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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Enfrentamento à violência contra a mulher é tema de curso

A atuação dos profissionais da Saúde é fundamental para o tratamento e prevenção da violência contra a mulher. Para isso, eles precisam estar preparados, e capacitá-los é objetivo do curso à distância ofertado pelo Núcleo de Educação em Saúde Coletiva (Nescon/UFMG), em parceria com o Projeto de Atenção Integral à Saúde da Mulher em Situação de Violência da Faculdade de Medicina da UFMG.
O Nescon, que já trabalha com o sistema de ensino à distância, oferecerá plataforma para que as aulas online aconteçam. Em uma primeira etapa do Projeto, foi feito um planejamento estratégico e participativo para a formação de uma rede nacional de atendimento às vítimas.
Inicialmente, cerca de 300 profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) participarão de trabalhos individuais e coletivos, fóruns de discussões e redação de relatórios, por um período de 11 meses. As aulas, que iniciaram este mês, são dividas em três unidades, com objetivo de preparar os profissionais de diferentes partes do Brasil para atender, de forma humanizada, mulheres em situação de violência, bem como fortalecer a rede nacional de atendimento às vítimas.
De acordo com o coordenador do curso, professor Victor Hugo de Melo, a expectativa é de que mais de 1.300 profissionais sejam capacitados. “Iremos realizar outras etapas do curso, com o apoio e contribuição do Nescon. A plataforma nos permitirá alcançar os profissionais em todo o território, o que vai ao encontro de uma das metas do projeto, que é de estabelecer comunicação entre os diversos grupos de saúde”, diz o professor.
Para ele, o tema é atual e merece a atenção de todos os setores. “Vemos diariamente em jornais diversos tipos de violência contra a mulher, que até levam à morte. A Lei Maria da Penha existe, mas o número de vítimas ainda é alarmante. Por isso, precisamos atualizar o conhecimento dos profissionais para que façam um melhor atendimento”, conclui.
EstratégiaO coordenador explica que antes do início do curso foi realizado questionário com os alunos para ajudar a conhecer a realidade das regiões em que atuam. O questionário incluiu perguntas sobre medidas de enfrentamento, como é feito o acolhimento na unidade de saúde e como as redes se interligam, de forma a evitar que a mulher tenha que repetir a história da agressão em todos os lugares.
“Não temos muitas notícias sobre a situação de locais mais distantes, e saber como os alunos são nas diversas regiões, nos permitirá ter conhecimento sobre as diferentes realidades. Com isso, poderemos produzir materiais de estudo e atualizar a rede”, conta.
Para ElasDe âmbito nacional, o Projeto de Atenção Integral à Saúde da Mulher em Situação de Violência é financiado pelo Ministério da Saúde e executado por equipe da UFMG e seus parceiros de vários setores, estado, municípios e sociedade civil. O projeto foi lançado em 2013, na UFMG, durante o seminário “Para elas. Por elas, por eles… por nós”.
Fonte: Faculdade de Medicina da UFMG

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Projeto Literário SUSPense!

Por Vanuza Sperber/Betim (MG)
A leitura é uma atividade essencial para o desenvolvimento humano. Observando a permanência na UBS (Unidade Básica de Saúde) de várias pessoas surgiu a ideia de trazer livros para que as crianças que aguardavam atendimento odontológico pudessem se divertir um pouco. Os livros eram oferecidos a elas enquanto aguardavam na sala de espera ou enquanto aguardavam a anamnese, respondida pela mãe ou responsável. Percebi que as crianças se distraiam enquanto estavam lendo e se tornavam mais colaboradoras durante o atendimento.
Compartilhei a ideia com minha colega de trabalho Rejane Brandão. Pensamos, então, em ampliar a atividade: disponibilizar livros e promover cultura para todo o público que utiliza o serviço odontológico da UBS Alterosas (em Betim). Transformamos a ideia num projeto que Rejane batizou de "Projeto Literário SUSPense!". A gerente da UBS aprovou a iniciativa e disponibilizou um espaço para a exposição dos livros em nossa sala de espera. Divulgamos o SUSPense! na UBS e no Facebook e solicitamos doações. Recebemos mais de 200 exemplares. Foram diversos títulos de vários gêneros literários, enciclopédias, revistas, gibis, livros acadêmicos e didáticos. Os livros ficam armazenados em um baú colocado na sala de espera da odontologia. Todas as manhãs as pessoas são informadas do projeto e incentivadas a participar. Após o término do atendimento, no período da tarde, o baú é recolhido. Quando o baú está esvaziando novos exemplares são disponibilizados.
Mas começou a surgir uma dificuldade: E se as pessoas levassem os livros embora? Como seria feito o controle dos livros? Quem faria esse controle? Conversando com o filósofo e contador de histórias Paulo Fernandes recebemos a sugestão para "deixar o livro circular, afinal, livro na estante ou na gaveta é um livro triste, sem função. Os livros foram escritos para serem lidos." Decidimos que a pessoa pode ler enquanto espera atendimento, levar o livro pra ler em casa e trazê-lo de volta na próxima consulta, trazer um livro para trocar. Também incentivamos os usuários a doar livros que estão em casa sem uso.
Nosso projeto ainda está no começo, mas já estamos motivadas com os resultados. Temos SUSPense! em todo canto da unidade.  Encontramos pessoas praticando o SUSPense! na espera da enfermagem, da vacina, dos médicos... As pessoas gostam de ler, precisam que o livro esteja acessível. Muitos agradecem, pois não tinham esse acesso. Não raro, alguém comenta sobre a história que leu. Na sala de espera da odontologia sempre tem um livro cumprindo seu objetivo: transmitir informação, gerar conhecimento, cultura e entretenimento. 
Incentivar a leitura também é promover a saúde!


terça-feira, 8 de abril de 2014

Semana Nacional de Humanização do SUS em Uberlândia - Hospital de Clínicas da UFU e Secretaria de Saúde debatem humanização do SUS



Começou nesta segunda-feira (7) e vai até sábado, a Semana Nacional de Humanização do Sistema Único de Saúde (SUS). Na cidade (de Uberlândia), encontros, atividades culturais, oficinas e debates serão realizados até sábado (12) pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) e pela Secretaria Municipal de Saúde. O objetivo é compartilhar conhecimentos e experiências que melhorem o acolhimento do paciente e as condições físicas e sociais para os trabalhadores do setor.

