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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Fotógrafo Sebastião Salgado pede apoio para a revitalização do Rio Doce

" Se não fizermos alguma coisa, ele irá morrer", alerta o fotógrafo
 Carlos Herculano Lopes


O fotógrafo Sebastião Salgado, que veio a Belo Horizonte para abertura da Exposição Genesis, aproveitou a passagem pela capital mineira para manifestar preocupação com o Rio Doce, um dos mais importantes de Minas. Natural de Aimorés, na Região Leste do estado, Salgado costumava nadar nessas águas quando era criança. Hoje, desenvolve projeto para tentar melhorar as condições do rio. “Temos um projeto para ajudar a revitalizá-lo. O Doce, que é um dos rios mais importantes do Sudeste brasileiro, já foi navegável, tinha uma fundura média de quatro metros, o que hoje é de cerca de 70 centímetros. Se não fizermos alguma coisa ele irá morrer”, disse ontem, em entrevista no Palácio das Artes. “Mas para isso precisamos de ajuda, precisamos de financiamentos para ajudar a recuperar as centenas de nascentes que o formam. Já conseguimos recuperar cerca de 600, mas isso ainda não é o bastante, porque elas são milhares”, acrescentou.

Salgado mencionou também projeto em andamento relacionado aos os índios brasileiros.
Recentemente, o fotógrafo desenvolveu trabalhos com os Ianomâmis e tribos maranhenses. “Por incrível que pareça, no Brasil ainda existem cerca de 100 tribos que não tiveram nenhum contato com os brancos. A Funai tem o mapeamento de todas, e caberá a elas decidir ou não se querem essa aproximação conosco”, afirmou. Em Genesis, podem ser vistas fotos feitas com povos indígenas de estados brasileiros como o Pará e o Mato Grosso, e também da Venezuela.

Na entrevista sobre a Exposição Genesis, que poderá ser visitada pelo público de amanhã até 24 de agosto, na Grande Galeria do Palácio das Artes e na Sala Maris´Stella Tristão, Salgado disse que a ideia de realizá-la nasceu há alguns anos Fazenda Bulcão, em Aimorés. Lá, ele e sua mulher, a arquiteta Lélia Wadick Salgado, criaram o Instituto Terra, projeto de recuperação da Mata Atlântica, que engloba uma área de mais de 700 hectares. Do início dos anos 2000, até hoje, já foram plantadas mais de dois milhões de árvores no local.

“Eu estava muito deprimido após a realização de Êxodus, que foi de 1994 a 1999, tinha viajado muito para várias partes da terra e visto coisas que realmente me deixaram muito triste, muito descrente com o ser humano, pelas coisas horríveis que ele é capaz de fazer. Cheguei até a pensar em deixar a fotografia e voltar para o interior de Minas. Foi quando Lélia, olhando para as terras da fazenda, onde eu tinha passado a infância, me deu a ideia de reflorestarmos tudo aquilo, e em consequência disso veio a vontade de também realizar Genesis, projeto no qual trabalhamos de 2004 a 2011”, contou.

Seleção 

A mostra, com curadoria de Lélia Wadick Salgado, casada há 51 anos com Sebastião Salgado, tem encantado milhares de pessoas em todo o mundo – no Brasil já foi vista no Rio, São Paulo, Santo André e Porto Alegre, antes de chegar à capital mineira. São 245 fotografias, divididas em cinco sessões geográficas. Elas mostram lugares da terra e povos que não tiveram maiores contatos com a civilização. “Não foi fácil fazer a seleção das fotos, entre milhares de originais, mas no final acho que deu certo, e estamos muito felizes em compartilhá-las com os mineiros. Minha mensagem, na essência, é que temos obrigação de ajudar a preservar o planeta. Cada um de nós deve fazer a sua parte. Pelo menos é isso que estamos tentando com nosso trabalho”, disse Lélia.

