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terça-feira, 27 de maio de 2014

Alunos produzem vídeos sobre educação nutricional e qualidade de vida


Produzir filmes de curta-metragens educativos sobre nutrição como forma de avaliação. Essa foi à proposta criada pelo professor do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG, Rafael Moreira Claro, e executada pelos alunos da disciplina Nutrição e Saúde Pública, do 6º período do curso, que na tarde da última sexta-feira, 23, apresentaram seus trabalhos no auditório Maria Sinno da EEUFMG. 

Tratando de temas distintos, como as diferenças entre produtos diet e light, escolhas alimentares e saúde materna e infantil, os seis vídeos refletiram questões referentes à Nutrição de uma forma diferente. “A proposta era que os alunos escolhessem um dos cerca de dez temas que discutimos durante o semestre, e produzissem um vídeo que com duração entre 3 e 7 minutos. Junto disso eles estão fazendo um trabalho teórico, justificando o porque da adoção do tema, qual era a ideia com o vídeos, quais foram os problemas, como foi a execução e qual foi a conclusão que eles tiveram”, explicou o professor. 

Para Claro, a atividade demonstra o potencial da criatividade dos alunos. “Essa iniciativa os impulsiona a pensarem de uma forma não trivial, a terem uma educação crítico-reflexiva e a desenvolverem ideias além do ambiente da sala de aula, transformando práticas que são essencialmente teóricas em questões aplicadas. Eles foram convidados a refletir sobre os temas sabendo que pessoas de fora da Universidade veriam, então esse exercício é também uma prática de aplicação do conteúdo e acaba fazendo com que eles se tornem profissionais mais completos”, comentou. 

A ideia do professor é divulgar os melhores vídeos no Youtube, para permitir que outras pessoas façam uso dos vídeos para propósitos educacionais, ajudando assim a melhorar uma demanda que se mostra insuficiente. “Não existem muitos materiais semelhantes à disposição do grande público. No Youtube, por exemplo, são poucas as produções de boa qualidade técnica e informativa sobre alimentação e nutrição. Muito do que existe lá é feito por entusiastas de alimentação, ou seja, pessoas que têm algum nível de conhecimento técnico, mas sem uma adequação plena no conteúdo”, ressaltou.

As alunas Júlia Soares, Eduarda Guedes, Ingrid Outeiro e Camila Matos, integrantes do grupo da animação "Ambiente obesogênico e escolhas alimentares''

A aluna Camila Maria de Matos, 21 anos, integrante do grupo que fez o vídeo '"Ambiente obesogênico e escolhas alimentares''. Falou sobre o material que produziram. “Escolhemos esse tema porque o ambiente onde estamos inseridos favorece o crescimento da obesidade. Questões como os lanches não saudáveis disponíveis na rua, a falta de tempo para realizar atividades físicas e a influência da mídia por meio da publicidade demonstram isso. O nosso vídeo mostra como podemos escapar desse ambiente obesogênico, dando algumas estratégias e dicas de como as pessoas podem fazer escolhas mais saudáveis”, explanou.

Para a estudante, a atividade foi também importante por não se restringir ao ambiente da sala de aula. “É interessante porque acaba se tornando um meio de mostrar nosso trabalho para quem está do lado de fora da Universidade e não só para o professor. É uma maneira de retribuir a sociedade de alguma forma, já que estamos em uma Instituição pública”, falou.

O professor, que se surpreendeu com o bom resultado dos vídeos, afirmou que pretende continuar com esse tipo de atividade. “A ideia é que para o futuro, esses vídeos sirvam de subsídio para outras atividades e possam ser usados junto à população em atividades de educação nutricional e sobre diversos temas relacionados à qualidade de vida. Já no que se refere à Escola de Enfermagem, a intenção é que os alunos da mesma disciplina do próximo semestre refaçam a atividade, através de vídeos ou de alguma outra atividade artística. Vamos manter uma avaliação desse padrão não tradicional dentro da disciplina”, finalizou.  




Confira aqui o vídeo na íntegra

Fonte: Faculdade de Enfermagem da UFMG

segunda-feira, 26 de maio de 2014

A má alimentação é pior para a saúde mundial que o fumo


“As dietas pouco saudáveis são um risco maior para a saúde mundial que o fumo”, afirmou nesta segunda-feira Olivier de Schutter, relator especial das Nações Unidas para a Alimentação. “Da mesma maneira que o mundo se uniu para determinar os riscos do fumo, devemos chegar a um acordo sobre dietas adequadas”, acrescentou Schutter sobre a inauguração da Convenção Mundial para Proteger e Promover Dietas Saudáveis da organização Consumers International.
Schutter, que apresentou em 2012 um relatório sobre nutrição, lembrou das cinco propostas chaves daquele trabalho, e lamentou que não ainda não tenham dado início a elas. As propostas são aumentar os impostos aos produtos menos saudáveis; regulamentar os alimentos com alto índice de gorduras saturadas, açúcar e sal; limitar a publicidade de comida trash; repensar certos subsídios agrícolas que barateiam alguns produtos e não outros e apoiar os produtores locais para que os consumidores tenham acesso a produtos saudáveis, frescos e nutritivos.
“Os Governos puseram o foco em aumentar a quantidade de calorias disponíveis, mas com muita frequência foram indiferentes a respeito de que tipo de calorias oferecem, a que preço, para quem são acessíveis e como se comercializam”, disse Schutter.
As palavras do relator das Nações Unidas são o último apelo sobre o impacto da obesidade na saúde mundial, que veio ser chamada de a epidemia do século XXI. Segundo a Organização Mundial da Saúde, embora a fome ainda seja um problema para 800 milhões de pessoas, a má alimentação é um problema ainda maior: Cerca de 1,4 bilhão de pessoas têm obesidade ou sobrepeso no mundo, e a má alimentação está relacionada a problemas cardiovasculares, diabetes, artrites e alguns tipos de câncer (mama e endométrio, por exemplo).
Por outro lado, o tabagismo já está estabilizado ou em queda nos países ricos, embora aumente 3,4% anualmente nos demais, segundo o atlas mundial da Associação do Pulmão dos EUA. No entanto, a obesidade cresce em todas partes.

