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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Fapemig apoiará projetos de extensão que mantêm interface com a pesquisa

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) lançou este mês edital para apoiar financeiramente projetos de extensão que estabelecem correlações com as áreas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

As propostas devem ser apresentadas até 16 de abril sob a forma de projeto de extensão e submetidas, obrigatoriamente, em versão eletrônica no aplicativo Everest, disponível nesta página.

Segundo organizadores, o edital financiará projetos de extensão a serem executados em Minas Gerais e que tenham a finalidade de fortalecer a ação transformadora da pesquisa sobre problemas sociais.

O valor máximo por proposta a ser apoiada pela Fapemig é de R$ 50 mil, recurso que poderá ser usado na compra de equipamentos, de materiais de consumo, de serviços de terceiros, de softwares, de material de divulgação e no pagamento de bolsas nas modalidades de Iniciação Científica e Tecnológica (BIC), Apoio Técnico à Pesquisa ( BAT), Desenvolvimento Tecnológico Industrial (BDTI) e Especialista Visitante (EV, dentre outros benefícios. O edital está disponível neste arquivo.

O coordenador e proponente do projeto deve ser docente da instituição, possuir formação em doutorado, apresentar currículo atualizado na Plataforma Lattes e estar cadastrado no sistema Everest da Fapemig.

Além disso, sua experiência acadêmica deve ser compatível com o tema da proposta de extensão. A atualização do currículo Lattes é necessária também para os membros da equipe, que preferencialmente deve ser caracterizada como Grupo Extensionista de Pesquisa.

O resultado da seleção será publicado no Diário Oficial do Estado de Minas Gerais e em forma de extrato na página da Fapemig.

(Com Assessoria de Comunicação da Pró-Reitoria de Extensão)

Fonte: UFMG Online

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Especialistas do Ministério da Saúde visitam hospitais de Juiz de Fora


Objetivo é verificar a situação da saúde mental no município, reformular e ampliar serviços

Especialistas do Ministério da Saúde visitaram hospitais de Juiz de Fora nesta sexta-feira (15). Uma proposta de reformulação do atendimento a pacientes psiquiátricos e a criação de uma rede de atenção especializada devem ser analisadas.


Os representantes vieram à cidade a convite da prefeitura, em um primeiro momento para verificar a situação da saúde mental do município. O projeto é bem maior, e tem como objetivo reformular o que já existe, ampliar serviços aos pacientes e criar uma rede de atenção especializada. Para isso será elaborado um plano de ação a curto, médio e longo prazo.

'A saúde mental em Juiz de Fora sempre foi muito focada na assistência hospitalar, e hoje nós temos recursos extra hospitalares que fazem com que, com a rede sendo bem planejada e articulada, no futuro não tenhamos mais necessidade desse recurso para internação. Nós poderemos usar, por exemplo, a internação nos hospitais clínicos, que hoje vários municípios no Brasil já utilizam', destaca o secretário municipal de saúde, José Laerte.

O trabalho já começa na próxima segunda-feira (18) com o início da realização de um censo com pacientes psiquiátricos. A estimativa é que 400 estejam internados em hospitais e clínicas da cidade. O objetivo do censo é descobrir o número real, quem são eles, se têm família, os cuidados que realmente necessitam.

O censo deve começar pelo Hospital São Domingos, que atualmente atende a 110 pacientes. Pela manhã os técnicos visitaram outros dois hospitais: o João Penido, que conta com 14 leitos para pacientes psiquiátricos, sete deles ocupados por ordem judicial, além do Ana Nery, que tem 32 leitos.

Como nenhum dos dois hospitais é credenciado, as visitas aconteceram para verificar a estrutura e avaliar a possibilidade de credenciamento. Os técnicos devem voltar à cidade outras vezes após o resultado do censo sair.

'Passou-se o tempo de acreditar que só a internação psiquiátrica resolve o problema de pacientes graves. Precisamos de uma rede mais ampla e diversificada de serviços. Esses pacientes não precisam só de internação, mas de outros tipos de atendimento, inclusive das outras áreas da medicina', ressalta o coordenador nacional de Saúde Mental, Cristopher Surjus.

Por MGTV TV Integração
de Juiz de Fora

Fonte: Mega Minas

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Atendimento em saúde mental exige educação permanente


A demanda em saúde mental é constante nos serviços de pronto atendimento

Profissionais de saúde têm pouco preparo para lidar com pacientes psiquiátricos, afirma pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP. A falta de preparo está ligada, entre outros fatores, a formação profissional pouco adequada. O estudo também detecta que as redes de serviço de saúde devem estar ligadas e com profissionais preparados para qualquer paciente.

A enfermeira Sara Pinto Barbosa realizou sua pesquisa entre maio e agosto de 2011, na Unidade Básica Distrital de Saúde (UBDS) da região oeste de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O local integra o Centro de Saúde Escola vinculado à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Nesse período, o serviço atendeu 1.893 pacientes, sendo 54 deles encaminhados para serviços de saúde mental.

O estudo analisou entrevistas com 17 profissionais de saúde que fazem parte da equipe do pronto atendimento do local — entre eles, médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem — com o objetivo de conhecer o cotidiano do atendimento em saúde mental. Além das entrevistas, realizou 90 horas de observação dos profissionais em campo de trabalho.

Segundo a pesquisadora, os usuários que haviam recorrido ao serviço apresentavam, em sua maioria, sintomas de depressão, psicose e quadros de agitação. Onze deles foram encaminhados ao Centro de Atenção Psicossocial, fato este considerado positivo,“pois demonstrou preocupação dos profissionais em encaminhar para serviços da rede de saúde mental”, observou Sara.

A fala desses profissionais é destacada pela pesquisadora. Segundo ela, a equipe do serviço relata que, no pronto atendimento, a presença de paciente psiquiátrico é rotina, que esse atendimento depende muito do médico e, mais, que a grande maioria dos casos é de dependente químico. Esses profissionais admitem, ainda, que não estão preparados para lidar com paciente psiquiátrico.

Estigma e inadequação

“A demanda em saúde mental é constante nos serviços de pronto atendimento e, com ela, a angústia por parte dos profissionais que não se sentem suficientemente capazes para atender esses pacientes”, comenta a pesquisadora. Sara afirma também que a jornada dupla dos profissionais pode prejudicar o atendimento.

No serviço estudado, apesar da frequência do atendimento psiquiátrico, não existem acomodações adequadas para os usuários em crise. Eles são colocados em salas pequenas e pouco ventiladas, mesmo com a existência de vagas em leitos mais próximos ao posto de enfermagem.

A pesquisadora notou também que apesar do atendimento inicial ser igual aos demais pacientes, há uma exclusão e um tom de preconceito e estigma por parte dos profissionais. Um dos participantes do estudo fez a seguinte afirmação sobre isso: “O paciente passa pelo acolhimento; são verificados sinais, pressão, pulso, saturação, mas eu já notei muito preconceito da equipe de enfermagem e equipe médica em relação ao paciente psiquiátrico, tem um bloqueio. Não sei se é medo do desconhecido”.