De acordo com o coordenador de projetos da Câmara de Humanização do HC-UFU, Edson Luís Gonçalves, o hospital conta com projetos que dão atenção aos pacientes desde 2008. “O Posso Ajudar” é realizado por alunos dos cursos da faculdade de Medicina e visa orientar os pacientes. Já o “Amigos do Coração” consiste no suporte para as mães que têm crianças no ambulatório de Pediatria”, afirmou.

Outro projeto citado por Gonçalves é o “Mamãe Faz Arte”, destinado às mães com bebês prematuros ou com gravidez de risco. Elas praticam atividades de artesanato nas instalações do HC-UFU. “Estas ações visam tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor para os pacientes e seus familiares”, afirmou.

O diretor de Gestão de Pessoas e Educação em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Welington Muniz Ribeiro, afirmou que o Encontro Municipal de Humanização e as ações da semana têm por objetivo aproximar os gestores, trabalhadores e população. Ele disse que um dos aspectos a serem abordados é a melhoria das condições de trabalho e a capacitação dos profissionais para acolher os pacientes. “Ser solidário é uma característica do ser humano e este é um processo a ser construído.”

Programação da Semana Nacional de Humanização em Saúde no HC-UFU

08 de abril (terça-feira)

Saguão de Direção HC-UFU das 8h às 20h
- Apresentação de painéis e projetos desenvolvidos pela Câmara de Humanização e Serviço Social do HC-UFU
- Exposição de trabalhos artesanais realizados por pacientes e acompanhantes no Projeto Mamãe Faz Arte.

Portaria do HC- UFU das 14h às 20h

- Palestra com Sandra Dalvi Quintaes de Morais
Tema: Acidentes de Trânsito com motocicletas e a década mundial pelo trânsito seguro.
- Palestra com Jacqueline Teixeira Paiva
Tema: Serviço Social na Saúde Mental

09 de abril (quarta-feira)

Anfiteatro do bloco 2A das 8h às 11h30

- Roda de Conversa com o reitor Elmiro Santos Resende e a pró-reitora de Recursos Humanos Marlene Martins

- Exposição de trabalhos artesanais realizados por pacientes e acompanhantes no Projeto Mamãe Faz Arte

Terminal Central
- Exposição fotográfica de ações humanizadas da Rede Municipal de Saúde na praça de Alimentação do Terminal Central

10 de abril (quinta-feira)

Anfiteatro do bloco 8B – 8h30

- Palestra com Vicentina Oliveira Santos Lima
Tema: Caminhos do atendimento humanizado às vítimas de violência sexual

Anfiteatro do bloco 8B – 9h30

- Palestra com Maria Cristina Camin
Tema: Musicoterapia em hospitais

Anfiteatro do bloco 8B – 10h

- Palestra com Tenente Coronel Itamar Caetano
A ética e a Humanização no atendimento pré-hospitalar

Anfiteatro do bloco 8B – das 14h às 16h
- Roda de Conversa com alunos estagiários e bolsistas do projeto Posso Ajudar?

11 de abril (sexta-feira)

Anfiteatro do bloco 8B – 8h
Plenária: Apresentação de resultados da pesquisa de humanização realizada no HC-UFU por Edson Luís Gonçalves – Câmara de Humanização do hospital.

Programação da Semana Nacional de Humanização da Secretaria Municipal de Saúde

09 de abril (quarta-feira) – das 9h às 12h e das 15h30 às 18h30

- Blitz da Saúde no cruzamento das avenidas João Naves de Ávila e João Pinheiro. Próximo ao Terminal Central

12 de abril (sábado), às 19h

Teatro Municipal

- Exibição do filme: O Renascimento do Parto

Ações de Saúde realizadas pelo Sesc Uberlândia

09 de abril, das 7h30 às 12h e das 13h às 17h
Os alunos das Escola Estadual Irmã Odélcia Leão Carneiro e Escola Municipal Coronel José Teófilo Carneiro recebem orientações sobre doenças transmitidas por vetores e participam da oficina de mosquiteca.

11 de abril, 9h
Local: Uberlândia Shopping
A equipe de saúde do Sesc vai oferecer orientações sobre a dengue para os trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo

12 de abril, das 9h às 12h
Local: Feira livre do bairro Santa Mônica na rua Ortízio Borges

Orientações sobre doenças transmitidas por vetores, mostra do ciclo biológico do mosquito da dengue e distribuição de mudas de citronela.

Fonte: Correio de Uberlândia 


quinta-feira, 6 de março de 2014

V Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica e Saúde da Família



O Departamento de Atenção Básica da Secretaria de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde (DAB/SAS/MS), promove, entre os dias 12 e 15 de março, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, a IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica/Saúdeda Família, o maior evento da Atenção Básica no Brasil.

Em sua quarta edição, o evento reunirá cerca de 10 mil pessoas de todas as regiões do país, com o objetivo de valorizar experiências cotidianas e estimular o protagonismo local de milhares de trabalhadores, gestores e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Ao todo, 4.351 relatos foram enviados de todas as regiões do país, para serem apresentados nos espaços destinados à amostragem de experiências. Destes, cem serão premiados no fim da Mostra.

O evento será palco de um intercâmbio inovador e artístico de experiências, estimulando o protagonismo local dos milhares de trabalhadores, gestores e usuários da Atenção Básica do Brasil, e, por meio de uma linguagem livre e criativa, vem contribuir para a reflexão e constante melhoria das práticas de cuidado nas Unidades Básicas de Saúde do SUS. Para isso, providenciamos para a Mostra espaços inovadores de intercâmbio e de conhecimento, na expectativa de contribuir com a reflexão e constante melhoria nos serviços que constituem a Atenção Básica no país.

O evento se concentra em abrir a cortina e dar voz a estes trabalhadores que lá apresentarão suas experiências, mas de forma criativa. Apostamos que a produção de conhecimento pode se dar por outros caminhos para além do tradicional método científico. Estas narrativas possuem lugar estabelecido e contribuem enormemente com a reflexão sobre as práticas de saúde, mas nossa proposta é a de incentivar abordagens mais lúdicas e leves, misturar os conceitos de saúde e cultura, tornando o encontro um evento mais que especial.