Fonte: El País/ Foto: Matt Cardy (Getty Images) 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Obesidade entre as crianças atinge índices de epidemia no Brasil


Nos últimos 30 anos, o Brasil reduziu significativamente a desnutrição infantil, mas o problema coexiste hoje com a obesidade. Fenômeno recente da insegurança alimentar e nutricional que pode se expressar na população independentemente de sexo, idade, raça ou classe social.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 15% das crianças com idade entre 5 e 9 anos têm obesidade. Uma em cada três não chegaram ao nível da obesidade, mas estão com peso acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde.

Alimentos básicos x processados

A coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Patrícia Jaime, afirma que a mesma pesquisa mostra que parcela importante das crianças não consome de forma regular alimentos básicos e in natura, como legumes, verduras e frutas. "Obviamente isso pode ser explicado por uma mudança no padrão de consumo da população brasileira que resultou em uma diminuição do consumo dos alimentos básicos, tradicionais, da dieta brasileira, que dialogavam com nossa cultura alimentar, de cada região, pela introdução de alimentos cada vez mais processados, industrializados, modificando não só a qualidade da dieta do ponto de vista nutricional, mas os comportamentos e os hábitos alimentares, como comer em casa, comer em família, o comer compartilhado, por uma substituição por comer em frente à televisão, por comportamentos que não são saudáveis."

A pesquisa de orçamentos familiares do IBGE mostra que pão, biscoitos, macarrão e arroz são responsáveis por 35% das calorias consumidas pelo brasileiro em casa. Refrigerantes e doces somam 13% dos produtos consumidos, acima inclusive das carnes com 12,6%. Frutas e sucos naturais são só 2% do que é comprado, e legumes e verduras 0,8%.

Ana Claudia Bessa, mãe de dois filhos, integra o Coletivo Infância Livre de Consumismo. Ela se preocupa com a alimentação dos filhos e dá preferência a produtos naturais. Ela reconhece, no entanto, que muitas vezes as informações acerca dos produtos não são claras, o que pode levar os pais ao erro.

Ingestão de açúcar

"No suco de caixinha está escrito: seu filho cresce saudável e se diverte. Eu entrei no site do Del Valle e peguei a composição do suco de morango. Primeiro, o ingrediente que tem mais é água, depois açúcar, ou seja, antes do suco da fruta tem açúcar, suco de morango, cálcio, reguladores de acidez, aroma idêntico ao natural, isso é artificial, estabilizantes goma aguar, acetato de isoburato de sacarose e goma éster e corante natural carmin."

A coordenadora do projeto Genética de Transtornos Alimentares da Universidade de São Paulo, Sophie Deram, lembra que a OMS recomenda que não passe de 10% a ingestão de açúcar na dieta diária.

Ela explica que o consumo regular de alimentos e bebidas adoçados pode levar a um ciclo de dependência química. "Na verdade, atua no mesmo receptor da recompensa da cocaína. Realmente, no seu cérebro, ele recebe uma recompensa muito forte com o açúcar e quanto mais açúcar, mais complicado. A criança obesa não é uma criança preguiçosa, uma criança que só tem gula, que não tem força de vontade. É uma resposta bioquímica. Vai aumentar o apetite e vai diminuir a atividade física. Vai se sentir mais cansada e vai querer comer mais. Comendo mais, ela vai ter risco de entrar em resistência insulínica e ter risco de diabetes."

O endocrinologista Paulo César Alves da Silva, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, considera que a obesidade infantil já atingiu índices de epidemia e alerta que crianças e adolescentes obesos terão mais probabilidade de continuarem obesos na fase adulta. "O excesso de peso em crianças e adolescentes causa mais morte que a desnutrição hoje. Os pais precisam que o médico os estimule a considerar que a obesidade é uma doença e não simplesmente uma situação estética que a criança esteja com mais peso e a puberdade já é por si um estado de relativa resistência insulínica, ou seja, comida errada aqui com o hormônio lipogênico como a insulina é sinal de excesso de peso caminhando."

Falta de informação

A diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Maria Edna de Melo, avalia que a falta de informação sobre a obesidade infantil é o principal problema a ser combatido. "Na prática quando a gente começa a atender o paciente, começa a conversar com a família, eles têm muitas ideias erradas. A começar pelo próprio grau de adiposidade das crianças, porque quando a gente coloca a criança no gráfico lá e diz 'a criança está obesa', a mãe fica muito brava com a gente e diz que não é verdade. As ideias erradas com relação à alimentação são o maior problema que a gente tem. Elas têm várias fontes de revistas, falta uma educação nutricional boa e falta assistência nutricional."

Maria Edna de Melo elogiou projeto de lei em discussão na Câmara (PL 3874/12) que cria a Semana de Mobilização Nacional contra a Obesidade Infantil. Em seminário realizado na Casa, especialistas foram unânimes em afirmar que a prevenção é a melhor política para atacar o problema.

Fonte: Agência Câmara, 21/03/2014
Foto: Marcos Santos/USP Imagens

quinta-feira, 6 de março de 2014

FAO exige melhor distribuição de produção alimentícia contra fome

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) exige uma melhor distribuição da produção alimentícia no mundo para evitar situações de fome em regiões pobres ou atingidas por conflitos.

Assim disse o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, à margem de um Fórum Mundial sobre agricultura familiar que termina nesta quinta-feira em Budapeste.

Apesar de em nível global a produção de alimentos "está bem", há problemas e desafios locais na distribuição, o que limita o acesso a produtos básicos para a sobrevivência, disse Silva em declarações à Agência Efe.

"Há uma estreita relação entre conflito e fome. Onde há fome há conflito e onde há conflito há fome", destacou o diretor-geral da FAO, ao assinalar especificamente regiões como o Sahel (uma das regiões mais pobres do planeta), os territórios palestinos e o Líbano.

Nestas regiões há "uma convergência de problemas", que não são só políticos, mas também estão relacionados com a escassez de água e de terras aráveis, acrescentou.

"A agricultura ali é muito difícil", lembrou ele, cuja organização, com sede em Roma, tem como principal objetivo erradicar a fome no mundo.

