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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Integrantes da Rede Saúde e Cultura: Faculdade de Letras UFMG / Literaterras

Conheça as ações da Faculdade de Letras da UFMG para as comunidades indígenas e afro-descendentes

A Faculdade de Letras tem promovido atividades de pesquisa, ensino e extensão relacionadas com a tradução, edição e publicação de textos advindos de comunidades indígenas e afro-descendentes, através do Núcleo Literaterras e do Laboratório de Edição. Tais atividades contribuem para a formação profissional de estudantes de Letras, Educação Intercultural, Ciências Sociais, Comunicação, História, Belas Artes, Ciência da Informação, Música, Ciências Biológicas. 

O Bacharelado em Letras com ênfase em Edição, sobretudo, conta com as referidas atividades para que seus alunos pratiquem as várias etapas do processo editorial.

Textos escritos, imagens e sons, traduções a partir de diversas tradições orais, colocam em evidência línguas muitas vezes em risco de extinção e remanescentes lingüísticos.  Cantos, narrativas, rituais e festas, textualidades extra-ocidentais podem agora ser acessadas neste site, assim como informações sobre pesquisas e projetos editoriais.

Conheça mais e navegue nas publicações e pesquisas:

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Integrantes da Rede Saúde e Cultura: AJENAI

A Associação Jenipapense de Assistência à Infância - AJENAI, Ponto de Cultura, traz para a Rede Saúde e Cultura de Minas Gerais um importante histórico de atuação junto à população do Vale do Jequitinhonha, trabalhando ali com o resgate da cultura da infância  e dos conhecimentos tradicionais.

Vale a pena conhecer mais de seu trabalho e ficar atento às contínuas contribuições deste Ponto de Cultura às ações de Saúde e de Cultura, realizadas no interior de nosso estado.

Leia aqui um pouco de sua história e missão:

Fundada em 1999 a partir da iniciativa de moradores da região e com o apoio da AMAI (Associação com atuação no Município Vizinho – Francisco Badaró), a AJENAI - Associação Jenipapense de Assistência à Infância, tem por missão “Proporcionar Assistência às Crianças e Adolescentes das comunidades rurais do Município de Jenipapo de Minas, no seu contexto familiar, promovendo a mobilização comunitária, visando como bem comum o desenvolvimento humano e comunitário.”

Atende cerca de 3 mil pessoas entre elas crianças, adolescentes e adultos.

Seus primeiros parceiros: AMAI, a Prefeitura Municipal e os moradores locais, logo deram condições a AJENAI para se tornar uma associação e assim assinarem convênio com o Fundo Cristão para Crianças, hoje seu maior mantenedor, através do sistema de apadrinhamento.

A AJENAI é gerenciada por uma Diretoria Voluntária, constituída por 12 pessoas, eleitas pelas famílias associadas para administrar a instituição por um período de 3 anos.

Missão:
“Proporcionar a Assistência às Crianças e Adolescentes das comunidades rurais do Município de Jenipapo de Minas, no seu contexto familiar, promovendo a mobilização comunitária, visando como bem comum o desenvolvimento humano e comunitário.”

 Conheça mais:

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Integrantes da Rede Saúde e Cultura: Exposição Dona Helena e seus saberes vai a Araçuaí



A Exposição Dona Helena e seus saberes chega a Araçuaí nesta sexta feira, dia 26 de outubro. Quem tiver a oportunidade irá conferir os trabalhos de um dos parceiros da Rede Saúde e Cultura, Lori Figueiró, integrante do Ponto de Cultura AJENAI e do Memorial do Vale.

Não percam!


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Integrantes da Rede Saúde e Cultura: Sidney do Carmo e a história da Saúde e da Cultura

 RISCO DE PERCURSO
 
Sidney do Carmo
 
Palavra chave: transformação social – contexto histórico

Em 1880 as idéias positivistas de Auguste Conte disseminavam-se pelo mundo, tanto que no Brasil, criava-se o IAPB (Igreja e Apostolado Positivista do Brasil), acontecia o Primeiro Congresso Internacional de surdos, em Milão, divulgando-se a língua de sinais, a linguagem dos símbolos; tínhamos os rumores do parnasianismo na escrita. 

