ainda em fase de formação, a ritalina vem sendo indicada de maneira indiscriminada, sem o devido rigor no diagnóstico. Tanto que, no momento, o país se desponta na segunda posição mundial de consumo da droga, figurando apenas atrás dos Estados Unidos. Como acontece com boa parte dos medicamentos da família das anfetaminas, a ritalina 'chafurda' a ilegalidade, com jovens procurando a euforia química e o emagrecimento sem dispor de receita médica. Fala-se muito que, se não fizer o tratamento com a ritalina, o paciente se tornará um delinquente. "Mas nenhum dado permite dizer isso. Então não tem comprovação de que funciona. Ao contrário: não funciona", critica a pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, docente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. “A gente corre o risco de fazer um genocídio do futuro. Mais vale a orientação familiar”, encoraja a pediatra, que concedeu entrevista, a seguir, ao Portal Unicamp.

Portal Unicamp – Há pouco tempo, faltou distribuição de ritalina no mercado brasileiro. Como essa lacuna foi sentida?
Cida Moysés – Não sabemos verdadeiramente o motivo de faltar o medicamento, mas isso criou uma instabilidade nas pessoas. As famílias ficaram muito preocupadas e entraram em pânico, com medo de que os filhos ficassem sem esse fornecimento. Isso foi sentido de um modo muito mais intenso do que com outros medicamentos que de fato demonstram que sua interrupção seria mais complicada que a ritalina. São os casos dos medicamentos para diabetes ou hipertensão. Apesar de não conhecermos a razão dessa falta do medicamento, sabemos das estratégias de mercado para outros produtos como o açúcar e o café que faltam no supermercado e, por isso, também para os medicamentos que faltam na farmácia. Quando somem das prateleiras, eles criam angústia. No entanto, em geral, retornam mais tarde. E mais caros, é óbvio.

Portal Unicamp – O que é a ritalina? Como ela age?
Cida Moysés – A ritalina, assim como o concerta (que tem a mesma substância da ritalina – o metilfenidato, é um estimulante do sistema nervoso central - SNC), tem o mesmo mecanismo de ação das anfetaminas e da cocaína, bem como de qualquer outro estimulante. Ela aumenta a concentração de dopaminas (neurotransmissor associado ao prazer) nas sinapses, mas não em níveis fisiológicos. É certo que os prazeres da vida também fazem elevar um pouco a dopamina, porém durante um pequeno período de tempo. Contudo, o metilfenidato aumenta muito mais. Assim, os prazeres da vida não conseguem competir com essa elevação. A única coisa que dá prazer, que acalma, é mais um outro comprimido de metilfenidato, de anfetamina. Esse é o mecanismo clássico da dependência química. É também o que faz a cocaína.

Portal Unicamp – Quando a ritalina é indicada?
Cida Moysés – Para quem indica, é nos casos com diagnóstico de TDAH. Eu não indico. Para esses médicos, entendo que é necessário traçar uma relação custo-benefício: quanto ganho com esse tratamento em termos de vantagens e de desvantagens. Sabe-se que é uma droga que possui inúmeras reações adversas, como qualquer droga psicoativa. Considero extremamente complicado usar uma droga com essas reações para melhorar o comportamento de uma criança. Qual é o preço disso?

Portal Unicamp – Quais são os sintomas principais?
Cida Moysés – As reações adversas estão em todo o organismo e, no sistema nervoso central então, são inúmeras. Isso é mencionado em qualquer livro de Farmacologia. A lista de sintomas é enorme. Se a criança já desenvolveu dependência química, ela pode enfrentar a crise de abstinência. Também pode apresentar surtos de insônia, sonolência, piora na atenção e na cognição, surtos psicóticos, alucinações e correm o risco de cometer até o suicídio. São dados registrados no Food and Drug Administration (FDA). São relatos espontâneos feitos por médicos. Não é algo desprezível. Além disso, aparecem outros sintomas como cefaleia, tontura e efeito zombie like, em que a pessoa fica quimicamente contida em si mesma.

Portal Unicamp – Não é pouca coisa...
Cida Moysés – Ocorre que isso não é efeito terapêutico. É reação adversa, sinal de toxicidade. Além disso, no sistema cardiovascular é possível ter hipertensão, taquicardia, arritmia e até parada cardíaca. No sistema gastrointestinal, quem já tomou remédio para emagrecer conhece bem essas reações: boca seca, falta de apetite, dor no estômago. A droga interfere em todo o sistema endócrino, que interfere na hipófise. Altera a secreção de hormônios sexuais e diminui a secreção do hormônio de crescimento. Logo, as crianças ficam mais baixas e também essa droga age no peso. Verificando tudo isso, a relação de custo-benefício não vale a pena. Não indico metilfenidato para as crianças. Se não indico para um neto, uma criança da família, não indico para uma outra criança.