Segundo dados da FAO, 90% dos alimentos são produzidos pela agricultura familiar, que ao mesmo tempo é uma das maiores fontes de emprego no mundo todo. A agricultura familiar é uma forma de organizar a atividade agrícola, florestal, de pesca e de pastoreio, administrada por famílias.

A inclusão das mulheres na produção agrária e a promoção desse ofício entre os jovens são alguns dos temas que 500 delegados de uma centena de países debatem no fórum desta semana na capital da Hungria.

A FAO "está empenhada" em fomentar o papel das mulheres na rede alimentícia, na manufatura, o comércio e a agroindústria em geral, destacou Silva. É que em diferentes culturas a mulher continua excluída do acesso às terras, como, por exemplo, no caso das heranças, que costumam estar dominadas pelos homens.

Mas não só os desequilíbrios de produção e acesso às terras são um problema, também é preciso combater o mau consumo e o esbanjamento dos alimentos, alertou Silva.

"Temos que aprender a comer melhor", afirmou o diretor-geral da FAO, aludindo a que 30% dos alimentos produzidos no mundo terminam no lixo.

"As pessoas pobres, inclusive dos países produtores (de alimentos) não comem bem", disse Silva, mencionando o caso dos países da América Latina, uma das regiões agrárias mais importantes do mundo.
Além disso, Silva destacou que a agricultura familiar costuma ser "guarda da biodiversidade", com uma produção agrária sustentável.

A FAO declarou 2014 o "ano da agricultura familiar", à qual dedicará vários eventos e conferências nos próximos meses.

Fonte: Terra

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Brasil consome 14 agrotóxicos proibidos no mundo

Especialista indica que pelo menos 30% de 20 alimentos analisados não poderiam estar na mesa do brasileiro

Os indicadores que apontam o pujante agronegócio como a galinha dos ovos de ouro da economia não incluem um dado relevante para a saúde: o Brasil é maior importador de agrotóxicos do planeta. Consome pelo menos 14 tipos de venenos proibidos no mundo, dos quais quatro, pelos riscos à saúde humana, foram banidos no ano passado, embora pesquisadores suspeitem que ainda estejam em uso na agricultura.

Em 2013 foram consumidos um bilhão de litros de agrotóxicos no País – uma cota per capita de 5 litros por habitante e movimento de cerca de R$ 8 bilhões no ascendente mercado dos venenos.

Dos agrotóxicos banidos, pelo menos um, o Endosulfan, prejudicial aos sistemas reprodutivo e endócrino, aparece em 44% das 62 amostras de leite materno analisadas por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) no município de Lucas do Rio Verde, cidade que vive o paradoxo de ícone do agronegócio e campeã nacional das contaminações por agrotóxicos. Lá se despeja anualmente, em média, 136 litros de venenos por habitante.

Na pesquisa coordenada pelo médico professor da UFMT Wanderlei Pignati, os agrotóxicos aparecem em todas as 62 amostras do leite materno de mães que pariram entre 2007 e 2010, onde se destacam, além do Endosulfan, outros dois venenos ainda não banidos, o Deltametrina, com 37%, e o DDE, versão modificada do potente DDT, com 100% dos casos. Em Lucas do Rio Verde, aparecem ainda pelo menos outros três produtos banidos, o Paraquat, que provocou um surto de intoxicação aguda em crianças e idosos na cidade, em 2007, o Metamidofóis, e o Glifosato, este, presente em 70 das 79 amostras de sangue e urina de professores da área rural junto com outro veneno ainda não proibido, o Piretroides.

Na lista dos proibidos em outros países estão ainda em uso no Brasil estão o Tricolfon, Cihexatina, Abamectina, Acefato, Carbofuran, Forato, Fosmete, Lactofen, Parationa Metílica e Thiram.

Chuva de lixo tóxico


“São lixos tóxicos na União Europeia e nos Estados Unidos. O Brasil lamentavelmente os aceita”, diz a toxicologista Márcia Sarpa de Campos Mello, da Unidade Técnica de Exposição Ocupacional e Ambiental do Instituto Nacional do Câncer (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde. Conforme aponta a pesquisa feita em Lucas do Rio Verde, os agrotóxicos cancerígenos aparecem no corpo humano pela ingestão de água, pelo ar, pelo manuseio dos produtos e até pelos alimentos contaminados.

Venenos como o Glifosato são despejados por pulverização aérea ou com o uso de trator, contaminam solo, lençóis freáticos, hortas, áreas urbanas e depois sobem para atmosfera. Com as precipitações pluviométricas, retornam em forma de “chuva de agrotóxico”, fenômeno que ocorre em todas as regiões agrícolas mato-grossenses estudadas. Os efeitos no organismo humano são confirmados por pesquisas também em outros municípios e regiões do país.

O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo a pesquisadora do Inca, mostrou níveis fortes de contaminação em produtos como o arroz, alface, mamão, pepino, uva e pimentão, este, o vilão, em 90% das amostras coletadas. Mas estão também em praticamente toda a cadeia alimentar, como soja, leite e carne, que ainda não foram incluídas nas análises.

O professor Pignati diz que os resultados preliminares apontam que pelo menos 30% dos 20 alimentos até agora analisados não poderiam sequer estar na mesa do brasileiro. Experiências de laboratórios feitas em animais demonstram que os agrotóxicos proibidos na União Europeia e Estados Unidos são associados ao câncer e a outras doenças de fundo neurológico, hepático, respiratórios, renais e má formação genética.

Câncer em alta


A pesquisadora do Inca lembra que os agrotóxicos podem não ser o vilão, mas fazem parte do conjunto de fatores que implicam no aumento de câncer no Brasil cuja estimativa, que era de 518 mil novos casos no período 2012/2013, foi elevada para 576 mil casos em 2014 e 2015. Entre os tipos de câncer, os mais suscetíveis aos efeitos de agrotóxicos no sistema hormonal são os de mama e de próstata. No mesmo período, segundo Márcia, o Inca avaliou que o câncer de mama aumentou de 52.680 casos para 57.129.

Na mesma pesquisa sobre o leite materno, a equipe de Pignati chegou a um dado alarmante, discrepante de qualquer padrão: num espaço de dez anos, os casos de câncer por 10 mil habitantes, em Lucas do Rio Verde, saltaram de três para 40. Os problemas de malformação por mil nascidos saltaram de cinco para 20. Os dados, naturalmente, reforçam as suspeitas sobre o papel dos agrotóxicos.