Em cena uma época de fortíssimas teses e acontecimentos; em cena um cenário de contradições. Nasce o sanitarista e visionário Ezequiel Caetano Dias, Ezequiel Dias. Numa época em que se configurava um labirinto de indagações, entre instâncias próprias da revelação para a ação de um discurso revestido pelo que tem de mais pulsante: a prática ajuizando o ato. Surge, pois, o gerado, no antagonismo da oferta e da recusa e são estes ingredientes ímpares que emolduram a personalidade de Ezequiel Dias. 

O Brasil como na famosa frase de Euclides da Cunha seria uma criação da teoria política. Nesta chave, interpretar o Brasil deve obedecer ao esclarecimento das relações efetivamente existentes entre homens e deles com seu ambiente natural, mas criá-lo, elaborando instrumentalmente instituições, pessoas e valores sociais. Devemos nos debruçar sobre a questão de saber quais são as condições da vida social que determinam, pelo menos em parte, as diferentes formas e espécies de conhecimentos, quais as condições de realizações em um mundo que somente é aceito por ele na medida em que sofre a sua intervenção. Intervir é coisa do corpo! Foi assim que em 1893, no balcão de uma farmácia no bairro das laranjeiras no Rio de Janeiro, estava um menino de doze anos, esguio, magro, com olhos negros e brilhantes, que ajudava os serviços do estabelecimento.

 Ezequiel Dias já iniciara sua aventura alquímica num ambiente onde a teoria e a prática dialogava numa simbiose que lhe inspirou o desejo de cursar farmácia. Porém, mais que atenuar os sofrimentos, ao então jovem estudante de farmácia preocupava a origem da doença, sendo este o motivo de sua dedicação. Num certo dia de 1899, um visitante trazia ao estudante “o convite de um tal Dr. Oswaldo Cruz para uma conferência prévia, que, certamente, se seguiria ao emprego, bem remunerado. Contudo é importante transcrever aquele que foi o primeiro diálogo profissional entre Oswaldo Cruz e Ezequiel Dias, conforme o livro Ensaios escrito por Octávio de Magalhães. 
“Em que ano está o senhor
- No terceiro.
Tem medo da peste?
- Não. Senhor.
Está disposto a trabalhar tantas horas quantas forem necessárias para cumprir as suas obrigações, sem dependência de nenhum horário fixo? - Perfeitamente.
Agora uma última pergunta, a qual ligo muita importância: o senhor conhece alguma cousa de bacteriologia? O moço teve um momento de dúvida: exercia sobre si o inesperado cargo de auxiliar de um verdadeiro cientista; além dos proventos que daí lhe adviria; de outro lado, a consciência, que compelia a dizer a verdade. Optou por esta, deixando-se, porém, cair, interiormente, numa crise de abatimento moral. - Não, senhor.
“Pois está muito bem; é essa uma das condições exigidas”.

A partir daí torna-se o principal colaborador de Oswaldo Cruz na luta pela saúde, motivada inicialmente pela ameaça da peste bulbônica, que, depois de uma longa trajetória pela Europa, havia chegado as Américas.

Na seqüência, aportou em outubro de 1899 a cidade de Santos, requerendo das autoridades estratégias rápidas de controle desta doença. Criou-se de imediato em Oswaldo Cruz , ao constatar que já contava com um colaborador, o desejo de fundar filiais (laboratórios) nos estados  brasileiros, difundindo as doutrinas científicas de sua escola, o que representava uma necessidade num país assolado por tantas endemias.

Teve Ezequiel Dias a incumbência de fundar a filial de Manguinhos nos da primeira década de Belo Horizonte.

Em Minas Gerais, a filial de manguinhos foi uma espécie de braço das Ciências biológicas no Estado, pois promovia, como no Rio de Janeiro, reuniões semanais em sua biblioteca para discutir artigos científicos nacionais e estrangeiros, as quais passaram a comparecer médicos e professores da cidade, dando origem á faculdade de medicina, em 1911, e iniciando uma colaboração duradoura que uniu a pesquisa, a produção e o ensino.”

Isto porque o grupo laureado por Oswaldo Cruz tinha este costume na capital brasileira, que recebia influência francesa de modos de pensar e agir, onde este grupo tinha acesso a um importante jornal: La Gazette, que se dedicou a este tema da medicina social. Só para se ter uma idéia, entre 1848 -1868 surgiram na imprensa francesa cerca de sessenta jornais dedicados ao tema.