Portal Unicamp – Criança não comportada é um problema social?
Cida Moysés – Está se tornando. E não vai se resolver colocando um diagnóstico de uma doença neurológica ou neuropsiquiátrica e administrando um psicotrópico para uma criança.

Portal Unicamp – Qual seria o tratamento então?
Cida Moysés – Um levantamento de 2011, publicado pelo equivalente ao Ministério da Saúde nos Estados Unidos, envolve uma pesquisa feita pelo Centro de Medicina baseado em Evidências da Universidade de McMaster, no Canadá, que analisou todas as publicações de 1980 a 2010 sobre o tratamento de TDAH. O primeiro dado interessante foi que, dos dez mil trabalhos que provaram que o metilfenidato funciona, é seguro, apenas 12 foram considerados publicações científicas. Todo o resto foi descartado por não preencher os critérios de cientificidade. Esse é um aspecto muito importante. Dos 12 trabalhos restantes, o que eles encontraram foi que a orientação familiar tem alta evidência de bons resultados, e o medicamento tem baixa evidência. Isso não quer dizer que a família seja culpada. É preciso orientá-la como lidar com essa criança. Além disso, os dados dessa pesquisa sobre rendimento escolar foram inconclusivos, assim como não há nenhum dado que permita dizer que melhora o prognóstico em longo prazo. Fala-se muito que, se a criança não for tratada, vai se tornar uma dependente química ou delinquente. Nenhum dado permite dizer isso. Então não tem comprovação de que funciona. Ao contrário: não funciona. E o que está acontecendo é que o diagnóstico de TDAH está sendo feito em uma porcentagem muito grande de crianças, de forma indiscriminada.

Portal Unicamp –
Dê um exemplo.
Cida Moysés – Quando se fala em 5% a 10% de pessoas com determinado problema, o conhecimento médico exige que se assuma que isso é um produto social, e não uma doença inata, neurológica, como seria o TDAH, e muito menos genética. Não dá para pensar em porcentagens. Em Medicina, sobre doenças desse tipo fala-se em 1 para 100 mil ou em 1 para 1 milhão. Então, é algo socialmente que vem se produzindo. Quando digo isso, de novo, não estou dizendo que a família é a culpada. Pelo contrário, é um modo de viver que estamos produzindo.

Portal Unicamp – Quem está sendo medicado?
Cida Moysés – São as crianças questionadoras (que não se submetem facilmente às regras) e aquelas que sonham, têm fantasias, utopias e que ‘viajam’. Com isso, o que está se abortando? São os questionamentos e as utopias. Só vivemos hoje num mundo diferente de 1.000 anos atrás porque muita gente questionou, sonhou e lutou por um mundo diferente e pelas utopias. Quando impedimos isso quimicamente, segundo a frase de um psiquiatra uruguaio, “a gente corre o risco de estar fazendo um genocídio do futuro”.  Estamos dificultando, senão impedindo, a construção de futuros diferentes e mundos diferentes. E isso é terrível.

Portal Unicamp – Na França, o TDAH é praticamente zero. A que se deve isso?
Cida Moysés – Isso se deve a valores culturais, fundamentalmente.

Portal Unicamp – Isso em países desenvolvidos?
Cida Moysés – Não necessariamente. Ninguém pode dizer que os EUA não sejam desenvolvidos. Não obstante, o país é o primeiro grande consumidor mundial da ritalina, da onde irradia tudo. O Brasil vem logo em seguida, como segundo consumidor mundial. Ao contrário do que se propaga, de que a taxa de prevalência é a mesma em todos os lugares, isso não é verdade. Varia de 0,1% a 20%, conforme o estudo da Universidade McMaster do Canadá. Varia de acordo com valores culturais, região geográfica, época e conforme o profissional que está avaliando. Há trabalhos que mostram, por exemplo, que médicas diagnosticam mais TDAH em meninos e que médicos mais em meninas, provavelmente por uma falta de identificação. Alguns trabalhos mostram que crianças pobres têm mais chances de receber o diagnóstico. Estamos falando de uma Era dos Transtornos – uma epidemia dos diagnósticos. A França tem uma resistência muito grande a isso por uma questão de formação de médicos, de valores da sociedade. Lá eles têm um movimento muito grande desencadeado por médicos, muitos deles psiquiatras, que se chama collectif pas de 0 de conduite. Esse movimento surgiu como reação à lei que propunha avaliar o comportamento de todas as crianças até três anos de idade. Era um modelo que pegava especificamente pobres e imigrantes. O movimento conseguiu derrubar tal lei.