Programação: A Mostra será dividida em três espaços de apresentação: Cirandas de Experiências, Dedos de Prosas e Pontos de Encontro. Nas Cirandas, serão 900 apresentações, com 20 minutos cada, durante os três dias de evento, de manhã e à tarde. Nos Dedos de Prosas, serão apresentados 480 relatos, de 10 minutos, das 17h30 às 19h30. Os Pontos serão espaços destinados à apresentação de relatos, mas também àqueles que quiserem chegar e se amostrar, proseando sobre o que viu e tem visto na IV Mostra, ou sobre sua própria experiência.

Credenciamento: Os participantes terão credenciamento iniciado no dia 12, a partir das 9h. A programação será composta de mesas; mini cursos; oficinas; os espaços de apresentações de relatos já citados, tendas Paulo Freire e Escola; Laboratório de inovações; Cine debate; Polo Academia da Saúde; programação cultural, entre outros.

Cerimônia de abertura: acontecerá às 19h do dia 12 de março e contará com a presença de trabalhadores, participantes, convidados e gestores, entre eles, o Ministro da Saúde.

Fonte: www.aids.gov.br, 27/02/2014

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Recomendado pela OMS há décadas, plano de parto ainda é desconhecido no Brasil

Não é apenas a gestante que desconhece esse direito; médicos e hospitais no país não adotam a conduta. Mas o plano de parto é tão importante que pertence à categoria prioritária de recomendações da Organização Mundial de Saúde para melhorar o nível do atendimento a mães e recém-nascidos em todo o mundo.

Autora do blog 'Dadadá' e grávida de 6 meses de Francisco, Gabriella Sallit já é mãe de João e é advogada com atuação na área de direitos reprodutivos. Foi através de um post em sua página que as atuais onze mulheres  se reuniram para divulgar o plano de parto nos hospitais de BH (Arquivo Pessoal)

Autora do blog 'Dadadá' e grávida de 6 meses de Francisco, Gabriella Sallit já é mãe de João e é advogada com atuação na área de direitos reprodutivos. Foi através de um post em sua página que as atuais onze mulheres se reuniram para divulgar o plano de parto nos hospitais de BH

Onze mulheres grávidas. Elas querem ser protagonistas do nascimento de seus filhos. Elas lutam para garantir que seus direitos sejam respeitados na hora parto. Elas não aceitam ser submetidas a práticas adotadas indiscriminadamente Brasil afora e sem nenhum respaldo científico. Elas se assustam com o índice de cesarianas praticadas por aqui: 82% na rede privada e 37% na pública - a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o índice de 15%. Elas sonham alto: querem ajudar a colocar o país no mapa daqueles que são referência em parto humanizado.

Na semana passada se reuniram e decidiram “começar do começo”. Cada uma delas formalizou o seu plano de parto e os onze documentos serão entregues nas 15 maternidades de Belo Horizonte. O objetivo é impactar essas instituições para uma conduta preconizada pela OMS desde 1986 e que está completamente esquecida por aqui. A administradora Juliana de Souza Matos, 34 anos, grávida de João Vítor, é uma delas. Como já tinha uma visita agendada na maternidade Santa Fé para conhecer a estrutura do lugar, aproveitou a oportunidade para iniciar o mutirão de entrega. “Quero protocolar o meu plano de parto, falei com a moça que me recebeu. ‘Plano de quê?’, ela me respondeu e ficou folheando as páginas sem entender do que se tratava. Ela não sabia. Então eu disse que gostaria que fossem entregues ao diretor clínico e que ele repassasse aos profissionais que fazem o atendimento às gestantes. Não senti segurança de que ela irá entregar. Só vou ter confiança se alguém do hospital fizer um contato comigo”, narra.

'Queremos mostrar que as mulheres têm desejos que têm que ser respeitados. Esse mutirão é uma tentativa de conscientizar as maternidades de que é preciso mudar não apenas as suas estruturas, mas a cabeça de médicos, enfermeiros, neonatologistas e anestesistas', deseja a mãe de João Vítor. (Arquivo Pessoal )

"Queremos mostrar que as mulheres têm desejos que têm que ser respeitados. Esse mutirão é uma tentativa de conscientizar as maternidades de que é preciso mudar não apenas as suas estruturas, mas a cabeça de médicos, enfermeiros, neonatologistas e anestesistas", deseja a mãe de João Vítor.

O desconhecimento não é exclusividade do Santa Fé ou das maternidades da capital mineira. Simplesmente não faz parte da história do pré-natal das mulheres brasileiras. “Eu acho até engraçado porque tem hospital que pensa que é alguma coisa financeira. As pessoas conhecem muito pouco. O plano de parto serve para conscientizar a mulher de que ela pode se orientar a respeito das opções existentes e definir o que ela deseja. No fundo, é um incentivo para o aumento do número de partos normais”, afirma a presidente da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOGIMIG-MG), Maria Inês de Miranda Lima.

Mas o que é, afinal? 
O documento da OMS ‘Care in Normal Birth: a practical guide’ (Atenção no parto normal: um guia prático, em tradução livre), (clique aqui e veja a versão em inglês e em espanhol) preconiza as boas práticas para o parto normal. Para se ter uma ideia da importância do plano de parto, ele é o primeiro item dos processos que a instituição considera como “claramente úteis e que devem ser encorajados”. No guia, as rotinas são hierarquizadas pela relevância em A, B, C ou D. Resumindo: o plano de parto é o item 1 da categoria A (veja).

Elaborar esse documento - que é uma lista que inclui, por exemplo, o lugar onde a mulher quer ter o bebê, quem estará presente na hora do parto, quais os procedimentos médicos que a mulher aceita e quais ela quer evitar para ela e para o bebê, a posição em que deseja parir, se ela quer se alimentar durante o trabalho de parto e até que música gostaria de ouvir – significa pensar e refletir sobre o assunto. Quando a mulher se dispõe a isso automaticamente começa a buscar informações sobre os tipos de parto e consegue optar conscientemente por aquele que considera melhor. “A paciente vai intervir até quando isso não oferecer risco para ela ou para o bebê. A função do obstetra é classificar esse risco”, lembra a presidente da SOGIMIG.

Um dado importante nesse contexto é que, ao contrário do que se pensa, a mulher brasileira, no início da gravidez, prefere o parto normal, mais de 70% delas. Ao longo do pré-natal essa vontade é minada pelos mitos fortemente consolidados para se justificar a cesariana no Brasil. O mais assustador, entre eles, é o tal do cordão enrolado no pescoço. “A insegurança e o medo são tão desproporcionais que as pessoas param de pensar: o bebê respira pelo umbigo”, fala a autora do blog Dadadá e advogada que atua na área de direitos reprodutivos, Gabriella Sallit. Foi através de um post em sua página (clique e veja) que as atuais onze mulheres – quem se interessar pode participar – se reuniram para divulgar o plano de parto nos hospitais de BH. “Queremos causar um rebuliço, fazer as pessoas pensarem sobre isso, provocar desconforto nas instituições e iniciar um diálogo”, afirma.