Um fator importante detectado foi, na época da coleta de dados, a presença de um médico psiquiátrico na Unidade, que ameniza a situação, comenta Sara. Ela deixou claro no estudo que os profissionais não entendem que alguns usuários procuram o serviço por ser o único disponível para atendê-lo, e não percebem a importância do vínculo entre paciente e profissional. “Isso ocorre, pois os profissionais de saúde vivenciam durante a graduação, em sua maioria, o atendimento de pacientes com transtornos mentais somente em manicômios, e falta formação adequada para realizar atendimentos de emergência nessa área” conclui.

Como sugestão de melhora, uma outra participante da pesquisa comenta que a distrital de saúde deveria ter lugar adequado, atendimento e protocolo para pacientes psiquiátricos.

A dissertação Atendimento ao paciente psiquiátrico: cotidiano de um serviço de pronto atendimento do interior do Estado de são Paulo foi orientada pela professora Maria Conceição Bernardo de Mello e Souza e defendida em agosto de 2012.

Por Da Redação - agenusp@usp.br
Camila Ruiz, da Assessoria de Imprensa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto

Fonte: USP

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Número de médicos cresce, mas distribuição continua desigual


Pesquisa aponta que DF tem quatro vezes mais profissionais que Piauí

BRASÍLIA. O número de médicos no Brasil vem crescendo nas últimas décadas, mas eles ainda estão mal distribuídos. Há uma concentração maior de profissionais nos grandes centros urbanos, nas regiões mais ricas e na rede privada de saúde. Segundo registros dos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), o número de médicos chegou a 388.015 em outubro de 2012, dois profissionais para cada 1.000 brasileiros. Essa razão era de 1,15 em 1980 e de 1,91 em 2010.

Os dados são da pesquisa "Demografia Médica no Brasil: cenários e indicadores de distribuição", do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), divulgada ontem.

De 1980 a 2012, houve um aumento de 74% na razão de médicos por habitante. A pesquisa aponta alguns fatores para isso, como a abertura de muitos cursos de Medicina. Além disso, a cada ano, há um saldo de 6 mil a 8 mil médicos a mais no mercado de trabalho (número dos que entram, descontados aqueles que deixam de exercer a profissão).

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece como ideal a relação de pelo menos um médico para cada 1.000 habitantes. Nem todos os estados estão acima dessa marca. A pior situação se verifica no Maranhão, com 0,71, seguido de Pará, com 0,84, e Amapá, com 0,95. Segundo a pesquisa, esses três estados têm índices comparáveis a países africanos. O Distrito Federal é a unidade da federação com maior taxa de profissionais da área: 4,09 por 1.000 pessoas. O Rio está em segundo lugar, com 3,62, seguido de São Paulo, com 2,64. Também estão acima da média brasileira Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais.

Por região, o Norte é o lugar que proporcionalmente tem menos médicos: 1,01 para cada 1.000 habitantes. No Nordeste, a proporção é de 1,23. No Centro-Oeste são 2,05 e no Sul, 2,09. O Sudeste é a região que concentra mais médicos: 2,67 para cada 1.000 habitantes.

- O que a gente vê, é que isso (aumento do número de médicos) não beneficiou de maneira homogênea todos os cidadãos brasileiros - diz Mario Scheffer, pesquisador do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador da pesquisa. - O aumento de médicos, por si só, não vai beneficiar os locais onde há carência de médicos.

A capital que proporcionalmente tem mais médicos é Vitória: 11,61 profissionais por 1.000 habitantes, quase o quíntuplo da taxa do Espírito Santo, que é de 2,17. O fenômeno se repete em todo o país: as capitais concentram mais médicos que o interior dos estados.

A divulgação coincide com a polêmica discussão em torno da facilitação da revalidação do diploma de médicos formados no exterior, que está sendo estudada pelo governo federal e é defendida pela Frente Nacional de Prefeitos e pela Associação Brasileira de Municípios. O objetivo é atrair médicos para regiões onde há carência de profissionais.

A proposta é repudiada pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e, segundo a pesquisa do CFM e do Cremesp, não vai resolver o problema, pois tanto os médicos brasileiros quanto os estrangeiros em atuação no país seguem a tendência de se fixar nos grandes centros urbanos, longe do interior.

O estudo indica que a ideia de instalar cursos de Medicina onde há carência de médicos - defendida pelo Ministério da Educação - não atingirá seu objetivo. Segundo a pesquisa, a localização das faculdades de Medicina pouco influencia a decisão do futuro médico na hora de escolher onde vai trabalhar. De forma geral, diz o estudo, os formados optam pelo trabalho nas capitais e cidades mais ricas.

- Aí vem o governo, com suas tiradas mirabolantes, suas cartas tiradas da manga. Com efeitos cosméticos, tentam enganar, dizendo que com mais escolas e trazendo médicos de fora, o caso está resolvido. É um equívoco - criticou o presidente do CFM, Roberto d"Avila, acrescentando que é preciso estimular a carreira no sistema público e criar mecanismos que permitam sua fixação no interior.

Ao todo, 55% dos médicos estão vinculados à rede pública, mas, segundo a pesquisa, esse contingente é insuficiente para atender a demanda de 150 milhões de pessoas que dependem do SUS. Levando em conta apenas esses profissionais, há 1,11 médico para cada 1.000 habitantes que dependem do SUS, bem abaixo da média geral nacional. O Distrito Federal tem apenas 1,71 profissional por 1.000 habitantes quando desconsiderados os médicos da rede privada.

Quanto aos médicos formados no exterior, a pesquisa mostra que há 7.284 em atuação no Brasil, dos quais 65% são brasileiros que saíram do país para estudar. Em seguida, vêm os bolivianos, peruanos, colombianos, cubanos e argentinos. A média de idade é de 43 anos, contra os 46 anos da média nacional, e 80% não têm título em nenhuma especialidade. São Paulo é a cidade que concentra o maior número de profissionais formados fora do Brasil.

19/02/2013 – 13:52  —  Fonte: Jornal O Globo RJ

Fonte de retirada do Blog: CRM-MG

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Ausência de negros nas esferas decisórias leva à falta de políticas públicas específicas


Rio de Janeiro – A baixa representatividade da população negra nas esferas de poder leva ao círculo vicioso da falta de acesso a esses postos e também à dificuldade de evolução na escala social.

Para o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcelo Paixão, coordenador do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Sociais (Laeser) do Instituto de Economia (IE), quando uma pessoa de pele escura evolui na escala social, mais barreiras ele tem para desfrutar da condição conquistada.

Ele lembra que não se pode deixar de lado o fato de que as práticas sociais existentes, independentemente das condições econômicas, não favorecem a mobilidade social ascendente da população negra. “Porque no Brasil houve uma espécie de consenso de que as melhores posições deveriam ser ocupadas por um determinado grupo de cor e um determinado grupo de sexo. E que as outras funções sociais de menor destaque, as mais precárias, essas sim, poderiam ser exercidas por pessoas negras.