Pingati afirma que os grandes produtores desdenham da proibição dos venenos aqui usados largamente, com uma irresponsável ironia: “Eles dizem que não exportam seus produtos para a União Europeia ou Estados Unidos, e sim para mercados africanos e asiáticos.”
Apesar dos resultados alarmantes das pesquisas em Lucas do Rio Verde, o governo mato-grossense deu um passo atrás na prevenção, flexibilizando por decreto, no ano passado, a legislação que limitava a pulverização por trator a 300 metros de rios, nascentes, córregos e residências. “O novo decreto é um retrocesso. O limite agora é de 90 metros”, lamenta o professor.

“Não há um único brasileiro que não esteja consumindo agrotóxico. Viramos mercado de escoamento do veneno recusado pelo resto do mundo”, diz o médico Guilherme Franco Netto, assessor de saúde ambiental da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz). Na sexta-feira, diante da probabilidade de agravamento do cenário com o afrouxamento legal, a Fiocruz emitiu um documento chamado de “carta aberta”, em que convoca outras instituições de pesquisa e os movimentos sociais do campo ligados à agricultura familiar para uma ofensiva contra o poder (econômico e político) do agronegócio e seu forte lobby em toda a estrutura do governo federal.


Foto mostra a diferença entre um solo cultivado organicamente (esquerda) e outro que recebeu a adição de adubos químicos ou agrotóxicos. Foto: National Geographic

Reação da Ciência


A primeira trincheira dessa batalha mira justamente o Palácio do Planalto e um decreto assinado, no final do ano passado, pela presidente Dilma Rousseff. Regulamentado por portaria, a medida é inspirada numa lei específica e dá exclusividade ao Ministério da Agricultura _ histórico reduto da influente bancada ruralista no Congresso _ para declarar estado de emergência fitossanitária ou zoossanitária diante do surgimento de doenças ou pragas que possam afetar a agropecuária e sua economia.

Essa decisão, até então era tripartite, com a participação do Ministério da Saúde, através da Anvisa, e do Ministério do Meio Ambiente, pelo Ibama. O decreto foi publicado em 28 de outubro. Três dias depois, o Ministério da Agricultura editou portaria declarando estado de emergência diante do surgimento de uma lagarta nas plantações, a Helicoverpa armigera, permitindo, então, para o combate, a importação de Benzoato de Emamectina, agrotóxico que a multinacional Syngenta havia tentado, sem sucesso, registrar em 2007, mas que foi proibido pela Anvisa por conter substâncias tóxicas ao sistema neurológico.

Na carta, assinada por todo o conselho deliberativo, a Fiocruz denuncia “a tendência de supressão da função reguladora do Estado”, a pressão dos conglomerados que produzem os agroquímicos, alerta para os inequívocos “riscos, perigos e danos provocados à saúde pelas exposições agudas e crônicas aos agrotóxicos” e diz que com prerrogativa exclusiva à Agricultura, a população está desprotegida.

A entidade denunciou também os constantes ataques diretos dos representantes do agronegócio às instituições e seus pesquisadores, mas afirma que com continuará zelando pela prevenção e proteção da saúde da população. A entidade pede a “revogação imediata” da lei e do decreto presidencial e, depois de colocar-se à disposição do governo para discutir um marco regulatório para os agrotóxicos, fez um alerta dramático:

“A Fiocruz convoca a sociedade brasileira a tomar conhecimento sobre essas inaceitáveis mudanças na lei dos agrotóxicos e suas repercussões para a saúde e a vida.”

Para colocar um contraponto às alegações da bancada ruralista no Congresso, que foca seu lobby sob o argumento de que não há nexo comprovado de contaminação humana pelo uso de veneno nos alimentos e no ambiente, a Fiocruz anunciou, em entrevista ao iG, a criação de um grupo de trabalho que, ao longo dos próximos dois anos e meio, deverá desenvolver a mais profunda pesquisa já realizada no país sobre os efeitos dos agrotóxicos – e de suas inseparáveis parceiras, as sementes transgênicas – na saúde pública.

O cenário que se desenha no coração do poder, em Brasília, deve ampliar o abismo entre os ministérios da Agricultura, da Fazenda e do Planejamento, de um lado, e da Saúde, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário, de outro. Reflexo da heterogênea coalizão de governo, esta será também uma guerra ideológica em torno do modelo agropecuário. “Não se trata de esquerdismo desvairado e nem de implicância com o agronegócio. Defendemos sua importância para o país, mas não podemos apenas assistir à expansão aguda do consumo de agrotóxicos e seus riscos com a exponencial curva ascendente nos últimos seis anos”, diz Guilherme Franco Netto. A queda de braços é, na verdade, para reduzir danos do modelo agrícola de exportação e aumentar o plantio sem agrotóxicos.

Caso de Polícia


“A ciência coloca os parâmetros que já foram seguidos em outros países. O problema é que a regulação dos agrotóxicos está subordinada a um conjunto de interesses políticos e econômicos. A saúde e o ambiente perderam suas prerrogativas”, afirma o pesquisador Luiz Cláudio Meirelles, da Fiocruz. Até novembro de 2012, durante 11 anos, ele foi o organizador gerente de toxicologia da Anvisa, setor responsável por analisar e validar os agrotóxicos que podem ser usados no mercado.

Meirelles foi exonerado uma semana depois de denunciar complexas falcatruas, com fraude, falsificação e suspeitas de corrupção em processos para liberação de seis agrotóxicos. Num deles, um funcionário do mesmo setor, afastado por ele no mesmo instante em que o caso foi comunicado ao Ministério Público Federal, chegou a falsificar sua assinatura.

“Meirelles tinha a função de banir os agrotóxicos nocivos à saúde e acabou sendo banido do setor de toxicologia”, diz sua colega do Inca, Márcia Sarpa de Campos Mello. A denúncia resultou em dois inquéritos, um na Polícia Federal, que apura suposto favorecimento a empresas e suspeitas de corrupção, e outro cível, no MPF. Nesse, uma das linhas a serem esclarecidas são as razões que levaram o órgão a afastar Meirelles.