Portal Unicamp – Existe no Brasil alternativa diferente da medicalização, da visão organicista?
Cida Moysés – Temos uma articulação mais recente que é o Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade, o qual eu e o Departamento de Pediatria da FCM-Unicamp integramos. O nosso Departamento é o seu membro fundador, tendo mais de 40 entidades acadêmicas profissionais e mais de 3.000 pessoas físicas no Brasil, que estão buscando difundir as críticas que existem na literatura científica sobre isso. Além do mais, procuramos construir outros modos de acolher e de atender as necessidades das famílias dos jovens que vivenciam e sofrem com esses processos de medicalização. Em novembro, a Unicamp promoverá um Fórum Permanente sobre Medicalização da Vida, que irá abordar essas questões de medicalização e de patologização da vida. Todos estão convidados.

Fonte: EBC

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Fiocruz Brasília sedia 1º Encontro Distrital da Rede Saúde e Cultura

A Rede Saúde e Cultura, por meio do Programa de Educação, Cultura e Saúde da Fiocruz Brasília (Pecs) e da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura promove, no dia 2 de dezembro, o 1º Encontro Distrital da Rede Saúde e Cultura, que será realizado na Fiocruz Brasília. As inscrições estão abertas, são gratuitas, e podem ser feitas no hotsite do evento.

Voltado para grupos e pessoas que trabalham com saúde e cultura, além de estudantes, gestores públicos e pesquisadores, a primeira edição do encontro tem como objetivo consolidar a Rede Saúde e Cultura no Distrito Federal, favorecendo a visibilidade das ações na interface Saúde e Cultura e a colaboração de parceiros que atuam nos setores governamentais, na universidade e na sociedade civil, a fim de fortalecer a diversidade cultural no DF para a qualidade de vida.

Durante o evento, serão realizados mapeamentos e registros de práticas e atores que atuam na área da Saúde e da Cultura. O encontro busca ainda fortalecer os espaços de diálogos entre a sociedade civil e as políticas públicas, além de promover o intercâmbio entre práticas e experiências entre os participantes.

A programação inclui a realização de atividades culturais, oficinas, mesa redonda, espaços de diálogo e a aplicação da metodologia World Café, que estimula a interação e o diálogo entre os participantes. O evento conta com o apoio das Secretarias de Cultura, de Saúde e da Casa Civil do Distrito Federal, da Universidade de Brasília (UnB) e da Secretaria de Gestão Participativa do Ministério da Saúde (MS).
Serviço

1º Encontro Distrital da Rede Saúde e Cultura

Data: 2/12
Programação
Local: Fiocruz Brasília
Avenida L3 Norte, Campus UniversitárioDarcy Ribeiro, Gleba A - Brasília , DF
Saiba mais.

Fonte: Fiocruz

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Observatório de iniciativas - Rede Feminista de Saúde


A Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos é uma articulação política nacional do movimento de mulheres, feminista e antirracismo, fundada em 1991. Tem abrangência nacional, estando composta por 12 Regionais organizadas no Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Goiás, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal. A coordenação da Rede é realizada por um Conselho Diretor e uma Secretaria Executiva, que compõem o Colegiado. A Assembleia Geral é a instância maior de decisão.

É integrada por organizações não-governamentais, grupos feministas, pesquisadoras e grupos acadêmicos de pesquisa, conselhos e fóruns de direitos das mulheres, além de ativistas do movimento de mulheres e feministas, profissionais da saúde e outras que atuam no campo da saúde das mulheres, direitos sexuais e direitos reprodutivos. Está presente em cerca de 30 instâncias nacionais, governamentais e não-governamentais, que incidem sobre as políticas públicas de saúde. Integra relatorias nacionais e internacionais de saúde e direitos humanos das mulheres. 

Desde a sua criação, a metodologia de trabalho da Rede Feminista vem envolvendo ações e incidência política junto às diferentes instâncias públicas do país visando garantir o acesso e assistência à saúde integral das mulheres e assegurar os direitos sexuais e reprodutivos como direitos humanos das mulheres. O advocacy e o controle social na área da saúde, enfatizando a perspectiva feminista, se revelam prioritários no trabalho da Entidade.

Coordena a Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher do Conselho Nacional de Saúde – CNS, integra a Comissão Executiva de Monitoramento do Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal, tem assento no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e no Conselho do Observatório Brasil de Igualdade de Gênero, é uma das redes parceiras do projeto Observatório pela Aplicação da Lei Maria da Penha. Integra a Coordenação da Plataforma Brasileira de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais – Plataforma DhESCA/Brasil e a titularidade da Relatoria Nacional do Direito Humano à Saúde. Tem assento na Comissão Nacional de Morte Materna e na Comissão de Articulação dos Movimentos Sociais.