Violência obstétrica: plano de parto pode ser usado como prova 
Há quem desconheça – incluindo profissionais de saúde – ou mesmo quem duvide de sua existência, mas pesquisa de 2010 da Fundação Perseu Abramo mostra que uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto (clique a acesse a íntegra do documento).

Violência obstétrica é qualquer ato ou intervenção praticado sem o consentimento explícito e informado da mulher grávida, parturiente ou que deu a luz recentemente que desrespeita sua integridade física, mental, seus sentimentos, opções e preferências. O conceito internacional abrange também os direitos do bebê e, no Brasil, nem a lei do acompanhante é respeitada.

Pediatra, epidemiologista e coordenadora da Comissão Perinatal da secretaria municipal de saúde de Belo Horizonte, Sônia Lansky afirma que a lei brasileira, de 2005, contempla também o setor privado. “O acompanhante traz conforto, segurança, tranquilidade, tudo que ajuda a mulher a se sentir bem para liberar a ocitocina, hormônio que é responsável pela evolução natural do parto. Garante que a mulher vai ter acesso a tudo o que ela precisa, que ninguém vai fazer com ela o que não dever ser feito”, diz. Para ela, é uma questão de direitos humanos. “O acompanhante é quem advoga e defende mulher, é quem vai negociar as práticas e intervenções que poderão ser feitas com ela. Quando a mulher está acompanhada, ela sofre menos maus tratos. Não se pode abrir mão desse direito e ninguém pode refutá-lo sob nenhum aspecto: legal, humano e científico”, completa.


A advogada que atua na área de direitos reprodutivos, Gabriella Sallit, diz que o número de processos de violência obstétrica tem crescido no país. Isso significa que as mulheres estão tomando consciência de seus direitos e lutando contra as irregularidades. No entanto, um dos principais desafios é provar que a violência obstétrica foi praticada. Por isso, Sallit aponta o plano de parto protocolizado no hospital como uma importante ferramenta não só para garantir que os desejos da mulher serão respeitados, mas também para servir como prova em caso de processo. “O plano de parto é a chance de a mulher ter prova construída”, afirma. Mas se o hospital se negar a receber? “Notifica via cartório que a maternidade será obrigada a receber. Marque uma reunião com o diretor clínico. Não desista na primeira tentativa”, responde a especialista.

Assista ao documentário ‘Violência Obstétrica: a voz das brasileiras’:





PPP: do que se trata 
O Sistema Único de Saúde autorizou recentemente as salas de PPP (pré-parto, parto e pós-parto) para o sistema público. Esse tipo de quarto é um ambiente único onde a gestante vai ficar durante as três fases do parto, mas a ausência dessa estrutura física ainda dificulta o parto humanizado no país. Os hospitais privados também estão se organizando para oferecer essa opção às mulheres.

Em Belo Horizonte, os hospitais Sofia Feldman e o Risoleta Tolentino Neves já têm as práticas humanizadas. Uma maternidade que está sendo construída em Venda Nova terá, segundo Sônia Lansky, seis quartos individuais cada um com uma banheira. A Maternidade Odete Valadares também oferece um quarto individual para as gestantes. Outros cinco hospitais do SUS estão se adaptando à normativa de parto e nascimento. Sônia diz ainda que todos vão fazer reforma com recurso do projeto Rede Cegonha (clique e conheça). “Isso é lei, a mulher tem direito a um quarto privativo para o parto”, fala. Na rede privada, Mater Dei, Santa Fé e Unimed oferecem o PPP.



Para a coordenadora da Comissão Perinatal da secretaria municipal de saúde, do ponto de vista de um gestor de serviço, qualquer quarto de maternidade poderia se tornar um PPP para que não houvesse a necessidade de a mulher ir para um bloco cirúrgico.

Para pensar antes de se decidir
Excesso de exame de toque – no pré-natal e no trabalho de parto -, episiotomia, ocitocina artificial, ficar de jejum durante o parto, lavagem intestinal. Esses são alguns exemplos das práticas que são adotados como rotina no Brasil, mas que não existe nenhuma evidência científica que justifica a adoção desses protocolos de atendimento.

Sônia Lansky diz que o país vive um distanciamento muito grande do que é preconizado pela OMS como boas práticas da obstetrícia e da neonatologia, com evidências científicas consolidadas. “Vemos a banalização da cesariana no Brasil, 56% dos bebês nascem por uma cirurgia de extração fetal e a recomendação é muito precisa, a cesariana deveria ser exceção e o índice brasileiro estar em torno de 15%”, diz. As razões para esse número assustador são multicêntricas e vai desde à comodidade, passando pela conveniência profissional até chegar ao interesse financeiro. Segundo Sônia, a cesárea eletiva é boa para o hospital porque é uma forma de deixar tudo organizado, de manter a ocupação alta. “Ninguém questiona os indicadores do serviço, não há sequer regulação suficiente do setor público e muitas vezes a mulher atua passivamente ou é manipulada a fazer uma cesariana desnecessária, mas toda mulher e todo bebê têm direito ao acesso ao melhor do conhecimento científico atual”, afirma.

Para ela, a cultura da cesariana desconsidera os riscos de uma grande cirurgia que interfere, por exemplo, no aleitamento materno. “Bebê que nasce de cesariana tem mais chance de ter asma porque não teve contato com as bactérias do corpo da mãe, especificamente da vagina, que desencadeia um melhor sistema imunológico. Esses bebês também têm mais chance de ter doenças alérgicas, maior risco de obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares”, cita. No caso da mulher, a depressão pós-parto está associada à cesariana.

Mãe e bebê sempre juntos 
Outra prática muito comum nos hospitais brasileiros é separar mãe e bebê após o nascimento. “Há que ter uma razão muito séria para isso. Não precisa pressa para cortar o cordão umbilical. A norma é apenas secar o bebê por cima da pele. É um momento muito precioso da vida do bebê, ele está alerta, ativo, é o procedimento médico interferindo na capacidade de o bebê ver a própria mãe. A primeira hora após o nascimento é um período sensível de reconhecimento da mãe. Deixar mãe e bebê juntos é promoção de saúde, é redução de violência. Laços profundos se fazem nesse momento. O pai também se envolve e é afetado por tudo isso”, alerta Sônia Lansky.