Ezequiel Dias teve sua orientação social, ele acreditava na missão sociológica de sua função para atenuar os sofrimentos dos desvalidos e desprovidos de informação; E desta forma, conseguiu articulações num tempo de encontros paradoxais. De um lado, a promessa da modernidade, o surgimento do cinema e de outro, as epidemias disseminando-se em grande parte a população brasileira que não tinha acesso sequer ao saneamento básico. Ele mesmo sentia isto no corpo, e sua ação era a convergência deste “estado”. Advogava em favor desta causa mesmo doente. Ele mesmo sentia isto no corpo, e sua ação era a convergência deste “estado”. Vimos em Ezequiel Dias uma figuração apontada por Everardo Duarte Nunes em seu livro: “Sobre a Sociologia da saúde”- há, contudo uma faceta importante que precisa ser dita em que o determinismo geográfico e os fatores culturais correspondem ao estar inserido no espaço, no espaço como curso da história no dizer de Milton Santos, pois no corpo (aquele corpo doente), a doença altera o ritmo de vida, já que todos nós vivemos num determinado ritmo, pela cultura e hábito e, sobretudo naquilo onde estamos inseridos e não se apagam as marcas do lugar em que estamos. Nossa situação no tempo e no espaço faz a diferença. Ao diferir, conferimos. A diferença faz-nos falar. Tanto que Ezequiel Dias mesmo doente organizava em sua casa vários saraus científicos e literários e nestes brotaram estudos em Minas na discussão sobre o câncer e textos literários de escritores franceses.

Nestes saraus lia-se com fervor Charles Baudelaire. Em Belo Horizonte, era rodeado por amigos e admiradores como o memorialista Pedro Nava que comenta: sua postura era daquele que o olho escuta o silêncio do corpo que fala e uma dedicação pelo detalhe do detalhe, fruto de suas investigações no laboratório de microbiologia e leituras simbolistas.

Quando Ezequiel Dias começou a verdadeira independência científica, ao lado de Oswaldo Cruz, havia um clima em que só se pensava “no amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”.

Em 1917, escreveu a primeira lição de microbiologia da faculdade de Medicina de Belo Horizonte, como também, uma conferência: “Um problema resolvido”, dessa feita sobre o escorpionismo. Referindo-se ao escorpião disse:

“vive muito bem no campo, de preferência entocando-se sob as pedras onde lhe apraz hibernar demoradamente, impassível, sóbrio, em prolongada modorra, alheio á movimentação harmoniosa da natureza”.

Em 1918, publica “O Instituto Oswaldo Cruz”, resumo histórico sobra à casa de Oswaldo Cruz.

 Um risco não do ofício
 
Aquele que foi farmacêutico, médico e pesquisador por pouco seria engenheiro. Havia feito a promessa para sua irmã de estudar engenharia seguindo exemplos de seus antepassados. Mas a proximidade familiar, seu pai era médico e o contexto da época que viveu as relações traçadas, o convívio num cenário entre saúde e a doença, o clamor de mudanças, fizeram com que tomasse partido pela questão social. Nãos e cala um gesto conduzido pelo olhar social, não há como apagá-lo, pois o ato é um ensaio da posse no espaço, função corpórea, articulada como modelo como reflexo, como um grito. Lukács nos lembra que a consciência vai ao ponto de declarar que a transformação das idéias em realidades é um pensamento profundo, muito importante do ponto de vista histórico.

Em Ezequiel Dias o conhecimento é por fim/foi uma construção do fazer saúde pública neste país que ainda constrói e firma sua identidade.

Faleceu em 1922, no ano do acontecimento da semana de arte moderna no Brasil.

 
Do autor
Historiador, Poeta e artista cênico, Sidney José do Carmo nasceu em Belo Horizonte. Em fins dos anos 80, atuou intensamente no grupo performático Vírus Mundanus``, encenando autores como os franceses Baudelaire, Rimbaud, Válery, Lautréamont e os alemães Paul Celam e Georg Trakl, além do norte- americano Edgar Alan Poe e os brasileiros Murilo Mendes, Drummond, Dantas Mota e Augusto dos Anjos. Desde o início dos anos 90, vem realizando pesquisas na fronteira literatura/saúde pública, com suporte da Fundação Ezequiel Dias – Desenvolveu na Escola de Saúde Pública de Minas Gerais o Projeto Saúde Com Cultura na cidade de Diamantina entre 2002 a 2004. É Articulador do projeto Ciência em Movimento da Funed.