A Rede Feminista é fundadora e faz parte das Jornadas Brasileiras pelo Aborto Legal e Seguro e da Frente Nacional pelo Fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto. É Ponto Focal da Campanha 28 de Setembro Pela Descriminalização do Aborto na América Latina e no Caribe. Coordena no Brasil a Aliança Nacional pela Campanha Por uma Convenção Interamericana dos Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos e participa da Articulação Mulher e Mídia, da Aliança de Controle do Tabagismo, da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma Política, entre outras articulações.

A Organização tem reafirmado, ao longo destes anos, seu compromisso de defesa da saúde integral das mulheres e dos seus direitos sexuais e reprodutivos e do Sistema Único de Saúde público, universal e de qualidade, acessível a todas as mulheres. É filiada à Rede de Saúde das Mulheres Latinoamericanas e do Caribe – RSMLAC e à Rede Mundial de Mulheres pelos Direitos Reprodutivos.

A ação política da Rede Feminista de Saúde está fundada nos seguintes princípios:

• Fortalecimento dos movimentos feminista e de mulheres no âmbito local, regional, nacional e internacional, em torno da saúde e dos direitos sexuais e direitos reprodutivos;
• Reconhecimento dos direitos sexuais e reprodutivos como direitos humanos;
• Reconhecimento da violência sexual, racial e doméstica como violações dos direitos humanos;
• Defesa da implantação e da implementação de ações integrais de saúde da mulher, no âmbito do Sistema Único de Saúde;
• Legalização do aborto, cuja realização é decisão que deve competir à mulher como direito.

Conheça mais sobre a Rede Feminista de Saúde em http://www.redesaude.org.br/home/

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Mobilização Nacional Pró Saúde da População Negra



O que é a Mobilização Nacional Pró Saúde da População Negra?

27 de outubro é o Dia de Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra. A agenda de mobilização começa no início de outubro e vai até o dia 20 de novembro, data em que se comemora a imortalidade do herói negro, Zumbi dos Palmares. Neste período, acontecem várias atividades em todo o país. Homens e mulheres, jovens e adultos, profissionais de saúde, gestoras e gestores, ativistas, pesquisadoras e pesquisadores, cidadãos e cidadãs realizam atividades para promover e defender o direito da população negra à saúde.

Mas porque ela acontece?

A Constituição brasileira determina que a saúde é um direito de todas e todos e um dever do Estado.

Um dos princípios da Carta dos Direitos de Usuárias e Usuários da Saúde diz que todas as pessoas têm direito a um tratamento de qualidade, humanizado e sem nenhuma discriminação.

Porém…

• A morte materna ocorre com mais frequência entre mulheres negras. As principais causas destas mortes são eclampsia, pré-eclâmpsia e aborto.

• A população negra apresenta maior risco de morte por causas externas, mais acentuadamente por homicídios.

• De acordo com a Pesquisa Nacional de Domicílios do IBGE (2006), a realização de exames clínicos de mamas durante uma consulta ginecológica é menosfrequente para mulheres negras que para as brancas.

• Dados de triagem neonatal apresentam que aproximadamente 3500 crianças brasileiras nascem com doença falciforme todo ano, tornando a Anemia Falciforme a doença genética de maior incidência no Brasil. No entanto é desconhecida pela maioria dos profissionais da saúde, o teste do pezinho (exame que indica a doença) não é realizado em todas as maternidades e hospitais.


O racismo e a discriminação fazem mal à saúde!

Saúde da População Negra é direito. O Estatuto da Igualdade Racial imprime força de lei à Política Nacional de Saúde Integral da População Negra.

Saúde da População Negra é direito, é lei. Racismo e discriminação fazem mal à saúde. Mobilize-se. Levante essa bandeira.


sábado, 19 de janeiro de 2013

Sanitarista David Capistrano foi pioneiro na defesa das casas de parto


Rio de Janeiro - O nome que batiza ao menos duas casas de parto no país – no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte – é uma homenagem ao médico sanitarista e ativista em saúde pública David Capistrano Filho, que morreu em 2000, aos 52 anos, vítima de câncer. Nascido no Recife, ele teve participação ativa no processo de criação do Sistema Único de Saúde (SUS) e defendeu práticas inovadoras para a época, como os médicos da família e as casas de parto.

Filho do ativista político e deputado David Capistrano, que desapareceu durante o regime militar, ele se formou em medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fugindo da perseguição da ditadura no Nordeste, também passou por São Paulo, onde, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), reuniu estudantes para atuar como agentes de saúde na periferia.