Na opinião do professor, não pode ser acaso que entre cantores e jogadores de futebol se encontrem tantos negros de destaque e em funções como na Confederação Nacional da Indústria e no Congresso Nacional não haja quase nenhum. “A abolição se deu há mais de 100 anos, já teria dado tempo de uma mudança ter se processado no país, se não existissem essas outras barreiras”.

A assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Eliana Graça, lembra que essa dificuldade de acesso dos negros à estrutura de poder leva à falta de discussão da pauta política racial.

“Os direitos e os interesses da população negra não conseguem chegar na estrutura de poder. A crença nossa é que você tendo essas pessoas ocupando espaços de poder, elas têm condições de [atender] as necessidades dessa população. Não tem um olhar com esse corte específico, quer dizer, a pauta política, de uma maneira geral, não atende a população negra, porque você não tem pessoas que defendam essa pauta”.

A deputada federal Benedita da Silva vai além. Para ela, a exclusão prejudica o desenvolvimento de todo o país.

“Como você perde um segmento que tem uma cultura forte, expressiva no campo da economia, da política, da ciência, da tecnologia. Os negros que vieram [para o país durante a escravidão] não eram analfabetos, como tentam passar historicamente. Tinham conhecimento [e havia entre eles alguns que eram] até reis e rainhas nos seus países respectivos, com sua língua, suas tradições”.

Para Benedita, a representação racial na política tem melhorado, mas ainda esta muito longe do que seria ideal. Ela acredita que o negro está brigando mais para conquistar mais espaço, mas ainda está muito aquém dessa representação.

“Você ainda pode dizer: fulano está ali, sicrano está lá. É uma conquista, não deixa de ser, mas você ainda pode [contar essas pessoas] nos dedos das mãos. O que nós buscamos é que daqui a um pouco mais seja uma coisa tão natural que não dê para [contar].”

Para a secretária de políticas de ações afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Ângela Nascimento, a dificuldade começa com a falta de acesso a diversos mecanismos que facilitam a entrada no poder político, como o ensino superior.

“Na vida da população negra o acesso ao ensino superior foi mais difícil. Essa realidade começa a ser mudada com a política de cotas. O acesso a determinadas oportunidades de cargos públicos também foi mais difícil, tem sido ainda mais difícil para a população negra”.

Ângela diz que a expectativa com a lei de cotas, que passa a ser agora para todas as universidades e institutos federais, aumente mais a participação da juventude que está acessando a universidade a outros cargos, “inclusive ao poder político”.

Segundo dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de pretos que frequentavam o ensino superior subiu de 2,3% no ano 2000 para 8,4% em 2010. Entre os pardos, o número passou de 2,2% para 6,7%.

Edição: Tereza Barbosa


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

TSE poderá ter estatística sobre raça e cor de candidatos nas eleições de 2014


Rio de Janeiro – O Tribunal Superior Eleitoral não tem estatísticas sobre o número de negros na política brasileira, nem políticos eleitos nem candidatos. A dificuldade para levantar o dado é que a autodeclaração de raça/cor, já incluída pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo e na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, não entra na ficha de registro das candidaturas.

Depois de questionamento da Agência Brasil sobre o levantamento e a falta de dados, o tribunal informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o grupo responsável pela avaliação das últimas eleições passou a considerar a inclusão do item raça/cor no processo eleitoral.

O TSE informou que depois de uma eleição inicia os preparativos para a próxima com uma série de avaliações das práticas que devem ser mantidas e as que podem ser aprimoradas. Segundo o tribunal, a sugestão de agregar ao sistema de registro de candidaturas a opção para o candidato declarar a sua cor foi encaminhada ao grupo de estatística, que está analisando a viabilidade e o formato da produção desse dado para as Eleições 2014.

A assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Eliana Graça, diz que a entidade tentou implantar a medida por meio de articulação no Congresso Nacional, mas não obteve sucesso.

“É uma batalha [nossa de] um bom tempo, tentando convencer os parlamentares de que isso tinha que entrar na minirreforma política de 2009, [na qual foram feitas] algumas proibições, se regulamentou alguma coisa das campanhas. Uma das coisas que nós queríamos naquela época era que constasse na lei a obrigatoriedade, na hora da inscrição do candidato, da autodeclaração de cor/raça”.

De acordo com ela, a negativa demostra o preconceito existente no parlamento brasileiro. Eliana disse que os parlamentares não aceitaram a sugestão “porque têm medo que aparece uma cota”, da mesma forma que tem a cota para mulheres.Segundo ela, os parlamentares foram taxativos: “não, esse negócio de botar na ficha, daqui a pouco vem uma cota”.Eliana acredita que isso “é o receio, o medo mesmo que o pessoal tem, de você mudar o perfil do parlamento”.

Para o coordenador do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Sociais (Laeser) do Instituto de Economia (IE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcelo Paixão, conhecer a atual situação dos negros na política é fundamental para aumentar a participação deles nas esferas decisórias do país.

“É necessário mapear não apenas quem são os eleitos, mas quem não foi eleito, quem está disputando, desde o partido nanico até o partido grandão”. Paixão acredita que seria necessário cruzar a cor das pessoas com a sua condição econômica, para saber de que forma isso tem peso na possibilidade de eleger-se. Quer dizer, a gente tem uma agenda pela frente, mas sem informação, estatística confiável, fica difícil. Por isso a gente acha que ajudaria se o TSE [informasse] a cor do candidato, como o IBGE já faz em toda pesquisa demográfica”.

Paixão é um dos organizadores do Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, que fez um levantamento em 2007 sobre o número de negros no Congresso Nacional, com base no registro fotográfico.

A deputada federal Benedita da Silva reforça a necessidade de mapear a situação étnica em todas as esferas do país. Para ela, essa é uma forma de identificar as etnias no país. “É fundamental para nós”. Benedita defende que em todos os registros dos cidadãos deveriam constar a informação sobre a cor. “Eu até apresentei um projeto nessa direção, não só [no que diz respeito às] cotas nas universidades, mas que o quesito cor esteja em todo e qualquer registro que a pessoa tenha que fazer”.

A secretária de políticas de ações afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Ângela Nascimento, diz que é um pedido do órgão que todos os formulários usados  pelo governo federal passem a incorporar informações sobre raça/cor e que para se estenda essa prática ao Legislativo e ao Judiciário.

Para Ângela, será fundamental que o Tribunal Superior Eleitoral incorpore os dados sobre raça/cor em todos os seus formulários, já que uma dificuldade que da Seppir encontra hoje no campo da pesquisa é saber o percentual de negros no poder político, no Legislativo, principalmente.

Ângela destaca que a participação de pretos e pardos nas candidaturas tem que vir da sociedade, no momento em que reconhece a importância dos negros para o país. Para ela, essa participação vai garantir a incorporação de ações afirmativas que vão contribuir para diminuir as desigualdades no país.