O caminho da mudança 
Para Sônia, essa sucessão de equívocos precisa ser corrigida nas universidades e nos hospitais universitários para que o Brasil reveja seus protocolos, cada vez mais difíceis de serem justificadas diante do conhecimento científico consolidado na literatura médica. “A OMS recomenda que o parto normal transcorra em sua plena fisiologia. Qualquer intervenção precisa de justificativa. A episiotomia só é fundamentada em 12% dos casos. Ruptura de bolsa no início do trabalho de parto também é procedimento errado. O uso de métodos não farmacológicos de alívio de dor – como a bola usada no pilates, a escada de ling, banho, massagem – melhora o processo de dilatação do colo do útero sem interferência artificial. A analgesia é um procedimento que tem repercussões sobre o trabalho de parto e sobre o bebê. Antes dela, é preciso lançar mão de todas as opções naturais”, pontua. Mas por que os hospitais não providenciam esses recursos? Sônia é taxativa: “quem não oferta essas opções ocorre na violência institucional”.

Para ela, a tecnologia promove a falsa sensação de controle da situação para os médicos. “Deixar a natureza agir é contar com o inesperado, mas cabe aos profissionais de saúde perceber se a evolução do parto está adequada ou não. Em 90% dos casos, a evolução é fisiológica e o médico precisa estar lá para atuar no caso de problema. Somos treinados para intervir, para pensar que parto é morte, não temos paciência para esperar, mas se a fisiologia está prevalecendo, não há necessidade de se fazer nada”. Por isso, a figura do enfermeiro obstétrico, treinado para ser cuidador, é fundamental no modelo do parto humanizado. “Além de paciência, esse profissional tem tempo. O mundo inteiro faz isso: o parto é conduzido pelo enfermeiro obstétrico. A proposta não é substituir. O médico tem que estar para atuar quando necessário”, observa.

Para a presidente da SOGIMIG, Maria Inês de Miranda Lima, o caminho é longo, mas não impossível: “quanto mais informação, mais respeito e mais compartilhamento de decisões”.

Saúde Plena Recomenda:
No dia 11 de novembro, o documentário 'O Renascimento do Parto' será exibido em 500 salas de cinema da rede Cinemark por todo o Brasil. Em Belo Horizonte, as sessões serão no BH Shopping, às 12h e 16h20 (veja a programação). 




sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Livro sobre humanização da saúde será lançado pela Cooperativa Cultural da UFRN

A Cooperativa Cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) irá lançar nesta quinta-feira (5), às 17h, o livro 'Humanização na Estratégia Saúde da Família'. O livro da autora Rosana Lúcia Alves de Vilar é fruto de sua tese de doutorado em Ciências Sociais.

O livro aborda o importante tema da humanização, e é o 17º resultante das dissertações, teses e pesquisas realizadas no âmbito do Grupo de Pesquisa “Cultura, Política e Educação”.

De modo inovador, a tese engloba da prevenção ao tratamento de males graves. A experiência resultante dessa ação permite aprimorar continuamente a relação entre profissional da saúde e paciente. Por meio de exemplos práticos, a autora esclarece situações reais e propõe soluções para esses cenários. O livro é uma reflexão relevante sobre a humanização em campos da saúde.

Pela qualidade do texto e atualidade do tema, a obra já consta do acervo da Biblioteca Norte-Sul/ Centro de Estudos Sociais, da Universidade de Coimbra/Portugal, coordenado pelo professor Boaventura de Sousa Santos.

Fonte: Tribuna do Norte

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Haddad sanciona lei que institui parto humanizado na rede pública

O prefeito Fernando Haddad (PT) sancionou o projeto de lei que cria o parto humanizado na rede pública municipal.
 
O texto passa a valer em 180 dias a partir de sábado (9), quando a sanção foi publicada no "Diário Oficial".
 
As gestantes atendidas na rede municipal passarão a ter direito a anestesia em parto normal, quando solicitarem, e poderão optar por métodos não farmacológicos de alívio da dor, como massagens e banho quente.
 
Elas poderão ainda saber com antecedência onde darão à luz e escolher o tipo de parto e um acompanhante.
 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ESP-MG ministra ações educacionais na área da Saúde Mental


Oficina ministrada em 2012 com o tema Conceito e Experiências de Saúde do MST. 

O tema Saúde Mental é abordado em diversas ações educacionais ministradas pela Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), como Técnico de Enfermagem, Técnico em Saúde Bucal e Qualificação de Agente Comunitário de Saúde (ACS)

Conforme João André Tavares Álvares da Silva, Coordenador do Núcleo de Educação Profissional em Saúde (NEPS) da ESP-MG, no curso Técnico de Enfermagem, o tema Saúde Mental é abordado em unidades do curso, principalmente naquelas que tratam do atendimento às situações de urgência e emergência.

No Curso Técnico em Saúde Bucal o tema é abordado juntamente com o atendimento a pacientes com necessidades especiais. Na Qualificação do Agente Comunitário de Saúde (ACS), a abordagem Saúde Mental é especificamente focada nas principais patologias e suas características.

Marcelo Arinos, Referência Técnica em Saúde Mental da ESP-MG, explica que na Escola são desenvolvidos cursos que contemplam Especialização, assim como atividades voltadas para os técnicos: Residência Multiprofissional em Saúde Mental; Oficinas de Atenção a Usuários de Álcool e outras drogas no SUS; Oficina de Atenção aos Adolescentes Usuários de Drogas; Oficina de Educação Popular em Saúde Mental para populações assentadas e acampadas em projetos de reforma agrária de Minas Gerais.

A coordenadora do Núcleo de Redes de Atenção Saúde da ESP-MG, Ana Regina Machado, ainda destaca outras voltadas para o tema Saúde Mental, como a Oficina de Atenção a Usuários de Álcool e outras drogas no Sistema único de Saúde (SUS), ministrada em 2010, com o objetivo de subsidiar tecnicamente profissionais para a construção de ações relacionadas à abordagem de usuários de álcool e outras drogas nas redes de atenção do SUS-MG.