Na década de 1970, participou da criação do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes). Na época, colaborou para a elaboração do texto que deu origem ao capítulo sobre o SUS na Constituição de 1988. Também atuou na revitalização da entidade representativa dos médicos, hoje principal nome contrário às casas de parto.

Propostas de Capistrano Filho foram colocadas em prática pela Secretaria de Saúde de Santos e pelo governo de São Paulo, na década de 1990. Na área de saúde mental, por exemplo, ele defendeu a criação de núcleos de atendimento psicossocial em substituição à internação em hospitais. Esses núcleos se tornaram referência para a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Com suas ações, David Capistrano Filho despertou atenção do governo federal que o convidou para gerenciar o Programa Nacional de Incentivo à Criação de Casas de Parto e Maternidades-Modelos do Ministério da Saúde. Para reduzir cesáreas e intervenções no parto, em 1998, foi aberta a primeira casa de parto do país, em Sapopemba, na capital paulista.

Hoje, o nome David Capistrano Filho batiza as unidades do Rio (de base comunitária) e de Belo Horizonte (dentro do Hospital Sofia Feldman). Até 2010, dava nome ao Centro Parto Normal de São Vicente, no litoral paulista, fundado pela religiosa Maria Dolores Muñiz Junquera, conhecida por irmã Dolores. Para fechar a casa, o município alegou a distância até um hospital e a baixa procura.

 Edição: Juliana Andrade e Lílian Beraldo



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Brasil precisa mensurar impactos da discriminação na saúde da população, defende especialista


Brasília - Casos de discriminação são facilmente identificados por quem é alvo de piadas, chacotas, olhares atravessados ou tratamentos diferenciados. Mensurar os impactos que esses episódios trazem à saúde das pessoas, entretanto, ainda não é comum no Brasil. Para o professor João Luiz Bastos, do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), estratégias difundidas internacionalmente podem ajudar o país a entender como a discriminação pode estar associada, por exemplo, ao aumento da ocorrência de casos de depressão, ansiedade e hipertensão.

“A literatura internacional aponta uma forte relação entre quadros de alteração na saúde com o fenômeno da discriminação. É importante que, no Brasil, também sejam desenvolvidos estudos que identifiquem esse impacto, levando-se em conta nossas formas de sociabilidade e de tratar as pessoas em diferentes instâncias, para ver se aqui também essas relações se confirmam e de que forma elas se confirmam”, defendeu Bastos, que é autor do livro Discriminação e Saúde: Perspectivas e Métodos, lançado em novembro pela Editora Fiocruz.

Entre as metodologias que podem ser utilizadas por pesquisadores brasileiros, citadas na obra produzida em parceria com o professor Eduardo Faerstein, do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), está a conhecida como auditagem.

Por meio dela, são selecionados pares de pacientes com características semelhantes, exceto o aspecto que caracteriza a discriminação que se pretende investigar. Eles se apresentam em um serviço de saúde com os mesmos tipos de roupa e formas de comunicação e solicitam o mesmo tratamento.

“Se houver tratamento diferenciado, com encaminhamentos diferentes, poderá ser detectada a discriminação e o prejuízo para o tratamento de determinada patologia”,  disse.

Segundo João Luiz Bastos, estudos que identifiquem e quantifiquem essas circunstâncias são fundamentais para reduzir a falta de equidade na saúde, “que podem estar nas relações entre profissionais de saúde e pacientes, na prescrição de tratamentos medicamentosos ou de outros procedimentos cirúrgicos e terapêuticos, assim como na própria satisfação dos usuários com o atendimento prestado”.

O professor da UFSC também citou a aplicação de “grandes inquéritos” que incluam perguntas sobre experiências discriminatórias e sobre o desenvolvimento de problemas de saúde. “Dessa forma, pode-se avaliar os dados e examinar a relação entre as experiências vividas e a ocorrência de agravos à saúde”, explicou.

O professor destacou o caráter inovador do tema, ressaltando que somente durante a década de 1990 a discriminação passou a ser encarada como um fenômeno complexo, nem sempre identificado. Ele lembrou que, antes de 1920, a discriminação racial, por exemplo, sequer era entendida como um problema importante de pesquisa. Segundo ele, a discriminação em qualquer área do cotidiano das pessoas pode trazer prejuízos à saúde.

A aposentada Noádia Almeida diz que já perdeu a conta das vezes que foi alvo de discriminação por causa da cor de sua pele. Em um dos episódios, ela foi impedida de deixar uma loja de departamentos na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, após ter trocado uma peça que tinha comprado para a filha.