Edição: Tereza Barbosa// Matéria atualizada às 11h12 do dia 21/01/2013 para adequação do título. Foi trocada a expressão passará por poderá


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Representação no Congresso não corresponde à proporção de negros na população


Rio de Janeiro – Enquanto no Brasil a proporção de negros na população ultrapassa os 50%, entre pretos e pardos, na Câmara dos Deputados a proporção fica em 8,9%, com 46 dos 513 representantes do povo. Apesar de ruim, o quadro melhorou nas últimas décadas.


De acordo com o primeiro Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, publicado em 2008, na legislatura de 1983 a 1987 havia apenas quatro deputados negros. O número passou para 10 de 1987 a 1991, para 16 entre 1991e 1995 e caiu para 15 entre 1995 e 1998. O levantamento feito com base nos empossados em janeiro de 2007 mostra 11 deputados pretos, dos quais uma mulher, e 35 pardos, com duas mulheres. A publicação ressalta que 8,9% dos deputados eram negros, quando a proporção na população em 2006 era 49,5%.

No Senado, de 1987 a 1994 o único representante negro foi Nelson Carneiro. De 1994 a 1998 assumiu o mandato Abdias Nascimento e, de 1995 a 2002, a casa contou com Benedita da Silva e Marina Silva, as primeiras senadoras afrodescendentes do Brasil. Em 2007, haviam quatro senadores pardos e um preto. Na legislatura atual, entre os 81 senadores, o único que se autodeclara negro é Paulo Paim.

Um dos organizadores do relatório, o coordenador do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Sociais (Laeser) do Instituto de Economia (IE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcelo Paixão, explica que a análise apresentada no relatório foi feita com base em registro fotográfico, mas que não houve qualquer contestação ao método ou ao resultado.

“Não há contestação ao fato de que 92% do Congresso Nacional são formados por pessoas de pele clara, isso é uma coisa óbvia, você olha do alto do plenário do Congresso e vê os que estão lá presentes”. De acordo com ele, esse levantamento não foi feito na publicação seguinte, lançada em 2011, mas a realidade não mudou muito nesse período.

“Talvez não me surpreenderia se a realidade mostrada em 2008 tenha ficado ainda pior. A gente está começando a ter uma carência no Brasil de personalidades negras com capacidade efetiva de se eleger, de terem mais espaço na cena pública, com maior visibilidade. Nomes como Paim, Vicentinho, Benedita, todos recuaram muito. Veio a figura do Joaquim Barbosa, mas em outro eixo, uma outra forma, não dá para comparar muito o contexto. Então, a realidade descrita ali [no relatório] continua válida”.

De acordo com a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), atualmente há 30 negros na Câmara. Para ela, o problema atual da baixa representação vem de um processo histórico que começou com a escravidão.

“Mas isso não é uma coisa que a gente possa construir facilmente. Tem todo um processo que nós entendemos como sendo fatores que implicaram a pouca presença da comunidade negra, principalmente nesses espaços políticos, que são espaços de decisões e, sendo [assim], não são espaços caracterizados para negros ou afrodescendentes”.

Ela lembra das lutas desde Zumbi dos Palmares, a Revolta da Chibata, a dos Alfaiates e movimentos abolicionistas que levaram, pouco a pouco, à conquista de espaço.

“Hoje, na República, por exemplo, nós vamos encontrar o negro não só lutando por sua cultura, por sua identidade, mas por um espaço mais de poder, mais de decisão. E é evidente que essa construção está sendo feita. Hoje você tem, são poucos, mas você tem alguns negros que conseguiram superar essas fases e já estão aí nesses espaços construindo possibilidades e pautando esse caminho”.

Para a secretária de políticas de ações afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Ângela Nascimento, o problema da representatividade é ainda mais grave entre as mulheres. Ela acha que são necessárias ações afirmativas para corrigir as desigualdades.

“A gente compreende que, diante da participação da população negra, do significado da população negra na história deste país, é necessário que haja medidas que corrijam a sub-representação das mulheres negras nos cargos políticos. É fundamental que a gente atue para que elas tenham uma participação capaz de reverter esse quadro de desigualdade”.

Segundo levantamento do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), as mulheres pretas, pardas e indígenas são a maioria entre os 5,3 milhões de jovens de 18 a 25 anos que não trabalham nem estudam no país. Elas somam 2,2 milhões, correspondente a 41,5% desse grupo. Do total de jovens brasileiros nessa faixa etária (27,3 milhões), as negras e indígenas representam 8%, enquanto as brancas na mesma situação chegam a 5% (1,3 milhão).

Edição: Tereza Barbosa


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Brasil precisa mensurar impactos da discriminação na saúde da população, defende especialista


Brasília - Casos de discriminação são facilmente identificados por quem é alvo de piadas, chacotas, olhares atravessados ou tratamentos diferenciados. Mensurar os impactos que esses episódios trazem à saúde das pessoas, entretanto, ainda não é comum no Brasil. Para o professor João Luiz Bastos, do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), estratégias difundidas internacionalmente podem ajudar o país a entender como a discriminação pode estar associada, por exemplo, ao aumento da ocorrência de casos de depressão, ansiedade e hipertensão.

“A literatura internacional aponta uma forte relação entre quadros de alteração na saúde com o fenômeno da discriminação. É importante que, no Brasil, também sejam desenvolvidos estudos que identifiquem esse impacto, levando-se em conta nossas formas de sociabilidade e de tratar as pessoas em diferentes instâncias, para ver se aqui também essas relações se confirmam e de que forma elas se confirmam”, defendeu Bastos, que é autor do livro Discriminação e Saúde: Perspectivas e Métodos, lançado em novembro pela Editora Fiocruz.

Entre as metodologias que podem ser utilizadas por pesquisadores brasileiros, citadas na obra produzida em parceria com o professor Eduardo Faerstein, do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), está a conhecida como auditagem.

Por meio dela, são selecionados pares de pacientes com características semelhantes, exceto o aspecto que caracteriza a discriminação que se pretende investigar. Eles se apresentam em um serviço de saúde com os mesmos tipos de roupa e formas de comunicação e solicitam o mesmo tratamento.

“Se houver tratamento diferenciado, com encaminhamentos diferentes, poderá ser detectada a discriminação e o prejuízo para o tratamento de determinada patologia”,  disse.

Segundo João Luiz Bastos, estudos que identifiquem e quantifiquem essas circunstâncias são fundamentais para reduzir a falta de equidade na saúde, “que podem estar nas relações entre profissionais de saúde e pacientes, na prescrição de tratamentos medicamentosos ou de outros procedimentos cirúrgicos e terapêuticos, assim como na própria satisfação dos usuários com o atendimento prestado”.

O professor da UFSC também citou a aplicação de “grandes inquéritos” que incluam perguntas sobre experiências discriminatórias e sobre o desenvolvimento de problemas de saúde. “Dessa forma, pode-se avaliar os dados e examinar a relação entre as experiências vividas e a ocorrência de agravos à saúde”, explicou.