As investigações estão longe de terminar, mas forçaram já a Anvisa – pressionada pelas suspeitas –, a executar a maior devassa já feita em seu setor de toxicologia, passando um pente fino em 796 processos de liberação avaliados desde 2008. A PF e o MPF, por sua vez, estão debruçados no órgão regulador que funciona como o coração do agronegócio e do mercado de venenos.
Fonte: iG, 24/02/2014

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Governo prepara nova versão do guia alimentar da população brasileira

O Ministério da Saúde está elaborando a edição 2014 do Guia Alimentar da População Brasileira. O manual, de acordo com a pasta, traz orientações sobre cuidados com a saúde e como manter uma alimentação saudável e balanceada.

A principal recomendação do governo é o consumo de alimentos frescos, de procedência conhecida e que utilizem como base produtos in natura (de origem vegetal ou animal). O guia também recomenda que as pessoas optem por refeições caseiras e evitem comer em redes defast food.

Quem quiser colaborar com a confecção do manual deve acessar o endereço eletrônico www.saude.gov.br/consultapublica até o dia 7 de maio. As contribuições serão avaliadas pelo ministério e poderão constar no documento oficial.

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Conheça a Recid - Rede de Educação Cidadã

Breve história da RECID

 

A RECID nasceu como articulação entre movimentos sociais e governo, no ano de 2003. Em 2002, o presidente da República eleito, Luis Inácio Lula da Silva, apresentou como bandeira de seu governo o Programa Fome Zero e convidou, entre outros, o teólogo, escritor e assessor de movimentos sociais populares, Frei Betto, para integrar sua equipe.

Frei Betto apresentou o projeto de mobilização social, com o propósito de introduzir no Programa Fome Zero o trabalho de base, capaz de organizar as famílias que integrariam o programa. A RECID inicialmente chamou-se Talher.

No âmbito do governo federal, para a realização desse projeto, foi criado o Gabinete de Mobilização Social, ligado à Presidência da República. Frei Betto buscou o diálogo com vários setores populares motivados naquele momento para a luta contra a fome, apresentando a necessidade de se resgatar a educação popular para se chegar aos mais pobres em vista de sua emancipação e organização para a transformação estrutural do país, por meio da reivindicação dos direitos.

A estrutura inicial do setor liderado por Frei Betto era pequena comparada à missão que se colocava. Apenas sete pessoas, com experiência como educadoras populares, respondiam por essa articulação inicial: Eliane Martins, Flávio Lyra, Ivo Poletto, Marlene Moura, Ranulfo Peloso, Rogério Augusto Silva Pinto e Selvino Heck. Essa equipe começa a articular setores sociais de base popular no semiárido brasileiro, inicialmente. A intenção era construir uma Rede de Talheres nos estados e municípios, prioritariamente onde estava sendo implantado o Programa Fome Zero.

Essa ação recebeu o nome de Projeto de Educação Cidadã e de Mobilização Social. Um trabalho a ser realizado com pessoas, movimentos e entidades que atuassem com a educação popular e aceitassem participar como parceiras nas iniciativas do programa Fome Zero. A estratégia metodológica era de multiplicar a articulação de educadores populares em todos os estados para, com sua ação, provocar a organização de equipes de educadores em todos os municípios do país.

Buscou-se elaborar, coletivamente, uma estratégia de trabalho e um plano de ação para responder ao desafio colocado pela proposta de educação cidadã e mobilização social. Como parte importante dessa articulação, foram realizados: um encontro regional, com participação de representantes de nove estados, em junho de 2003, em Fortaleza; e dois Encontros Nacionais, o primeiro em outubro, em Belo Horizonte, e o segundo em novembro de 2003. Entre as propostas iniciais para esse trabalho, destacam-se a valorização das ações já desenvolvidas pelos movimentos sociais populares, a estratégia metodológica da educação popular e a proposta de formação multiplicadora e mobilização social, articulada pelos movimentos populares. O trabalho contava com as parcerias dos movimentos sociais populares, com seus educadores e educadoras, alguns contratados por esses movimentos, outros, atuando de forma voluntária.

Em outubro de 2004, é liberado um recurso financeiro que possibilitou a contratação de 80 educadores e educadoras para atuarem na Rede de Educação Cidadã – Talher, nos estados e distrito federal. Para isso, foi feito um convênio entre o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o Talher Nacional e o Instituto Paulo Freire (IPF). No final desse ano, Frei Betto deixou o governo, por discordar do rumo que o Programa Fome Zero tomou, ao não continuar tendo como foco as mudanças estruturais, principalmente a Reforma Agrária. Assumiu seu lugar Selvino Heck.

De 2005 a 2006, houve a definição de três linhas de ação da RECID: (1) sua consolidação e gestão, (2) a democratização do acesso e controle social das políticas estruturantes de superação da miséria e da fome e (3) a formação de educadores e educadoras populares e agentes multiplicadores. Em 2005, elaborou-se o Programa de Formação de Educadores/as Populares e Nucleação de Família.

Outras ações importantes, desenvolvidas nesse período, foram: a realização de cursos sobre economia solidária em parceria com a Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES); cursos sobre comunicação popular, em especial rádio comunitária; a realização do programa Ponto a Ponto em parceria com a TV Banco do Brasil; participação dos educadores e educadoras nos Conselhos Nacional e Estaduais de Segurança Alimentar e Nutricional (Conseas), assim como no Grupo de Trabalho Fome Zero do governo federal. Novos movimentos se incorporam à RECID, como grupos ligados ao movimento Hip Hop, que passam a realizar suas oficinas culturais e de formação política, principalmente com jovens, junto à Rede. Este ciclo, de 2005 a 2006, encerra-se com a produção dos instrumentos da sistematização das experiências da RECID: um vídeo e um livro, intitulados “Vamos lá fazer o que será”.

De 2007 a 2009, a história da RECID é marcada, principalmente, pela elaboração do Projeto Político-Pedagógico (PPP) e do Projeto Popular para o Brasil (PPB), que animaram o processo dos planos de formação. Marca também essa fase a criação da Comissão Nacional (CN), que reúne representantes das regiões brasileiras e a equipe do Talher Nacional.