Referências bibliográficas
Octávio de Magalhães – Ensaios – 1951.
 Passantes da Agonia- publicado na revista mineira de saúde pública, n.01- junho/2002;

sábado, 22 de setembro de 2012

Fiocruz e Ministério da Cultura realizam I Encontro Nacional da Rede Saúde e Cultura

Entre os dias 3 e 5 de dezembro, a Rede Saúde e Cultura promoverá ações de promoção e cuidado à saúde que respeitam a diversidade cultural e a participação social, no Rio de Janeiro

Fortalecer ações de promoção e cuidado à saúde que respeitem a diversidade cultural e a participação social é o objetivo do I Encontro Nacional da Rede Saúde e Cultura, que será realizado pela Fiocruz em parceria com a Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SCDC/MinC) entre os dias 3 a 5 de dezembro, no Rio de Janeiro.

O evento é voltado para agentes de diversas áreas como saúde, educação, meio ambiente, cultura, desenvolvimento científico e tecnológico, movimentos sociais, entre outros. Durante a programação, serão realizadas oficinas, mesas redondas, trabalhos em grupo, exposição de produtos e dinâmicas de construção de ações colaborativas entre os participantes, a fim de orientar a atuação da Rede Saúde e Cultura.  

Para participar, virtual ou presencialmente, basta preencher o cadastro de inscrição on line, que estará disponível no site oficial do Encontro a partir do dia 1º de outubro. Os participantes receberão certificados específicos para cada atividade e trabalho inscrito.

O I Encontro Nacional da Rede Saúde e Cultura é coordenado pelo Programa de Educação, Cultura e Saúde da FIOCRUZ Brasília (Pecs) e conta com apoio do Núcleo de Ciência, Saúde e Cultura (SMSDC/RJ), da Universidade Popular de Artes e Ciências (Upac), da ONG Artéria-Cultura e Cidadania, do Comitê Nacional de Educação Popular e Saúde, entre outras instituições. A iniciativa é desenvolvida no âmbito da “Semana Ciência, Cultura e Saúde: Direito à Diversidade Cultural no cuidado à Saúde” e em conjunto com o VI Congresso de Ciência, Arte e Cidadania e da I Conexão Internacional de Saúde e Cultura, promovidos pela Fiocruz.

Rede Saúde e Cultura
Criada a partir de Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a Fiocruz e o Ministério da Cultura em outubro de 2010, a Rede Saúde e Cultura: promovendo inclusão e qualidade de vida visa a fortalecer as relações entre o Estado, a sociedade civil organizada, a academia e demais setores que atuam na promoção e no cuidado à saúde, a partir da construção democrática da cidadania. Desta forma, a Rede se coloca como espaço de mediação entre estes atores, e adota o modelo de gestão compartilhada em suas ferramentas virtuais e dinâmicas presenciais, orientadas pelos eixos: mobilização; articulação; construção de conhecimento, registro e memória; educação; informação e comunicação, entre outros.  Para mais informações, acesse o link


Informações: (61) 3329-4521 / 4604 / 4522 | redesaudecultura@fiocruz.br



terça-feira, 11 de setembro de 2012

Integrantes da Rede Saúde e Cultura: Literaterras

Aconteceu no dia 09 de Setembro de 2012 o lançamento do Livro Vivo - Medicina Tradicional Huni Kuin, na Aldeia São Joaquim Centro de Memória, TI Baixo Rio Jordão - Acre

A realização é da Filmes de Quintal em parceria com a Faculdade de Letras da UFMG e o Literaterras, este último parceiro da Rede Saúde e Cultura de Minas Gerais.








quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Arquivo de notícias - Exposição Dona Helena e seus saberes chega ao Serro

Repassando aqui o convite do Museu Regional Casa dos Ottoni para a bela exposição Dona Helena e seus saberes, que esteve presente em nosso Espaço Saúde e Cultura, durante o 44º Festival de Inverno de Diamantina.

A exposição agora chega ao Serro. Quem tiver a oportunidade, compareça.


Prezados(as),

É com imensa satisfação que a equipe do Museu Regional Casa dos Ottoni, convida V.Srª. para participar das comemorações da 6ª Primavera de Museus que acontecerá no Museu Regional Casa dos Ottoni entre os dias 18 e 30 de setembro de 2012. Em especial convidamos para participar da abertura da Exposição Dona Helena e seus saberes.