O professor destacou o caráter inovador do tema, ressaltando que somente durante a década de 1990 a discriminação passou a ser encarada como um fenômeno complexo, nem sempre identificado. Ele lembrou que, antes de 1920, a discriminação racial, por exemplo, sequer era entendida como um problema importante de pesquisa. Segundo ele, a discriminação em qualquer área do cotidiano das pessoas pode trazer prejuízos à saúde.

A aposentada Noádia Almeida diz que já perdeu a conta das vezes que foi alvo de discriminação por causa da cor de sua pele. Em um dos episódios, ela foi impedida de deixar uma loja de departamentos na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, após ter trocado uma peça que tinha comprado para a filha.

“Eu estava saindo da loja quando dois seguranças me mandaram segui-los até um outro setor e disseram a outro funcionário: ´pegamos a crioula com a muamba no saco’. Como eu tinha a nota fiscal, consegui provar que a peça era minha, mas foram minutos de muita angústia, de muito nervosismo. Todo mundo me olhando, foi um horror”, contou ela, que chegou a faltar um dia ao trabalho por causa do “violento estresse emocional”.

O Ministério da Saúde informou, por meio da assessoria de imprensa, que não tem dados sobre os impactos da discriminação na saúde da população, mas destacou que desenvolve várias ações para ligadas ao tema, como as associadas à Política Nacional de Humanização, lançada em 2003. Por meio da iniciativa, os profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) são treinados e capacitados no atendimento que garanta a defesa dos direitos dos usuários, qualquer que seja sua classe social, cor da pele ou condição física ou psicológica.

Fonte: Agência Brasil 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Editais da Biblioteca Nacional para autores e criadores negros


A Fundação Biblioteca Nacional (FBN/MInC) lançou em novembro três editais voltados para criadores e escritores negros. Os editais fazem parte do projeto do Ministério da Cultura (MinC) e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) de valorização e fomento de produtores, criadores e escritores negros. Os lançamento dos editais faz parte da celebração do Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. 

Os objetivos dos editais são formar novos escritores, elevar o número de pesquisadores negros e de publicações de autores negros e incentivar pontos de leitura de cultura negra em todo o país de forma a se estabelecer novo paradigma em todas as linguagens apoiadas pelo MinC, com a participação efetiva da população negra brasileira.

O primeiro edital tem como objetivo a seleção de 01 projeto que implante 27 pontos de leitura e desenvolva atividades de mediação de leitura, criação literária, publicação, seleção de acervo e pesquisa que tratem de ações voltadas para a preservação da Cultura Negra e ações afirmativas de combate ao racismo no país.

O segundo edital selecionará até 23 projetos para concessão de bolsas, propostos por pesquisadores e pesquisadoras negras, visando incentivar a produção de trabalhos originais, em território brasileiro, em qualquer uma das áreas e subáreas do conhecimento definidas pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). 

O terceiro edital visa a formação de parcerias para o desenvolvimento de projetos editoriais sob a forma de coedição, a fim de produzir publicações de autores brasileiros negros, na forma de livros, em meio impresso e/ou digital, com o propósito de divulgar, valorizar, apoiar e ampliar a cultura brasileira dos afrodescendentes.

A cerimônia de lançamento dos editais contará com a presença da Ministra da Cultura, Marta Suplicy, do presidente da FBN, Galeno Amorim, do diretor-curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araújo, do presidente da Fundação Cultural Palmares (FCP), Eloi Ferreira, e do presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Antonio Grassi. O evento será no Museu Afro Brasil, no Ibirapuera, em São Paulo, a partir das 11h. 

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Imprensa e Racismo: Pesquisa da ANDI revela tendências do noticiário sobre racismo

Os jornais brasileiros debatem sobre a problemática do racismo, mas negligenciam a relação entre esta violência simbólica e o quadro de homicídios que vitima, principalmente, a população negra no País. A avaliação consta da pesquisa Imprensa e racismo: uma análise das tendências da cobertura jornalística, lançada recentemente pela ANDI – Comunicação e Direitos, com apoio da Fundação Ford e da Fundação W. K. Kellogg.

A análise incidiu sobre 54 periódicos impressos das cinco regiões do Brasil, durante o período de 2007 a 2010, e identificou algumas peculiaridades no tratamento editorial dispensado à cobertura sobre a temática. Dentre elas, "a clara desvinculação entre as violências físicas praticadas contra a população negra e o debate sobre seu contexto primordial de produção – ou seja, o racismo".

OUTRAS TENDÊNCIAS – A pesquisa, que evidencia também perspectivas positivas da cobertura, sublinha que, não obstante essa grave lacuna, "o noticiário sobre racismo é tecnicamente superior a muitas das coberturas analisadas ao longo dos anos pela ANDI". Diferentemente das narrativas sobre violências físicas, por exemplo, a maioria dos textos sobre racismo é contextualizada, reunindo elementos importantes à compreensão da problemática.

"Não significa dizer que o noticiário seja predominantemente favorável aos mecanismos de enfrentamento ao racismo" – alertam os pesquisadores. Destoando de outras coberturas temáticas avaliadas pela organização, esse tipo de texto é permeado por um volume significativo de conteúdos opinativos. E a maioria desses espaços, considerados "nobres", comporta posicionamento contrário ao sistema de cotas raciais, por exemplo.

Outra das conclusões do estudo refere-se ao desempenho quantitativo dos veículos analisados. De acordo com os pesquisadores, "contrariando a tendência geral da cobertura, e diferentemente do verificado nas séries histórias da ANDI, é um veículo regional/local que vem puxando o debate sobre racismo no País": o jornal A Tarde (BA), seguido por um meio de comunicação de alcance nacional (O Estado de S.Paulo).

A publicação está disponível na página da ANDI.


Fonte: ANDI - Comunicações e Direitos

Fonte de consulta Blog Rede Saúde e Cultura: SEPPIR

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Arquivo de notícias: Saúde investe em ações para aumentar longevidade do brasileiro



O aumento da expectativa de vida é reflexo da redução da mortalidade infantil e da mortalidade precoce de crianças e jovens. Foto: Corbis Images

O relatório Global Burden of Disease Study 2010 (GBD 2010), publicado no The Lancet, um dos jornais médicos mais respeitados da Inglaterra, revelou que a população de todo o mundo tem vivido mais, que a mortalidade infantil apresentou queda, porém as pessoas têm levado um estilo de vida menos saudável. O Brasil está inserido neste contexto mundial, por isso o governo brasileiro vem investindo em políticas de saúde para aumentar a longevidade e garantir qualidade de vida.

“O grande esforço do Ministério da Saúde, além de continuar mantendo o aumento da expectativa de vida, é incorporar qualidade a esses anos que estamos ganhando. Lançamos, em 2011, o Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, justamente, em resposta a esse cenário”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O estudo teve a colaboração de 486 autores de mais de 50 países e levou cinco anos para ser concluído. O secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, foi um dos entrevistados da publicação. “O SUS está atento à prevenção das doenças crônicas e à diminuição dos fatores de risco, como sedentarismo, alimentação não-balanceada e tabagismo. Com isso, teremos idosos e adultos mais saudáveis, diminuindo a prevalência dessas doenças”, destacou o secretário.