Como objetivo maior, o Plano Nacional de Formação (2009) apontou o desenvolvimento de processos de formação, continuados e integrados, de educação popular, referenciados em seu Projeto Político Pedagógico, para contribuir com a construção do Projeto Popular para o Brasil. Para a concretização do Plano de Formação, duas grandes atividades nacionais são previstas para serem realizadas duas vezes ao ano, cada uma: o encontro nacional e as Cirandas de Formação.

A partir da eleição da presidenta Dilma Rousself, em 2010, com as mudanças no interno do governo federal em 2011, também houve mudanças significativas no Talher Nacional. Outra modificação foi a da instituição gestora nacional, que passa a ser o CAMP (Centro de Assessoria Multiprofissional), organização sediada no Rio Grande do Sul e com educadores e educadoras já presentes na RECID, desde sua criação.

(Fonte: Documentos da RECID e do Talher Nacional)

Fonte: RECID MG

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Jardineiro clandestino muda a lei da cidade para plantar comida

Ron Finley, o estilista que planta hortas em Los Angeles
Estilista quer hortas em todos os terrenos baldios de Los Angeles

Entre o meio-fio e a calçada, num bairro de classe média baixa repleto de lojas de bebida, fast food e terrenos baldios, o estilista americano Ron Finley plantou uma horta. Cansado de dirigir 45 minutos para encontrar alimentos saudáveis e convicto de que hortas urbanas são um antídoto para problemas de saúde, pobreza e violência da cidade, resolveu dar um destino melhor à faixa de grama seca na frente de sua casa.

Em Los Angeles, a responsabilidade pela manutenção da calçada e de sua vegetação é de cada morador, mas a lei antiga não permitia o plantio de alimentos no local. Alguém então denunciou a horta clandestina de Finley, que acabou recebendo a seguinte notificação da prefeitura: se não limpar o terreno, o próximo passo será um mandado de prisão. O estilista, determinado, fincou o pé e desafiou a burocracia. Não só não derrubou a horta, como conseguiu o apoio de outros jardineiros e simpatizantes da ideia e conseguiu uma alteração na lei: agora é permitido plantar alimentos pelas ruas da cidade.

Por acreditar que plantar comida é uma ferramenta de educação e transformação do bairro, Finley fundou uma rede de jardineiros voluntários, a LA Green Grounds. Ele tem planos de ocupar todos os terrenos baldios de Los Angeles com jardins comestíveis, formando uma “floresta de comida”. Neste vídeo (com legendas em português), ele conta um pouco mais:




As nossas hortas urbanas

O Hortelões Urbanos é talvez o maior e mais conhecido grupo dedicado ao cultivo de alimentos na cidade. Conta com mais de 5 mil participantes e se encontra no Facebook para trocar experiências sobre o cultivo doméstico e organizar mutirões nas hortas comunitárias da cidade. Para plantar alimentos em áreas públicas de São Paulo, como praças, canteiros e terrenos abandonados, é simples: basta solicitar autorização da subprefeitura. No jardim de casa ou no vaso do apartamento, não custa nada.

Andrea e Ariel, participantes ativos do grupo Hortelões Urbanos, contam como vêem o processo de sensibilização para a criação de hortas urbanas em São Paulo e por que isso é importante para eles e para a cidade:

"As hortas urbanas, a meu ver, têm um incrível poder transformador. Na horta das Corujas, pequenos milagres acontecem todos os dias. Às vezes estamos cavando um canteiro novo e aparece uma nascente borbulhando. Às vezes vemos pica-paus, insetos coloridíssimos que ninguém nunca conhecia, borboletas e maritacas em bandos. De repente uma muda que parecia morta começa a verdejar, vinga, e cresce diante de nossos olhos.


Quando você se dá conta, está com um monte de estranhos carregando esterco, instalando uma cacimba, cavando a terra, e mais gente se junta pra ajudar, e no fim do dia você ganhou um monte de amigos. Sentimos juntos as agruras da seca, o calor do sol, o vento gelado do inverno e vivenciamos cada estação com suas cores, cheiros, sabores. Comemoramos juntos a primavera, a água pura que brota farta, a abundância das colheitas, aprendemos e ensinamos tudo o que sabemos e sempre há algo novo a ser aprendido e ensinado. Doamos nosso tempo e ganhamos vida, amigos, alimento fresco, esperança.

A porteira da Horta das Corujas está sempre aberta para quem quiser plantar ou colher."
     
Andrea Valencio Pesek, designer

"Tem muitos objetivos e inclusive mudam para cada pessoa. Os que eu enxergo são:
Sensibilizar a população sobre temas como a crise alimentar e a importância de promover modelos de produção de alimentos justos e sustentáveis.

- Promover e buscar maior contato com a terra e a reconexão com os ciclos da natureza.
- Empoderar cada vez mais cidadãos para cultivar seu próprio alimento de forma orgânica e agroecológica e sensibilizar sobre a importância de fortalecer cadeias e empreendimentos de pequenos produtores agroecológicos e de comércio justo.
- Criar comunidades solidárias e com maior coesão social.

O processo de encher as cidades de concreto tem uma inércia grande, são muitas cadeias produtivas envolvidas e um paradigma de desenvolvimento instaurado, mas as cidades, sobre tudo as grandes, perceberam que precisam mudar, e cada vez com mais urgência. O desafio está nas pequenas e médias, elas precisam entender que podem fazer as coisas de uma forma diferente."

Ariel Kogan, engenheiro

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Seminário debate sobre alimentação indígena

Cerca de 60 mulheres, representantes de várias etnias, discutem costumes alimentares e situação nutricional nas aldeias
 
Brasília, 8 – Nestas terça (12) e quarta-feira (13), 60 mulheres indígenas de diversas etnias e de todas as regiões do país reúnem-se com representantes do governo federal, em Brasília, para discutir a segurança alimentar e nutricional nas aldeias e promover a troca de experiências, práticas e saberes entre as diferentes culturas alimentares.
 
O secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Arnoldo de Campos, participa do encontro na quarta-feira (13) pela manhã. Organizado pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), o seminário ocorre a partir das 8h, na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
 
Para acessar a programação preliminar, clique aqui.
 