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Integrantes da Rede Saúde e Cultura: Lori Figueiró


Iniciamos com este post uma série de apresentações de trabalhos de integrantes da Rede Saúde e Cultura e quem estréia o quadro é o fotógrafo Lori Figueiró.

Lori tem um belo trabalho de registro da memória local na região do Vale do Jequitinhonha, atuando no Centro de Cultura Memorial do Vale. Você pode conferir mais sobre seu trabalho em http://lorifigueiro.blogspot.com/

A exposição "Dona Helena e Seus Saberes" compôs o Espaço Saúde e Cultura do 44º Festival de Inverno da UFMG, durante os dias 16 a 24 de julho de 2012. Quem não pôde conferir ou quer matar a saudade das belas fotos e a história por trás delas, fique à vontade para apreciá-la nesta postagem.

Esperamos que nossos leitores possam se emocionar conosco, com a beleza e a diversidade dos integrantes da Rede Saúde e Cultura Minas Gerais.



Dona Helena e Seus Saberes
Fotografias de Lori Figueiró
Atualmente, vivemos em uma época de grandes transformações, principalmente nas áreas econômica, tecnológica e sociológica (através da globalização da informação). Esse contexto cria a necessidade de refletirmos acerca do lugar em que se coloca o universo individual, principalmente a individualidade ainda não totalmente integrada a uma cultura urbana, mas representativa de um universo rural e isolado, em franco processo de esfacelação.



as cartas mesmo... outro dia mesmo, tinha uma pessoa... falava: ‘Está usando carta mais não! Isso agora é telefone para todo canto; tem celular... não Helena, porque as cartas que você escrevia...’.
Eu escrevia cinco, seis cartas por noite, porque de dia eu trabalhava para os outros... eu não tinha tempo... à noite que eu ia escrever... o pessoal só trazia o envelope e o papel... só, pronto!”



Num conjunto de imagens que se propõe a desvendar o pessoal, a representação dos objetos que compõem essa identidade exige constantemente uma seleção, pois qualquer tipo de redundância figuraria como sinônimo, acabando não significando coisa alguma em meio ao conjunto da obra. Este foi o desafio – delicioso desafio – que Lori Figueiró enfrentou.



 Prova disso é a profusão de imagens no universo virtual que não nos dizem nada, pois são tomadas pela ilustração e pela figura e não pela sua representação artística. Se o distanciamento de outrora foi sendo substituído pela conectividade, nem por isso as identidades locais se transformaram completamente; elas, por meio da comparação com outras comunidades, passaram a reconhecer a sua importância e o caráter único e individualizante que lhe confere sua identidade, compreendendo a permanência como algo diferente do engessamento de suas práticas e saberes. Assim aconteceu em São Gonçalo do Rio das Pedras, distrito do Serro.


 Dona Helena é uma pessoa “conectada” ao mundo porque ela o percebe, entende suas transformações e pensa a sua inserção nele, mas sem abrir mão de sua individualidade. Escreve poemas, cria e recria seu presépio e as histórias que conta.



Recriar assim... porque, naquele tempo, os pais da gente... no interior é interior, é cultura do interior, até o palavreado... tudo é do interior... e eles contavam as histórias simples... tudo do jeito que eles também escutaram dos pais deles e eles passavam para a gente... e hoje eu conto para as pessoas de fora... então...”

 Numa conversa ela lamenta a sorte de chineses, após algum desastre natural e, no instante seguinte, comenta que a industrialização/mecanização deixou de empregar: “agora trabalham dez onde trabalhavam cem...”. Ela lembra um Guimarães Rosa de saias:


A vida é mais ou menos... porque você leva esta vida ‘mais ou menos’ até o fim e ninguém está sabendo o que está acontecendo com você, o que está passando... é ‘mais ou menos’, uai! No mesmo dia você está triste, pensativo e tudo... (alguém pergunta:) ‘Como você está? Tudo bem?’ (e você responde:) ‘Mais ou menos’!
Pronto! E você empurra tudo para a frente!”


 Com esta exposição o Museu do Diamante é o conector que mostra “um mundo” para as pessoas e os saberes desta mulher... e, quando encontrá-la, ela gostará de conhecer os seus saberes.





Exposição realizada por

MUSEU DO DIAMANTE – IBRAM – MINC 









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