Ele explica que o aumento da expectativa de vida é reflexo da redução da mortalidade infantil e da mortalidade precoce de crianças e jovens. “Os estudos de mortalidade e inquéritos de morbidade são essenciais para subsidiar as políticas públicas. Hoje, temos uma série de ações que não existiam há alguns anos atrás. Quanto mais a população envelhece, mais o Sistema Único de Saúde (SUS) se esforça para oferecer programas que promovam melhoria nos hábitos de vida dos brasileiros.”, ressalta o secretário.

O trabalho foi conduzido pelo Instituto de Métrica e Avaliação de Saúde (IHME), da Universidade de Washington, e reforça tendências já observadas pelo Governo Federal: uma em cada quatro mortes no mundo foram causadas por doenças cardíacas ou acidente vascular cerebral (AVC). Somente em 2010, as doenças do aparelho circulatório foram responsáveis por mais de 320 mil óbitos no Brasil.

Crônicas – As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) constituem a principal causa de óbitos no mundo. No entanto, na última década, observou-se uma redução de aproximadamente 20% nas taxas de mortalidade por essas doenças no Brasil, o que pode ser atribuído à expansão da Atenção Básica, melhoria da assistência e redução do consumo do tabaco desde 1990, mostrando importante avanço na saúde dos brasileiros. No País, as DCNT são responsáveis por 72% das causas de morte no Brasil.

A taxa de mortalidade por AVC – na faixa etária que considera esses óbitos como mais evitáveis – ou seja até os 70 anos de idade – reduziu 32,6% entre 2000 e 2010. Nesta faixa, o índice caiu de 27 mortes para 18 mortes para cada 100 mil habitantes, o que representa uma redução média anual de 3,2%. Em 2010, foram registrados 33.369 óbitos de pessoas com até 70 anos, por AVC.

De acordo com a pesquisa, a mortalidade infantil e a desnutrição diminuíram em todo mundo entre 1990 e 2010. Relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), destaca que o Brasil já alcançou os índices de redução definidos pelas metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODB), em relação à mortalidade de crianças menores de cinco anos. O acordo previa a redução em 2/3 da mortalidade desse público entre 1990 e 2015. De acordo com a ONU, o Brasil teve redução de 73% das mortes na infância desde 1990.

Vigilância – A publicação revela que maus hábitos alimentares e sedentarismo correspondem a 10% do adoecimento global. O sobrepeso foi apontado como responsável por três milhões de mortes ao redor do mundo em 2010. A pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada pelo Ministério da Saúde anualmente desde 2006, retrata hábitos de vida da população brasileira e mostra que o excesso de peso e a obesidade aumentaram nos últimos seis anos no Brasil. No entanto, o Vigitel aponta que o percentual de homens sedentários no Brasil passou de 16%, em 2009, para 14,1% em 2011. Na população brasileira, 39,6% dos homens se exercitam regularmente, enquanto nas mulheres a frequência é de 22,4%.

Já o número de fumantes permanece em queda no Brasil. Segundo a pesquisa, de 2006 a 2011, o percentual de fumantes passou de 16,2% para 14,8%. A incidência de homens fumantes no período 2006-2011 diminuiu a uma taxa média de 0,6 % ao ano, segundo o Vigitel 2011. A frequência é menos da metade do índice de 1989, quando a Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (PNSN), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou 34,8% de fumantes na população.

Plano promove hábitos de vida saudáveis - Para frear a obesidade e o sedentarismo, que são fatores de risco importantes para doenças crônicas, e promover hábitos de vida mais saudáveis, o Ministério da Saúde prevê uma série de iniciativasno Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis através de parcerias com o setor privado e outras pastas do governo.

O Programa Academia da Saúde é a principal estratégia para induzir o aumento da prática da atividade física na população. A iniciativa prevê a implantação de polos com infraestrutura, equipamentos e profissionais qualificados para a orientação de práticas corporais, atividades físicas e lazer. A meta é construir quatro mil polos até 2014. Atualmente, há mais de 2,6 mil polos habilitados para a construção em todo o país e outros 155 projetos pré-existentes que foram adaptados e custeados pelo Ministério da saúde. O programa recebe investimentos de R$ 371 milhões.

Para melhorar a dieta dos brasileiros e qualidade de vida, o Ministério da Saúde firmou um acordo com a indústria alimentícia que prevê a redução gradual do teor de sódio em alimentos processados. Desde 2011, o governo firmou três termos de compromisso para que várias categorias de alimentos sejam produzidas com menos sódio. Somados os três convênios, a previsão é de que, até 2020, estejam fora das prateleiras mais de 20 mil toneladas com o teor deste alimento. Se o consumo de sódio for reduzido para a recomendação diária da OMS (menos de cinco gramas por pessoa diariamente), os óbitos por AVC podem diminuir em 15%, e as mortes por infarto em 10%. Ainda estima-se que 1,5 milhão de brasileiros não precisaria de medicação para hipertensão e a expectativa de vida seria aumentada em até quatro anos.

Medicamentos – O Saúde Não Tem Preço, marca do Farmácia Popular, é uma das ações prioritárias para o controle das doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. Desde o início da ação, em janeiro de 2011, mais de 12 milhões de pessoas já retiraram medicamentos gratuitos para o tratamento dessas doenças. No último mês, mais de 4,5 milhões foram beneficiadas com os 11 medicamentos disponíveis. Esse número é quatro vezes maior, se comparado a janeiro do ano passado, quando 853 mil pacientes foram atendidos.

Além de aumentar o acesso, a oferta destes medicamentos contribui para a redução no número de internações por diabetes e hipertensão no SUS. De 2010 para 2011, o número de pacientes internados por diabetes caiu de 148 mil para 145 mil. No caso de hipertensão, verifica-se também uma redução de mais de oito mil internações de um ano para o outro. Os medicamentos estão disponíveis nas mais de 22 mil farmácias em todo o país. Para ter acesso, basta apresentar receita médica, documento de identidade e CPF.

MS confirma queda das doenças transmissíveis - Por outro lado, o periódico destacou que a incidência de doenças infecto-contagiosas caiu vertiginosamente nas últimas décadas. Os dados do Ministério da Saúde confirmam a tendência mundial e registram queda expressiva nos números de doenças transmissíveis nos últimos 10 anos, como tétano, sarampo, dengue, tuberculose, diarreias e síndromes respiratórias.

No Brasil, os dados corroboram com a publicação, apontando redução nos números de destas doenças transmissíveis nos últimos 10 anos. A queda no número de casos de tétano no Brasil é atribuída à vacinação de rotina e ao reforço na imunização dos chamados grupos de risco. Neste período, o número de casos caiu 44%. Enquanto em 2001, o País registrou um total de 578 casos, em 2011 foram 327. No caso do tétano neonatal a redução foi ainda maior, superando os 80% de 2001 a 2011, caindo de 37, para seis casos, respectivamente.