SERVIÇO
Seminário de Mulheres Indígenas e Segurança Alimentar e Nutricional
Quando: terça (12) e quarta-feira (13), a partir das 8h
Onde: Sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura(Contag), SMPW Quadra 1, Conj 2, Lote 2 - Núcleo Bandeirante
 
Ascom/MDS
(61) 2030-1021

Ritual marca início dos Jogos Indígenas em Cuiabá

Foto: Albino Oliveira / MDA
Enquanto o sol se põe, anunciando o fim do dia, o primeiro guerreiro indígena entra na arena dos Jogos dos Povos Indígenas 2013. Trazendo o fogo sagrado, ele acende várias tochas que cercam o espaço. O ritual de benção marca o início oficial do evento que reúne mais de 1,6 mil indígenas de 48 etnias brasileiras, em Cuiabá (MT).

Uma diversidade de cores, texturas, sons e danças vão tomando conta do local. O encontro é uma forma de divulgar a cultura indígena. Andrea Everton, representante do Ministério do Turismo, destacou o envolvimento do Governo Federal com a realização dos jogos. “O recurso vai para as políticas que a população precisa que sejam realizadas. E a população indígena precisa e merece.”


Em nome dos povos, o indígena  Marcos Terena agradeceu o apoio ao evento. “Que esta semana seja grande para os jogos, em que o importante não é ganhar, mas celebrar”, pontuou.

Ao final da cerimônia, a plateia se juntou aos atletas na arena para assistir à queima de fogos que encerrou o evento. Também participaram da celebração, a ministra de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luíza Bairros e o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, entre outras autoridades locais.


Os jogos seguem até 16 de novembro e trazem novidades. Pela primeira vez, é montada a Feira Nacional da Agricultura Tradicional Indígena e o Encontro Nacional dos Agentes de Leitura Indígenas, promovidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. O objetivo é de aproximar as políticas do público a que se destinam.

Juliana Reis
(61) 2020-0223 / 2020-0262
imprensa@mda.gov.br

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Observatório de Iniciativas: Manifesto Cozinhista Brasileiro

Manifesto Cozinhista Brasileiro 
 
O caderno Paladar, do Estadão, lançou no dia 06 de setembro o Manifesto Cozinhista Brasileiro.  O documento é endereçado ao Ministério da Agricultura (MAPA) Pecuária e Abastecimento e à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para preservar as tradições  da cozinha brasileira. O objetivo “é chamar a atenção para as barreiras legais que chefs, produtores e consumidores enfrentam para comer o que sempre se comeu nestas terras”. E exigir mudanças.

O manifesto começa com a afirmação de que comida é cultura. Por isso, os hábitos, as tradições e os costumes devem ser respeitados. A lei, a ciência e a técnica deve conviver em harmonia com os saberes populares e tradicionais. Seis reivindicações são feitas às autoridades:

1 – que produtos e modos de fazer tradicionais sirvam de parâmetro tanto quanto a preservação da saúde;

2 – que o pequeno produtor, responsável por mais de 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro e guardião da nossa cultura gastronômica, seja valorizado e ouvido na produção das normas sanitárias;

3 – que os regulamentos técnicos, a serem lançados pelo MAPA após a revisão do Riispoa, contemplem as demandas dos produtores artesanais, e não apenas as da indústria;

4 – que os fiscais da Anvisa e dos Serviços de Inspeção Federal, Estadual e Municipal sejam treinados e orientados para compreender, na sua prática diária , as particularidades dos produtos e produtores artesanais de alimentos;

5 – que a pesquisa aplicada sobre a qualidade de nossos produtos seja fomentada, de forma descentralizada, nas várias regiões do País;

6 – que sejam mantidos abertos os canais de diálogo entre os setores da gastronomia e dos produtores artesanais com a Anvisa e o MAPA.

A petição está disponível na internet para angariar assinaturas . Cerca de 1.500 pessoas já assinaram, como chefs, gastrônomos e profissionais da área da produção e consumo de alimentos. A Malagueta já incluiu sua assinatura também e apoia esta iniciativa do Paladar.

Fonte: Malagueta
Observação: Até o dia 25/09/2012, 2.238 pessoas já haviam aderido e assinado o Manifesto.



Conheça o texto do Manifesto:

Para:Ministério da Agricultura, Anvisa e Governo Federal

Comida é cultura.
Não é apenas aquilo que nos alimenta: carrega tradições e é elemento essencial de nosso patrimônio cultural e gastronômico e fonte de emprego dos que vivem para alimentar os outros. Por isso, a regulação da comida em nosso país deve levar em conta esses fatos sem desconsiderar a segurança sanitária - que não é incompatível com as formas tradicionais de produção e uso de alimentos.

Que a ciência e a técnica nos sirvam de ferramentas para que possamos garantir a saúde e o bem-estar dos consumidores, mas que não estabeleçam restrições estranhas a nossa cultura que eliminem nossa tradições.

A preservação da cozinha brasileira significa também preservação social, cultural e ambiental. Neste momento em que o Brasil ganha crescente projeção internacional, é fundamental valorizar o que temos de peculiar, sem medo, de forma a fortalecer nosso mercado interno e mostrar ao mundo nossa riqueza gastronômica. Ora, há exemplos, como o da União Europeia, que mostram ser possível preservar a tradição gastronômica sem abrir mão da segurança sanitária.

Não se trata, portanto, de tarefa inviável - basta vontade política.