Outra ação é a Oficina de Atenção em Saúde Mental à Criança e ao Adolescente, desenvolvida em 2012, que teve a finalidade de subsidiar tecnicamente profissionais para a construção de ações em Saúde Mental da Infância e Adolescência no SUS- MG, buscando a implantação e/ou implementação de redes de cuidado nos municípios envolvidos.

Em 2012, houve a Oficina de educação popular em saúde mental para populações assentadas e acampadas em projetos de reforma agrária de Minas Gerais. Esta ação terá continuidade este ano e tem o objetivo de contribuir com o desenvolvimento de ações de promoção, prevenção e cuidado em saúde mental de populações assentados e acampados em projetos de reforma agrária em Minas Gerais, por meio da realização de duas turmas de oficina de educação popular em saúde mental envolvendo lideranças comunitárias e profissionais do Sistema Único de Saúde

Ainda este ano, será ministrada Oficina de Atenção a Adolescentes Usuários de Drogas em Unidades Socioeducativas, para subsidiar tecnicamente profissionais para a construção de ações relacionadas à abordagem de adolescentes usuários de drogas nas redes de atenção do SUS/ MG em sua interface com o Sistema Socioeducativo de Privação de Liberdade.

Fonte: ESP/MG

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Especialistas do Ministério da Saúde visitam hospitais de Juiz de Fora


Objetivo é verificar a situação da saúde mental no município, reformular e ampliar serviços

Especialistas do Ministério da Saúde visitaram hospitais de Juiz de Fora nesta sexta-feira (15). Uma proposta de reformulação do atendimento a pacientes psiquiátricos e a criação de uma rede de atenção especializada devem ser analisadas.


Os representantes vieram à cidade a convite da prefeitura, em um primeiro momento para verificar a situação da saúde mental do município. O projeto é bem maior, e tem como objetivo reformular o que já existe, ampliar serviços aos pacientes e criar uma rede de atenção especializada. Para isso será elaborado um plano de ação a curto, médio e longo prazo.

'A saúde mental em Juiz de Fora sempre foi muito focada na assistência hospitalar, e hoje nós temos recursos extra hospitalares que fazem com que, com a rede sendo bem planejada e articulada, no futuro não tenhamos mais necessidade desse recurso para internação. Nós poderemos usar, por exemplo, a internação nos hospitais clínicos, que hoje vários municípios no Brasil já utilizam', destaca o secretário municipal de saúde, José Laerte.

O trabalho já começa na próxima segunda-feira (18) com o início da realização de um censo com pacientes psiquiátricos. A estimativa é que 400 estejam internados em hospitais e clínicas da cidade. O objetivo do censo é descobrir o número real, quem são eles, se têm família, os cuidados que realmente necessitam.

O censo deve começar pelo Hospital São Domingos, que atualmente atende a 110 pacientes. Pela manhã os técnicos visitaram outros dois hospitais: o João Penido, que conta com 14 leitos para pacientes psiquiátricos, sete deles ocupados por ordem judicial, além do Ana Nery, que tem 32 leitos.

Como nenhum dos dois hospitais é credenciado, as visitas aconteceram para verificar a estrutura e avaliar a possibilidade de credenciamento. Os técnicos devem voltar à cidade outras vezes após o resultado do censo sair.

'Passou-se o tempo de acreditar que só a internação psiquiátrica resolve o problema de pacientes graves. Precisamos de uma rede mais ampla e diversificada de serviços. Esses pacientes não precisam só de internação, mas de outros tipos de atendimento, inclusive das outras áreas da medicina', ressalta o coordenador nacional de Saúde Mental, Cristopher Surjus.

Por MGTV TV Integração
de Juiz de Fora

Fonte: Mega Minas

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Atendimento em saúde mental exige educação permanente


A demanda em saúde mental é constante nos serviços de pronto atendimento

Profissionais de saúde têm pouco preparo para lidar com pacientes psiquiátricos, afirma pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP. A falta de preparo está ligada, entre outros fatores, a formação profissional pouco adequada. O estudo também detecta que as redes de serviço de saúde devem estar ligadas e com profissionais preparados para qualquer paciente.

A enfermeira Sara Pinto Barbosa realizou sua pesquisa entre maio e agosto de 2011, na Unidade Básica Distrital de Saúde (UBDS) da região oeste de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O local integra o Centro de Saúde Escola vinculado à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Nesse período, o serviço atendeu 1.893 pacientes, sendo 54 deles encaminhados para serviços de saúde mental.

O estudo analisou entrevistas com 17 profissionais de saúde que fazem parte da equipe do pronto atendimento do local — entre eles, médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem — com o objetivo de conhecer o cotidiano do atendimento em saúde mental. Além das entrevistas, realizou 90 horas de observação dos profissionais em campo de trabalho.

Segundo a pesquisadora, os usuários que haviam recorrido ao serviço apresentavam, em sua maioria, sintomas de depressão, psicose e quadros de agitação. Onze deles foram encaminhados ao Centro de Atenção Psicossocial, fato este considerado positivo,“pois demonstrou preocupação dos profissionais em encaminhar para serviços da rede de saúde mental”, observou Sara.

A fala desses profissionais é destacada pela pesquisadora. Segundo ela, a equipe do serviço relata que, no pronto atendimento, a presença de paciente psiquiátrico é rotina, que esse atendimento depende muito do médico e, mais, que a grande maioria dos casos é de dependente químico. Esses profissionais admitem, ainda, que não estão preparados para lidar com paciente psiquiátrico.

Estigma e inadequação

“A demanda em saúde mental é constante nos serviços de pronto atendimento e, com ela, a angústia por parte dos profissionais que não se sentem suficientemente capazes para atender esses pacientes”, comenta a pesquisadora. Sara afirma também que a jornada dupla dos profissionais pode prejudicar o atendimento.

No serviço estudado, apesar da frequência do atendimento psiquiátrico, não existem acomodações adequadas para os usuários em crise. Eles são colocados em salas pequenas e pouco ventiladas, mesmo com a existência de vagas em leitos mais próximos ao posto de enfermagem.

A pesquisadora notou também que apesar do atendimento inicial ser igual aos demais pacientes, há uma exclusão e um tom de preconceito e estigma por parte dos profissionais. Um dos participantes do estudo fez a seguinte afirmação sobre isso: “O paciente passa pelo acolhimento; são verificados sinais, pressão, pulso, saturação, mas eu já notei muito preconceito da equipe de enfermagem e equipe médica em relação ao paciente psiquiátrico, tem um bloqueio. Não sei se é medo do desconhecido”.