O sarampo já foi responsável por uma parcela importante da carga epidemiológica das doenças infecciosas no Brasil, com alta incidência e letalidade até a década de 1990. A meta de eliminação do sarampo nas Américas até o ano 2000 foi estabelecida em 1995 e foi seguida no Brasil por fortes investimentos nas estratégias de vacinação, que se mantêm até o momento. A última cadeia autóctone foi confirmada no Estado do Mato Grosso do Sul, em 2000, quando foi concluída a implantação das vacinas tríplice e dupla viral, que estavam em fase de implantação. Em 2011, foram confirmados 43 casos de sarampo, distribuídos por vários estados; entre eles, sete apresentaram histórico de viagem à Europa e aos Estados Unidos. Os demais foram confirmados por vínculo com os casos importados.

Dengue – O número de casos graves de dengue caiu este ano 64% em comparação a 2011. A queda foi muito maior se forem considerados os números de 2010 – percentual de redução de 78%. Enquanto de janeiro ao início de novembro em 2010, os casos graves da doença chegaram a 17.037, no mesmo período de 2012, o número totalizou 3.774. Os óbitos também apresentaram queda de 63% em comparação com 2010. De janeiro até a primeira semana de novembro, foram confirmados 247 óbitos, sendo que no mesmo período de 2010 foram 672 óbitos. Os avanços confirmam a estratégia de enfrentamento da dengue: não apenas de eliminar o mosquito, mas garantir a assistência básica, capacitação dos profissionais e aprimoramento da informatização dos dados de vigilância epidemiológica.

Ano passado, o país registrou 71.337 casos de tuberculose. A publicação Saúde Brasil, apresentada pelo Ministério da Saúde em outubro, aponta uma queda média da taxa de incidência da tuberculose de 1,3% por ano, entre 2001 e 2011, totalizando uma taxa de 37,1/100 mil habitantes. Neste período, a quantidade aproximada de óbitos pela doença foi de 4,6 mil.

Aproximadamente 78,8 mil internações por diarreia deixaram de ocorrer em 2011 se comparado ao ano de 2001, caindo de 274.383 internações para 195.553 em 2011. Além disso, houve queda expressiva no número de óbitos em menores de um ano, em 75,3%, entre 2000 e 2010, passando de 3.004 óbitos por diarreia para 740 em 2010. Essa diminuição dos casos graves e das mortes em está associado ao conjunto de ações que integram a Política Nacional de Aleitamento, como aumento no número dos bancos de leite no país, o incentivo ao aleitamento materno, a expansão do Bolsa Família, a capacitação dos profissionais da atenção básica para atenção integrada às doenças prevalente na infância e ao Rede Cegonha.

Além disso, as Unidades Sentinelas espalhadas por todo o país vêm ajudando a monitorar e combater, de forma rápida, as doenças respiratórias causadas por vírus, como as gripes. Também o Ministério da Saúde atua sistematicamente para combater as chamadas Síndromes Respiratórias. Em 2009, foram notificados 88 mil casos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), esse número caiu drasticamente em 2011 – pouco mais de 4.900 casos. Neste ponto, as vacinas, a gratuidade dos medicamentos, o diagnóstico precoce e o tratamento em todas as unidades básicas de saúde, que também integram as ações de prioridade do Governo, são responsáveis diretos pelo declínio.

Fonte: Samuel Bessa e Valéria Amaral / Agência Saúde

Fonte de retirada da Rede Saúde e Cultura: Blog da Saúde 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Arquivo de notícias: Medicina e espiritualidade: o remédio para o corpo pode estar no espírito


Profissionais da saúde acreditam que origem de muitas doenças está associada a maus sentimentos

O ato de ir ao médico é até rotineiro para muitas pessoas. O paciente diz como se sente e o médico avalia o depoimento, faz uma série de exames e se necessário medica. Pronto. Essa fórmula quase que matemática da relação entre médico e paciente praticamente não existe mais. Os profissionais da saúde já há algum tempo estão buscando uma maior proximidade de seus pacientes para poder ter uma visão global do ser. O órgão doente não é mais visto como uma “peça” que está impedindo o funcionamento normal do corpo, mas sim como um sinal de alerta que indica que outras coisas vão mal.

Com base na nova forma de ver o ser humano, a partir de 1998 a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o bem-estar espiritual na sua definição de saúde este por sua vez está aliado ao bem estar físico, mental e social, vendo assim o ser em sua totalidade.

O médico cardiologista e presidente da Associação dos Médicos Espíritas de Alagoas (AME-AL), Ricardo Santos afirma que “em toda a história da humanidade a espiritualidade sempre foi tratada pelas religiões. Antes do desenvolvimento da ciência, todos os tratamentos das doenças eram providenciados pelos religiosos. Ainda hoje temos resquícios disso como exemplo as santas casas. Esse conhecimento espiritual posteriormente passou pelo crivo dos grandes filósofos espiritualistas e reencarnacionistas como Sócrates, Platão e Pitágoras. Estes pensadores colocaram a questão espiritual como a única resposta a todas as indagações humanas”.

Com o passar dos anos a forma de trabalhar o conhecimento mudou, mas o conceito continua o mesmo uma vez que “atualmente estamos na fase científica onde diversos grupos de profissionais em todo o mundo estão debruçados sobre pesquisas sobre a imortalidade da alma e a espiritualidade. Os Estados Unidos se destacam nessa questão. Em quase 90% das faculdades da área da saúde daquele país tem a disciplina da espiritualidade”, afirma Ricardo Santos.

Medicina e religião

Hoje em dia é possível ver em cada quarteirão das grandes cidades assim como nos locais mais remotos e singelos, espaços destinados à espiritualidade, sejam eles de crenças e religiões diversas. Essa nova forma do homem se comportar é também objeto de pesquisas.

Segundo o cardiologista, “centenas de trabalhos tem demonstrado que as pessoas que tem uma religião, que tem um vínculo como a prática de uma crença, fazendo orações e que seguem as orientações de suas denominações religiosas são mais saudáveis em todos os aspectos. São menos viciadas, adoecem menos, melhoram mais rápido quando estão doentes, se hospitalizam menos, são mais serenas e tranquilas. Todo esse comportamento é comprovado cientificamente uma vez que a própria OMS introduziu o paradigma espiritual em seu conceito de saúde. Essa mudança que está no homem revela também que está havendo uma verdadeira corrida a nível mundial no sentido de se pesquisar a espiritualidade e se colocar ela como um parâmetro de saúde, de felicidade. Um indivíduo que é vinculado a uma religião, que tem fé se deprime menos e consequentemente adoece menos”, reforça Ricardo Santos.

