Mostrando postagens com marcador negligência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador negligência. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de julho de 2014

25 de Julho: toda mulher negra é um quilombo



Por Jarid Arraes

Tereza de Benguela foi uma mulher negra guerreira, líder do quilombo de Quariterê, em Cuiabá. Nessa sexta-feira, ela é símbolo do 25 de Julho, Dia da Mulher Negra no Brasil; no entanto, é necessário muito ímpeto de pesquisa para conhecer mais a seu respeito, já que sua história foi completamente ignorada e apagada. Embora neste ano o reconhecimento oficial finalmente tenha chegado, no final das contas, Tereza ainda é mais uma mulher negra negligenciada pela história brasileira.
A história das mulheres negras no Brasil nunca foi dignamente contada: para a maioria das crianças e jovens negras, há pouca esperança de que aprendam sobre figuras femininas negras em quem possam se espelhar. Mas não por falta de referências reais – pois, à exemplo de Tereza de Benguela, existiram e ainda existem muitas -, e sim porque o racismo brasileiro encontra na misoginia um mecanismo eficiente de silenciamento, tentando varrer para debaixo do tapete as vivências inspiradoras de tantas corajosas guerreiras negras.
Apesar de tudo, a história da vida de Tereza de Benguela resiste ao tempo, mesmo com o racismo e o machismo, sobrevivendo devido ao esforço incansável de centenas de jovens negras, que buscam por ícones feministas além das intelectuais da Europa e outras mulheres com as quais nem sempre conseguem se identificar. A persistência de Tereza não se deixa ser sufocada nem mesmo por toda a força colonizadora escravocrata que perdura até hoje: as mulheres negras do passado e do presente existem e permanecem lutando para transformar a realidade.
Nesse sentido, o dia 25 de Julho não é somente uma data oficial para que uma líder quilombola seja lembrada; é também um dia para que as próprias batalhas travadas pelas mulheres negras de hoje sejam expostas. Cada mulher negra que se mantém caminhando e enfrenta o racismo e o machismo em sua rotina diária é também um ícone de força e celebração da negritude.
Independente dos meios pelos quais atuem, toda mulher negra brasileira é uma fortaleza. Seja na preservação de seus ritos religiosos, no trabalho árduo que provê o sustento da família, na coragem de não se calar ou no esforço para transpor as barreiras na direção de uma vida melhor, todas essas mulheres são Tereza de Benguela – bravas líderes da revolução cotidiana.
O dia 25 de Julho é, afinal, um dia de luta. Toda mulher negra é um quilombo.
Fonte: Geledés

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Negligência que faz mal à saúde



Dentro do conjunto de doenças tropicais, pode-se localizar um subconjunto de doenças infecciosas e não infecciosas, chamadas de doenças negligenciadas ou doenças de populações negligenciadas. Elas ocupam lugar secundário nas agendas nacionais e internacionais de saúde e são alvo de desinteresse das indústrias farmacêuticas que não desenvolvem produtos para um mercado que não pode pagar por eles. 

Esse conjunto de doenças afeta pessoas pobres, marginalizadas, em desvantagem e com pouca visibilidade e voz política. Recebem baixo investimento em pesquisa, o que, por sua vez, não reverte em medicamentos, testes diagnósticos e vacinas para sua prevenção e controle. Elas não só prevalecem em condições de pobreza como contribuem para a manutenção do quadro de desigualdade, já que representam forte entrave ao desenvolvimento dos países. As medidas preventivas e o tratamento para algumas delas são conhecidos, e, em alguns casos, relativamente baratos, mas ainda assim não estão disponíveis nas áreas mais pobres. 

As doenças negligenciadas afetam pessoas que vivem nos trópicos, mas não são a eles exclusivas. Por conta da migração das populações, algumas doenças antes restritas aos trópicos passaram a ocorrer também em ambientes não tropicais. O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Carlos Costa, cita como exemplo a doença de Chagas, enfermidade que saiu da América Latina para os Estados Unidos e países da Europa, e a anemia falciforme, doença não infecciosa antes restrita à África e hoje encontrada em países localizados para além dos trópicos e que já recebe grande investimento em pesquisa nos Estados Unidos.

Com base no aporte de recursos internacionais, a OMS lista 17 doenças negligenciadas em todo o mundo (ver box abaixo), algumas inexistentes no Brasil. Desse rol estão excluídas malária e tuberculose, para as quais, segundo a organização, vêm sendo destinados recursos. O Brasil cujo investimento em pesquisa é, em sua maior parte, público, inclui malária e tuberculose entre as sete prioridades que estabeleceu no Programa de Pesquisa e Desenvolvimento em Doenças Negligenciadas, do Ministério da Saúde — ao lado de dengue, doença de Chagas, leishmaniose, esquistossomose e hanseníase.  

Carlos Costa vê espaço para o Brasil assumir a liderança mundial, na produção de insumos biológicos, avanço em biotecnologia e descoberta de fármacos e vacinas, necessitando, para isso, melhorar a quantidade e a qualidade de sua produção científica e tecnológica e investir nas doenças negligenciadas como agenda prioritária.

Segundo a OMS, há 149 países e territórios no mundo, nos quais há pelo menos uma doença negligenciada endêmica (o número pode chegar a seis doenças). 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...