Por isso reivindicamos às autoridades do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária:

1 - que produtos e modos de fazer tradicionais sirvam de parâmetro tanto quanto a preservação da saúde

2 - que o pequeno produtor, responsável por mais de 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro e guardião da nossa cultura gastronômica, seja valorizado e ouvido na produção das normas sanitárias

3 - que os regulamentos técnicos, a serem lançados pelo MAPA após a revisão do Riispoa, contemplem as demandas dos produtores artesanais, e não apenas as da indústria

4 - que os fiscais da Anvisa e dos Serviços de Inspeção Federal, Estadual e Municipal sejam treinados e orientados para compreender, na sua prática diária , as particularidades dos produtos e produtores artesanais de alimentos

5 - que a pesquisa aplicada sobre a qualidade de nossos produtos seja fomentada, de forma descentralizada, nas várias regiões do País

6 - que sejam mantidos abertos os canais de diálogo entre os setores da gastronomia e dos produtores artesanais com a Anvisa e o MAPA

Os signatários



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Arquivo de notícias: Redução do sódio da indústria alimentícia brasileira


Documento estabelece metas para retirar 8,7 mil toneladas de sódio do mercado brasileiro até 2020

O Ministério da Saúde firmou hoje mais um compromisso para redução do sódio nos alimentos industrializados. Na manhã desta terça-feira (28) o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (ABIA), Edmundo Klotz, assinaram um documento que estabelece metas nacionais para a redução do teor de sódio dos alimentos processados no Brasil. O objetivo é melhorar a dieta dos brasileiros e promover maior qualidade de vida.

A redução será em temperos, caldos, cereais matinais e margarinas vegetais. A estimativa é retirar 8.788 toneladas de sódio do mercado brasileiro até 2020. A iniciativa faz parte do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, lançado em agosto do ano passado. Esta é a terceira etapa do acordo que o Ministério da Saúde firmou para oferecer alimentos industrializados mais saudáveis, e prevenir o desenvolvimento de doenças crônicas na população, sobretudo, entre os mais jovens.

“Com esse novo termo, pretendemos oferecer um alimento mais saudável, tanto no ambiente familiar quanto nos locais de trabalho. O Brasil se antecipa às ações que a Organização Mundial de Saúde pretende adotar em relação ao sódio. O modelo seguido pelo Ministério da Saúde pode se tornar referência para outros países”, afirma o ministro Padilha.

Nos documentos anteriores, foram contemplados macarrões instantâneos, bisnagas, pão de forma, pão francês, mistura para bolos, salgadinhos de milho, batata frita/palha, biscoitos e maionese. Somados os três convênios, a previsão é de que até 2020, estejam fora das prateleiras mais de 20 mil toneladas de sódio.

A recomendação de consumo máximo diário de sal pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de menos de cinco gramas por pessoa. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam, no entanto, que o consumo do brasileiro está em 12 gramas diários, valor que ultrapassa o dobro do recomendado.

O termo de compromisso estabelece o acompanhamento das informações da rotulagem nutricional dos produtos e as análises laboratoriais de produtos coletados no mercado e da utilização dos ingredientes à base de sódio pelas indústrias.

Edmundo Klotz, presidente da ABIA reconhece a importância do acordo. “A indústria da alimentação sabe da sua responsabilidade em contribuir para a promoção do bem-estar da sociedade, e por isso, investe recursos e energia para melhorar o perfil nutricional dos alimentos processados. Esse termo é apenas mais uma etapa da parceria entre a associação e o Ministério da Saúde, que vem trazendo muitos benefícios à saúde da população brasileira”, reitera.

Qualidade de Vida – O acordo com a indústria faz parte de uma série de ações que promovem a melhoria da qualidade de vida da população hipertensa. Pesquisa realizada com mais de 54 mil brasileiros em 2011 revelou que a hipertensão arterial atinge 22,7% da população adulta. Se o consumo de sódio for reduzido (para a recomendação diária da OMS), os óbitos por acidentes vasculares cerebrais podem diminuir em 15%, e as mortes por infarto em 10%. Ainda estima-se que 1,5 milhão de brasileiros não precisaria de medicação para hipertensão e a expectativa de vida seria aumentada em até quatro anos.

Veja no link da fonte algumas das metas de redução de sódio no Brasil.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Publicações - Alimento: Direito Sagrado

Mais uma publicação interessante para quem trabalha com Saúde e Cultura.

O livro abaixo pode ser conferido integralmente no link ao final da postagem.

Alimento: Direito Sagrado

Apresenta os resultados da Pesquisa Socioeconômico e Cultural de Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiros, realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Belém, Belo Horizonte e Porto Alegre. Com a pesquisa, o Estado brasileiro reforça o compromisso com o direito humano à alimentação adequada, garantindo a esses povo e comunidades o respeito às práticas ritualísticas tradicionais

Resumo: Apresenta os resultados da Pesquisa Socioeconômico e Cultural de Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiros, realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Belém, Belo Horizonte e Porto Alegre. Com a pesquisa, o Estado brasileiro reforça o compromisso com o direito humano à alimentação adequada, garantindo a esses povo e comunidades o respeito às práticas ritualísticas tradicionais.
Vários autores

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Alimento: direito sagrado – Pesquisa Socioeconômica e Cultural de Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiros. Brasília: SAGI, 2011. 200 p. ISBN: 978-85-60700-50-9.



“Tudo começa e acaba com comida, tudo começa e acaba com
cânticos, porque para nós aqui os cânticos são primordiais, a
gente canta para morrer, canta para nascer, canta para acordar
de manhã, canta para dormir, tudo é cantado no candomblé (...)
então essa é uma importância muito grande para nós, da alimentação,
de alimentar, de preparar essa comida, de comungar com
essa comida, de distribuir essa comida para a comunidade.”

Tat’etu Arabomi


terça-feira, 3 de julho de 2012

Rede Saúde e Cultura vai participar do 13º Encontro Cultural de Milho Verde

A Rede Saúde e Cultura vai marcar presença no 13º Encontro Cultural de Milho Verde que acontece em julho no Distrito de Milho Verde, município do Serro. No dia 20 de julho, haverá uma oficina da Rede, de 9h às 11h, com a presença da coordenadora do projeto. 

O Encontro é promovido pelo Instituto Milho Verde, responsável pelo Ponto de Cultura "Cordão Cultural por Milho Verde", um dos ganhadores do Prêmio Saúde e Cultura 2010 com o projeto da Pharmacinha Comunitária de Plantas Medicinais. Além da oficina, a programação do Encontro contempla outras atividades da interface saúde e cultura - troca de experiências sobre geoterapia (cura com argila), uso de plantas medicinais nativas, Florais de Bach, prática de yoga e alimentação na Ayurveda - sempre regadas a lanche com ingredientes saudáveis.

Mais informações: www.institutomilhoverde.org.br.

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