“Eu estava saindo da loja quando dois seguranças me mandaram segui-los até um outro setor e disseram a outro funcionário: ´pegamos a crioula com a muamba no saco’. Como eu tinha a nota fiscal, consegui provar que a peça era minha, mas foram minutos de muita angústia, de muito nervosismo. Todo mundo me olhando, foi um horror”, contou ela, que chegou a faltar um dia ao trabalho por causa do “violento estresse emocional”.

O Ministério da Saúde informou, por meio da assessoria de imprensa, que não tem dados sobre os impactos da discriminação na saúde da população, mas destacou que desenvolve várias ações para ligadas ao tema, como as associadas à Política Nacional de Humanização, lançada em 2003. Por meio da iniciativa, os profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) são treinados e capacitados no atendimento que garanta a defesa dos direitos dos usuários, qualquer que seja sua classe social, cor da pele ou condição física ou psicológica.

Fonte: Agência Brasil 

Em cinco anos, acupuntura pelo SUS cresce 567% em SP


São Paulo – A quantidade de aplicações de acupuntura em pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado de São Paulo cresceu 567% de 2007 a 2011, último ano com dados consolidados. De acordo com números da Secretaria de Estado da Saúde houve, em 2011, 264,4 mil aplicações da técnica nos serviços públicos do estado, ante 39,6 mil em 2007.

“O custo da sessões não é tão elevado em relação, por exemplo, a alguns medicamentos de alto custo para dor crônica. A acupuntura acaba sendo uma técnica segura, eficaz e de custo relativamente baixo”, disse a médica fisiatra do Serviço de Reabilitação do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo,  Rebeca Boltes Cecatto.

O número de aplicações é crescente ano a ano. Em 2008 foram feitas 95,9 mil sessões de acupuntura; em 2009, 129,9 mil e, em 2010, 202,3 mil. Em 2012, a média mensal indica crescimento de 11% em relação a 2011, com a aplicação, até setembro, de 219,9 mil sessões.

“A acupuntura é muito eficaz e tem bastante respaldo na literatura médica para o tratamento da dor, assim como o vômito, distúrbios do sono e da ansiedade. O que é importante ficar claro é que a técnica auxilia no tratamento dos sintomas, mas ela não trata a doença”, disse a médica.

Atualmente, 221 unidades de saúde no estado fazem consultas ou sessões de acupuntura, que pode ser indicada ainda para lombalgias, hérnias de disco, enxaquecas e artrites.

O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo oferece o tratamento para os pacientes que são tratados e acompanhados pelo hospital. As principais recomendações de acupuntura para os pacientes oncológicos são para o controle de náusea e vômitos, boca seca, insônia, ansiedade e dormência de pés e mãos.

“Uma das principais vantagens é que a acupuntura tem muito pouco efeito colateral, diferente de tomar uma medicação, que sempre tem algum efeito colateral. A técnica, quando bem indicada e bem aplicada, feita por um profissional com conhecimento, praticamente não tem risco, não tem efeito colateral”.

Edição: Fábio Massalli

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Ministério da Cultura e UFRJ realizam Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural em 2013


O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro realizam, em 2013, por meio de Acordo de Cooperação, o Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural. O Curso tem como fundamento a busca de soluções necessárias para uma cultura democrática e inclusiva e a formação de agentes multiplicadores, tendo como base a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, adotada pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O curso tem como objetivo geral formar especialistas em acessibilidade cultural para atuar no campo das políticas culturais, orientando e implementando conteúdos, ferramentas e tecnologias de acessibilidade que proporcionem fruição estética, artística e cultural para todas as condições humanas a partir do enfoque da eficiência. A Especialização em Acessibilidade Cultural, que terá 42 vagas, pretende ainda oferecer ao aluno capacitação em acessibilidade cultural a partir de uma grade de conteúdos que proporcione conhecimento desde a gestão em políticas culturais, bem como conhecimento sobre as deficiências, legislação e tecnologias de fruição para a acessibilidade cultural de pessoas com deficiência.

O curso terá carga horária total de 360 horas e as aulas serão oferecidas em 9 blocos de 40 horas semanais, uma semana por mês, durante 9 meses. Tal modelo se deve ao fato do curso ser oferecido para diferentes regiões e estados do país. Desta forma, ao concentrar as aulas durante uma semana em cada mês, buscou-se viabilizar a presença dos candidatos de fora do município do Rio de Janeiro.