Um fator importante detectado foi, na época da coleta de dados, a presença de um médico psiquiátrico na Unidade, que ameniza a situação, comenta Sara. Ela deixou claro no estudo que os profissionais não entendem que alguns usuários procuram o serviço por ser o único disponível para atendê-lo, e não percebem a importância do vínculo entre paciente e profissional. “Isso ocorre, pois os profissionais de saúde vivenciam durante a graduação, em sua maioria, o atendimento de pacientes com transtornos mentais somente em manicômios, e falta formação adequada para realizar atendimentos de emergência nessa área” conclui.

Como sugestão de melhora, uma outra participante da pesquisa comenta que a distrital de saúde deveria ter lugar adequado, atendimento e protocolo para pacientes psiquiátricos.

A dissertação Atendimento ao paciente psiquiátrico: cotidiano de um serviço de pronto atendimento do interior do Estado de são Paulo foi orientada pela professora Maria Conceição Bernardo de Mello e Souza e defendida em agosto de 2012.

Por Da Redação - agenusp@usp.br
Camila Ruiz, da Assessoria de Imprensa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto

Fonte: USP

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Número de médicos cresce, mas distribuição continua desigual


Pesquisa aponta que DF tem quatro vezes mais profissionais que Piauí

BRASÍLIA. O número de médicos no Brasil vem crescendo nas últimas décadas, mas eles ainda estão mal distribuídos. Há uma concentração maior de profissionais nos grandes centros urbanos, nas regiões mais ricas e na rede privada de saúde. Segundo registros dos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), o número de médicos chegou a 388.015 em outubro de 2012, dois profissionais para cada 1.000 brasileiros. Essa razão era de 1,15 em 1980 e de 1,91 em 2010.

Os dados são da pesquisa "Demografia Médica no Brasil: cenários e indicadores de distribuição", do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), divulgada ontem.

De 1980 a 2012, houve um aumento de 74% na razão de médicos por habitante. A pesquisa aponta alguns fatores para isso, como a abertura de muitos cursos de Medicina. Além disso, a cada ano, há um saldo de 6 mil a 8 mil médicos a mais no mercado de trabalho (número dos que entram, descontados aqueles que deixam de exercer a profissão).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece como ideal a relação de pelo menos um médico para cada 1.000 habitantes. Nem todos os estados estão acima dessa marca. A pior situação se verifica no Maranhão, com 0,71, seguido de Pará, com 0,84, e Amapá, com 0,95. Segundo a pesquisa, esses três estados têm índices comparáveis a países africanos. O Distrito Federal é a unidade da federação com maior taxa de profissionais da área: 4,09 por 1.000 pessoas. O Rio está em segundo lugar, com 3,62, seguido de São Paulo, com 2,64. Também estão acima da média brasileira Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais.

Por região, o Norte é o lugar que proporcionalmente tem menos médicos: 1,01 para cada 1.000 habitantes. No Nordeste, a proporção é de 1,23. No Centro-Oeste são 2,05 e no Sul, 2,09. O Sudeste é a região que concentra mais médicos: 2,67 para cada 1.000 habitantes.

- O que a gente vê, é que isso (aumento do número de médicos) não beneficiou de maneira homogênea todos os cidadãos brasileiros - diz Mario Scheffer, pesquisador do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador da pesquisa. - O aumento de médicos, por si só, não vai beneficiar os locais onde há carência de médicos.

A capital que proporcionalmente tem mais médicos é Vitória: 11,61 profissionais por 1.000 habitantes, quase o quíntuplo da taxa do Espírito Santo, que é de 2,17. O fenômeno se repete em todo o país: as capitais concentram mais médicos que o interior dos estados.

A divulgação coincide com a polêmica discussão em torno da facilitação da revalidação do diploma de médicos formados no exterior, que está sendo estudada pelo governo federal e é defendida pela Frente Nacional de Prefeitos e pela Associação Brasileira de Municípios. O objetivo é atrair médicos para regiões onde há carência de profissionais.

A proposta é repudiada pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e, segundo a pesquisa do CFM e do Cremesp, não vai resolver o problema, pois tanto os médicos brasileiros quanto os estrangeiros em atuação no país seguem a tendência de se fixar nos grandes centros urbanos, longe do interior.

O estudo indica que a ideia de instalar cursos de Medicina onde há carência de médicos - defendida pelo Ministério da Educação - não atingirá seu objetivo. Segundo a pesquisa, a localização das faculdades de Medicina pouco influencia a decisão do futuro médico na hora de escolher onde vai trabalhar. De forma geral, diz o estudo, os formados optam pelo trabalho nas capitais e cidades mais ricas.

- Aí vem o governo, com suas tiradas mirabolantes, suas cartas tiradas da manga. Com efeitos cosméticos, tentam enganar, dizendo que com mais escolas e trazendo médicos de fora, o caso está resolvido. É um equívoco - criticou o presidente do CFM, Roberto d"Avila, acrescentando que é preciso estimular a carreira no sistema público e criar mecanismos que permitam sua fixação no interior.

Ao todo, 55% dos médicos estão vinculados à rede pública, mas, segundo a pesquisa, esse contingente é insuficiente para atender a demanda de 150 milhões de pessoas que dependem do SUS. Levando em conta apenas esses profissionais, há 1,11 médico para cada 1.000 habitantes que dependem do SUS, bem abaixo da média geral nacional. O Distrito Federal tem apenas 1,71 profissional por 1.000 habitantes quando desconsiderados os médicos da rede privada.

Quanto aos médicos formados no exterior, a pesquisa mostra que há 7.284 em atuação no Brasil, dos quais 65% são brasileiros que saíram do país para estudar. Em seguida, vêm os bolivianos, peruanos, colombianos, cubanos e argentinos. A média de idade é de 43 anos, contra os 46 anos da média nacional, e 80% não têm título em nenhuma especialidade. São Paulo é a cidade que concentra o maior número de profissionais formados fora do Brasil.

19/02/2013 – 13:52  —  Fonte: Jornal O Globo RJ

Fonte de retirada do Blog: CRM-MG

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Humanização é realidade no Hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte


Um detalhe chama a atenção de quem circula por qualquer um dos dois Centros de Parto Normal do Hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte: os quartos foram batizados com nomes de personalidades femininas importantes da história mineira e nacional, como Dona Beija, Chica da Silva e Adélia Prado. A homenagem é coerente com a filosofia de atendimento humanizado dessa maternidade de grande porte, em que se incentiva o protagonismo da mulher no parto.