Corpo e espírito

Para poder identificar a origem do que está causando mal ao doente o profissional da saúde precisa estar ciente de que “à luz do conhecimento espiritual o ser humano é composto de três dimensões básicas: um corpo físico, um corpo energético que comanda o corpo físico e a essência espiritual, que é o espírito. Nós somos espíritos que adotamos a forma física para termos a experiências e aprendizados na vida física. Quando o corpo físico adoece, significa que há um distúrbio a nível espiritual. Se a pessoa tem um sentimento de ódio e esse comportamento faz o corpo reagir de forma a subir a pressão, acelerar os batimentos cardíacos, dormir mal, comer mal, ao longo do tempo este sentimento irá provocar problemas físicos. Logo a doença física é uma consequência de maus sentimentos”, reforça o cardiologista.

Um paciente com pressão alta o médico indica um remédio e a pressão baixa. Se ele suspende ela sobe. O médico tem que conversar e descobrir as causas dessa pressão estar fora do normal. Nessa conversa ele então sabe que essa pessoa é impaciente, tem mágoas, problemas de relacionamentos pessoais entre outros males. Ao saber disso o profissional de saúde tem que promover uma mudança e orientar essa pessoa a uma busca espiritual, seja ela qual for. “Se o médico não abordar o paciente dessa forma ele nunca vai se curar pois à luz do conhecimento espiritual saúde é a perfeita harmonia da alma. Você precisa disso para ter saúde. Jesus foi o grande precursor cientifico e dizia vá e não tornes a pecar para não te acontecer novamente. A doença é o escoadouro das enfermidades da alma. Isso está sendo estudado e diversos trabalhos trazem inclusive o poder da oração, a imposição de mãos que Jesus fazia ao curar enfermos estão sendo pesquisados e tem sido comprovado que são benéficos e funcionam”, acredita Ricardo Santos.

Essa nova forma de ver a saúde e o paciente não muda os tratamentos. Ricardo Santos revela que “os médicos espíritas não usam nenhum artifício para realizar seus tratamentos. O que muda é a visão. O paciente é visto como um todo e não apenas um corpo físico, um órgão. O que adoece não é só uma parte física, mas de forma integral corpo físico e o espírito. É preciso abordar as multi-dimensões da pessoa para tratá-la de forma mais eficiente”.

Espiritualidade e saúde

Segundo a professora, médica e reitora da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), Rozangela Wyszomirska, “a doença se instala no corpo físico, quando ocorre uma queda da imunidade, que por sua vez relaciona-se com stress emocional, que está ligado ao stress espiritual. Claro que isso não é regra geral porém a doença pode estar marcada no perispirito do individuo e em determinado momento desencadeia o processo de doença. Quando é um vírus, bactéria ou acidente, o trauma, a doença, é claro começa no corpo físico. Ou seja a doença pode iniciar nos dois sentidos. No físico e no espiritual”.

É certo que todos nós herdamos uma carga genética que nos torna predispostos a ter determinadas doenças. No caso da espiritualidade Rozangela afirma que “não existe essa forma de hereditariedade, como nós conhecemos, mas o indivíduo traz de outras vidas, marcas, cicatrizes do que aconteceu. Ao iniciar uma nova jornada a pessoa esquece o que aconteceu, mas o perispírito, que é uma espécie de camada que une o espírito ao corpo, guarda nossa memória. A doença pode então ser desencadeada, devido diversos fatores. Falar de cura do espírito, é falar em aprendizagem. Ao reencarnarmos, trazemos necessidades de melhorias. Estamos na terra, para trabalharmos essas dificuldades. São nossas ações, nossos sentimentos, nossa postura e tudo o que pensamos e fazemos, que nos levarão à cura espiritual. Por isso precisamos voltar tantas vezes à terra, para continuarmos nossa jornada”.

As pessoas tem medo da morte, ou pelo menos a grande maioria. Os profissionais da saúde tratam que essa terrível realidade constantemente nos consultórios e hospitais. Diante dessa realidade do cotidiano Rozangela diz que “não há formas de impedir a morte ou o sofrimento do processo de morrer. Mas, podemos minimizar a dor e ficarmos ao lado dos nossos pacientes. E ajudar na passagem do paciente, significa aliviar o que for possível, confortar e cuidar do outro”.

Assim como outros assuntos polêmicos, o preconceito religioso infelizmente existe. Diante disso Wyszomirska defende que não se pode impor nenhum tipo de credo. “Não precisamos doutrinar ninguém, para darmos apoio a um paciente ou familiar. A conversa amiga, respeitando os limites de cada um, respeitando a religiosidade de cada um é o melhor caminho, para falarmos aos pacientes sobre os limites de tratamento, a morte, a vida, o que podemos fazer, sobre a distanasia e a ortotanásia. E, assim o paciente ou familiares podem decidir o que quer que seja feito. As vezes são necessárias mais de uma conversa, devemos estar dispostos a responder as perguntas, as dúvidas. Nem sempre é fácil, pois as pessoas não querem falar sobre a morte, pois se remetem à sua própria condição de finitude”.

A cura para o espírito e para o corpo é simples. Rozangela conta que “para ter mais qualidade de vida é preciso adotar uma posição positiva, de fé. Não a fé cega, mas a fé na vida eterna, a presença de Deus em nossas vidas e no cumprimento de nossas tarefas, nossa missão aqui na terra. Lembrando antes de tudo, que estamos aqui para construir uma caminhada baseada no amor ao próximo”.

Academia

As faculdades da área da saúde formam milhares de profissionais anualmente. As disciplinas que eles enfrentam são diversas e muitas vezes a questão espiritual fica distante da anatomia e do laboratório. Uma maneira de promover essa nova forma de ver o ser humano é a disseminação do conhecimento espiritual para todos os profissionais de saúde e para a “população em geral para que ela possa se prevenir das enfermidades buscando se vincular a uma vida psíquica e espiritual saudável numa convicção religiosa que possa promover e prolongar a vida com saúde que é o mais importante”, concluiu Ricardo Santos.

No Brasil está acontecendo uma verdadeira revolução, principalmente nos últimos quinze anos. Foram fundadas cerca de 55 Associações de Médicos Espíritas e estes vem trabalhando ativamente junto às universidades promovendo congressos, seminários e outras atividades junto aos estudantes e professores.

O professor de medicina da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), Jorge Luiz Soares, acredita que a disciplina da espiritualidade deveria sim estar na grade dos cursos da área da saúde. Jorge Luiz defende que “o corpo é guiado pelo espírito e o corpo adoece quando a alma está padecendo. Temos que tratar o indivíduo como um todo, da cabeça aos pés. E através de uma boa anamnese conhecer a alma do paciente. Quando esta conversa entre médico-paciente é realizada com carinho e uma boa troca de informações entre o profissional da saúde e o paciente, se chega a um diagnóstico precoce e a cura com certeza acontece. O importante é a fé, que considero a mais sublime de todas as virtudes”, concluiu o professor.

Saiba mais sobre a AME-AL no site amealagoas.com.br

 

Fonte: Cada Minuto
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