Das 42 vagas para o curso, 27 delas serão destinadas a gestores públicos concursados de instituições culturais públicas de todo o território nacional, contemplando cada um dos estados da Federação. Outras 05 vagas serão ocupadas por representantes de Pontões de Cultura, de cada uma das regiões da Federação, devidamente conveniados junto à Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural ou às Secretarias Estaduais ou Municipais de Cultura, conveniados no Programa Mais Cultura. O curso destinará ainda 05 vagas, também distribuídas por cada região, para representantes de instituições da sociedade civil, que atuam no campo da deficiência e da cultura. Outras 05 vagas serão oferecidas para docentes de Cursos de Terapia Ocupacional ou áreas afins de Universidades Públicas.

 Inscrição

Os interessados em fazer o Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural poderão fazer a inscrição, online, no endereço www.medicina.ufrj.br/acessibilidadecultural. O período é de 21 de janeiro a 1º de março de 2013. A Comissão de Seleção, composta por 05 representantes do Curso de Especialização e 05 representantes do Ministério da Cultura, se reunirá nos dias 11 a 13 de março para o julgamento das candidaturas. Os selecionados serão divulgados no dia 15 de março e, do dia 18 a 19 de março, os interessados podem entrar com recurso por meio do e-mail acessibilidadecultural@medicina.ufrj.br. O resultado final será divulgado dia 22 de março de 2013 e o período das matrículas será de 11 a 15 de abril.

Confira abaixo o Edital do Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural.


(Redação: Heli Espíndola, Comunicação/SCDC)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Especial Cultura Negra - Rede Saúde e Cultura Minas Gerais

A Rede Saúde e Cultura Minas Gerais está preparando para o mês de janeiro e fevereiro de 2013 uma coletânea especial sobre Cultura Negra e Cultura e Saúde Negra.

A intenção é prestar a devida homenagem à relevância de constituição da identidade nacional, por parte da cultura negra, seguindo-se de uma coletânea especial da cultura indígena, prevista para março e abril de 2013.

Desta forma, pretende-se colaborar para a discussão, ampliação e divulgação dos trabalhos realizados para entendimento e aprofundamento de nossas raízes culturais, procurando trazer à nossa prática de trabalho os ensinamentos adquiridos aí.

Os materiais sobre cultura negra divulgados neste blog terão a marcação/tag "Especial Cultura Negra", o que ocorrerá também no caso dos indígenas, com o "Especial Cultura Indígena".

Fique atento e pesquise mais sobre essas culturas através de nossa nuvem de marcadores, busca no site, ou através dos links presentes em nosso menu superior, à esquerda:


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Arquivo de notícias: Impunidade desafia combate à violência contra mulher no Brasil


Impunidade desafia combate à violência contra mulher no Brasil

Analistas dizem que Judiciário e falta de estrutura são principais obstáculos


Seis anos após a promulgação da Lei Maria da Penha, o Brasil tem demonstrado esforços no combate à violência contra a mulher, e o número de denúncias vem aumentando, mas a maioria ainda esbarra em um velho obstáculo que beneficia os agressores: a impunidade.


A legislação que foi sancionada em 2006 é considerada modelo internacionalmente e leva o nome da ativista cearense que ficou paraplégica após ser baleada pelo marido, que a espancou por mais de dez anos.

O serviço Ligue 180, criado na mesma época da promulgação da lei, recebeu quase 3 milhões de ligações nos últimos seis anos, sendo 330 mil denúncias de violência, algo interpretado por especialistas como um sinal de que cada vez mais mulheres vêm utilizando este canal em busca por justiça.

Mas analistas avaliam que, na prática, o que impede o avanço do país rumo à eliminação da violência contra a mulher é o Judiciário, que ainda processa os casos com muita lentidão. Além disso, muitos juízes ainda tratam a questão com preconceito e machismo, primando por tentativas de conciliação mesmo diante das evidências de abusos, dizem pesquisadores da área.

Também há indícios de uma morosidade do governo nas esferas municipal, estadual e federal em agilizar a estruturação da rede de atendimento à mulher prevista pela lei.

Mais violência

Enquanto isso, estatísticas recentes mostram uma tendência de aumento da violência.

Segundo um levantamento do Instituto Sangari, baseado em dados obtidos de certidões de óbito e da Organização Mundial de Saúde (OMS, ligada à ONU), o Brasil acumulou mais de 90 mil mortes de mulheres vítimas de agressão nos últimos 30 anos.

Em 1980 eram 1.353 assassinatos deste tipo por ano, e em 2010 a crifra saltou para 4.297. Além disso, o Brasil fica em 7º lugar no ranking dos países com mais mortes de mulheres vítimas de agressão.

Algo que Eleonora Menicucci, ministra chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), órgão do governo federal, classifica como "lamentável".