Por várias razões, a experiência desse hospital na atenção ao parto e nascimento é referência nacional em atenção humanizada e boas práticas. Muitas das características da ambiência hospitalar e da dinâmica de trabalho aparecem como recomendações do programa Rede Cegonha do Ministério da Saúde. O recém-inaugurado Centro de Parto Normal Helena Greco (nas dependências do prédio principal) conta com cinco quartos espaçosos e iluminados e três com banheiras para parto na água. E o Centro de Parto Normal David Capistrano da Costa Filho (com entrada independente), criado em 2001 e conhecido como Casa de 

Parto, conta também com cinco quartos, um com banheira.
Mesmo sendo referência para alta complexidade em todo o estado de Minas Gerais, a taxa de cesariana no Sofia Feldman é de cerca de 25%, menor do que a da rede pública como um todo. O hospital apresenta também as menores taxas de mortalidade materna e neonatal de Belo Horizonte, segundo informações da Comissão Perinatal da Secretaria Municipal de Saúde. Dos mais de 7 mil bebês que nascem ali, cerca de 10% nascem na Casa de Parto.

Os partos feitos ali são assistidos por enfermeiras obstétricas, como Nágela Cristine Pinheiro Santos, que está há 16 anos no Sofia Feldman e ajudou a elaborar o projeto do espaço e a desenvolver dispositivos para dar mais conforto à mulher, como um arco de metal adaptado à cama, que facilita a posição de cócoras. “A Casa de Parto Normal dá à mulher poder de decidir o que quer na hora do parto, como em que posição ficar”, diz Nágela, que esteve em maternidades da região Nordeste e da Amazônia Legal para difundir suas experiências por meio do Programa de Qualificação das Maternidades (PQM) e, em fevereiro, participou de um seminário de humanização no Camboja. “Medidas simples como um chuveiro quente ou uma cortina separando leitos em uma enfermaria conjunta dão resultado imediato de mais conforto e privacidade”, conta. Ela lembra, porém, que a humanização é mais do que o ambiente confortável. “A instituição como um todo precisa entender e incorporar a humanização”.

O diretor administrativo do hospital, Ivo Oliveira Lopes, concorda. “Alguns direitos, para serem garantidos, não demandam recursos. Nós, gestores, temos o dever de preservá-los. O parto é da mulher, não um ato médico. Assistir o parto não é tomar o lugar da mulher, e o enfermeiro obstétrico, ao lado de todos os outros profissionais, é fundamental”, considera. “A tecnologia que chega é muito bem-vinda, mas para quem tem necessidade real, não por uma necessidade mercantilista”, reforça o médico, que destaca o reconhecimento obtido pelo Sofia como Hospital Amigo da Criança, conferido pelo Unicef, e o Prêmio Maternidade Segura, recebido da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Segundo ele, os bons resultados são devidos principalmente à participação da comunidade. “A gestão participativa determina os rumos da humanização”, explica ele, acrescentando que esse aspecto esteve presente no hospital desde o início de sua história. Construído em sistema de mutirão por voluntários da comunidade a partir da doação de um lote para uma sociedade beneficente, o Sofia Feldman foi inaugurado, ainda como ambulatório, em 1977, passando a atender como hospital em 1982.

Em 1988, a entidade mantenedora passou a ser a Fundação de Assistência Integral à Saúde (Fais). Hoje, é uma instituição pública, não governamental, que atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As questões administrativas do hospital são definidas e decididas pelo colegiado diretor, composto por 16 pessoas de diferentes perfis profissionais. 

Todos os dias, são promovidas reuniões com parturientes e acompanhantes para avaliar o atendimento. “Queremos entender a singularidade de cada ser humano e da sua rede social. Oferecer atendimento baseado em evidências científicas é o mínimo”, explica Ivo, para quem a humanização passa também pelas relações entre trabalhadores e gestores. “Mulheres são 80% das nossas trabalhadoras, por isso as questões de gênero estão ainda mais presentes”, diz. O Sofia dispõe de academia e creche para as funcionárias, e promove ações de comunicação e eventos de integração entre a família do trabalhador e o hospital.
Há ainda o Núcleo de Terapias Integrativas e Complementares, que atende tanto funcionários quanto gestantes e mães com bebês internados, com práticas da medicina tradicional, como escalda-pés e auriculoterapia. A enfermeira Lília Coelho Lopes está à frente do núcleo e trabalha com uma equipe de voluntárias. “O objetivo é estimular os processos de cura internos. É um trabalho coadjuvante ao da alopatia, que representa o acolhimento e diminui a ansiedade das gestantes”, diz Lília.

Manejo conservador
Com 40% da mulheres provenientes do interior do estado, o Sofia precisou desenvolver iniciativas criativas para atendê-las, que foram incorporadas ao modelo de gestão do hospital. A Casa da Gestante Zilda Arns recebe gestantes com agravos em um espaço próximo ao hospital, evitando viagens desgastantes de ida e volta para casa para aqueles que moram distante do hospital, e até partos antecipados. Já a Casa de Sofias acolhe mães que vêm de longe e têm filhos internados na UTI neonatal. Criadas por iniciativa dos gestores, passaram a ser financiadas pelo Ministério da Saúde através da adesão ao programa Rede Cegonha.

“Para um prematuro, ficar quatro semanas a mais dentro do útero significa viver ou morrer”, explica a pediatra Raquel Aparecida Lima de Paula, responsável pela área de neonatologia do hospital, que reforça a importância do manejo conservador das gestações de risco. “A política pública mais eficaz consegue reduzir os gastos com atenção terciária. De modo geral, a família tem excesso de confiança na tecnologia, mas a melhor incubadora é o útero da mãe. Historicamente há uma inversão, com muitos recursos para a atenção terciária, como construção de UTIs neonatais. Os equipamentos são caros e não resolvem a questão principal”, comenta a médica.

Raquel aponta como um dos pontos positivos do Rede Cegonha a correção das distorções da tabela de procedimentos obstétricos e neonatais. Ela acredita que o programa pode representar uma inflexão no modelo de assistência e “começa a inverter essa lógica de assistência da obstetrícia e da neonatologia. É como se o que nós idealizamos aqui pudéssemos ver no Brasil inteiro”.    



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