"É realmente lamentável que o Brasil ainda esteja na 7ª posição neste ranking. Eu gostaria que a gente nem aparecesse, mas creio que todas as nossas políticas públicas impactam este cenário e que estamos no caminho certo", disse em entrevista à BBC Brasil.

Impunidade

Para Wania Pasinato, socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP, as estatísticas soam como um alerta de que a lei não está sendo aplicada como deveria e que o país falha em não reduzir mais o sofrimento e as mortes de milhares de brasileiras.

"A gente diz o tempo todo para essas mulheres denunciarem a violência, mas nada é feito. O Estado não reage à essa denúncia, ou se reage, fica apenas no papel. Essa ineficiência cria um cenário de impunidade muito perverso", diz.

Já a ministra Eleonora Menicucci argumenta que na visão do governo federal o combate à impunidade é importante e configura a segunda etapa do esforço para conter a violência.

Mas ela admite que é "ponto pacífico" que existe uma "morosidade enorme nos processos".

Na metade deste ano a SPM lançou a campanha "Compromisso e Atitude no Enfrentamento à Impunidade e à Violência contra às Mulheres", focando no Ministério Público e Conselho Nacional de Justiça.

"Temos duas frentes: mudar a mentalidade da sociedade e do Judiciário. São os juízes que vão dar velocidade aos processos e audiências", explica, acrescentando que "o Brasil é um país muito grande, as culturas e os procedimentos são muito diferentes".

Ela destaca, no entanto, que entre julho de 2010 e dezembro de 2011 em todo o país foram realizadas 26.410 prisões de agressores, 4.146 detenções preventivas e que mais de 685.905 processos de agressão contra mulheres estão tramitando em cortes brasileiras.

O Observatório Lei Maria da Penha, ligado à Universidade Federal da Bahia (UFBA), que monitora a aplicação da lei em todo o Brasil, diz que ainda há muito machismo e preconceito entre delegados e juízes, que tendem a classificar a violência contra a mulher como um assunto de foro íntimo, relegado a um segundo plano diante de outras questões.

"Há casos de mulheres que denunciam o agressor e esperam mais de seis meses por uma audiência, e o juíz ainda tende a ignorar a gravidade da denúncia e primar pela conciliação e a retirada da queixa. Sobretudo no Nordeste, vemos até o assédio de policiais contra as mulheres no momento da denúncia, quando elas estão fragilizadas", diz Márcia Tavares, uma das pesquisadoras do grupo.

Wania Pasinato acredita que o Judiciário brasileiro simplesmente não está preparado para aplicar uma legislação de proteção à mulher.

"Eles veem apenas a dimensão criminal. O posicionamento de juízes e da segurança pública precisa ser modernizado. É necessário haver mais esforço, o que não está acontecendo. Muitos magistrados desconhecem totalmente a lei".

Estrutura

Um dos aspectos mais elogiados da lei Maria da Penha é o fato de que a legislação vê a violência contra a mulher não só como um problema criminal mas também social.

E para agir com mais eficiência rumo à uma transformação real da cultura de dominação machista e agressão, o texto da lei prevê a criação de uma rede de atendimento composta por diversas esferas, entre elas juizados especiais e abrigos onde as mulheres podem ficar seguras após fazer denúncias.

Mas até mesmo a SPM reconhece que essa estrutura ainda está muito aquém do necessário.

"É realmente verdade, infelizmente. A rede de proteção e as delegacias especiais são estaduais, já as casas-abrigo são municipais. Estamos propondo que os juizados sejam regionais, para melhorar essa estrutura", diz a ministra Eleonora Menicucci.

Ela explica que a SPM repassa recursos federais aos Estados a cada quatro anos, quando ocorre um acordo mediante a apresentação de projetos. No ciclo atual, apenas três Estados já renovaram suas verbas (Distrito Federal, Paraíba e Pará), recebendo um total de R$ 29,9 milhões. Os outros estão pendentes.

A pesquisadora da USP Wania Pasinato diz que os investimentos para que a rede seja de fato ampliada e que "a maioria das tentativas têm fracassado".

"Fica difícil transformar esse direito formal em um atendimento concreto sem essas estruturas previstas pela lei".

Para a socióloga, o alto número de assassinatos de mulheres no país é um alerta de que a lei, de fato, não está sendo aplicada como deveria, e que a sociedade brasileira ainda precisa avançar para aceitar o fato de que "bater em mulher" é crime.

"Passamos por muitas transformações e o papel da mulher foi alterado de forma muito radical no país. Temos uma presidente mulher, algo muito simbólico. São mudanças que a nossa cultura machista ainda não conseguiu absorver e que ameaçam os homens com a mentalidade dominadora".

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