Sebastião Salgado compartilha com as opiniões da sua mulher, e é otimista em relação ao futuro da Terra. Acredita que o planeta, como um todo, irá sobreviver, pois tem um poder de recuperação muito grande. Basta deixá-lo em paz, que ele se recupera. Já não pensa o mesmo em relação ao homem, que se continuar no ritmo de autodestruição em que se encontra atualmente, tem uma “boa chance”, segundo ele, de desaparecer da face da terra. “O que será uma pena, pois ainda temos muito o que descobrir”, diz.

Aplausos em bate-papo

Depois de entrevista sobre a Exposição Genesis, Sebastião Salgado e Lélia Wanick Salgado foram recebidos com empolgação por cerca de 1,7 mil pessoas que lotaram o Grande Teatro do Palácio das Artes, à noite, para participar do projeto Sempre um papo. Os dois foram aplaudidos de pé assim que entraram no local. Na plateia, elogios e alegria por conhecer o fotógrafo mais de perto. “O trabalho de Sebastião Salgado é fundamental para a fotografia brasileira e mundial. A questão dos deslocamentos de população, por exemplo, é assunto relevante e vai ficar marcado para o resto da história da fotografia”, avaliou o gerente-executivo do Grupo Galpão, Fernando Lara. “Salgado é um ícone, uma lenda viva. Quero conhecer um pouco mais dele”, disse a musicista Kátia Rocha. A professora Raquel de Meirelles, por sua vez, definiu o fotógrafo como um gênio. “A imagem dele é carregada de assuntos relativos às questões sociais e isso me toca muito”, afirmou. (Landercy Hemerson)

Fonte: Estado de Minas

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Semana Nacional Ciência, Cultura e Saúde


Semana Nacional Ciência, Cultura e Saúde 

Por meio de performances teatrais, musicais, e cortejo feito pelas ruas do Rio de Janeiro, participantes abordam temas como saúde e cuidado

O profano e o sagrado foram lembrados por meio de canções e representações no primeiro dia da Semana Nacional Ciência, Cultura e Saúde, realizada no Rio de Janeiro entre 3 e 5 de dezembro. Músicos, atores, profissionais de saúde, representantes de movimentos indígenas, negros, religiosos, homossexuais e travestis, entre outros grupos, ocuparam a Candelária – praça localizada no centro da cidade – com performances teatrais e musicais, que mostravam vivências e reflexões sobre saúde e cuidado.

Cortejo na Cinelândia - Foto: Claudio Prata
Um boneco gigante da psiquiatra Nise da Silveira, precursora da ideia de uma atenção mais cuidadosa e humanizada para o doente mental, e um carro abre alas com uma onça pintada puxaram um cortejo que convidava as pessoas e os cidadãos a pensarem sobre saúde. Cantos falavam sobre a importância da paz, da necessidade do respeito às diferenças e de dar voz ao sentimento de inconformidade para transformar uma sociedade doente que está se matando por meio da violência, do stress e pela perda do contato com a capacidade de ser feliz, gentil e cuidadoso.
Boneco Nise da Silveira. Foto: Marcus Plessman

Da praça, localizada próxima a espaços culturais importantes como a Biblioteca Nacional e os teatros Municipal e o de Dança e Música, o cortejo seguiu pelas ruas do centro do Rio até o Palácio Capanema. Sob os pilotis do Palácio, uma feira de saúde e cultura apresentava práticas como reflexologia, auriculoacupuntura, massagem terapêutica e reiki. Algumas Organizações não governamentais mostraram suas atividades como a Mães pela Igualdade, que disponibilizou totens com depoimentos de mulheres sobre a luta pelo respeito aos seus filhos homossexuais. “Meu filho sempre foi discriminado na escola, na escola, na rua, na igreja. A sociedade abre espaços para os gays, mas também tem um enorme preconceito”, disse a representante de Brasília Jacinta Fonte.
Feira e Ocupação - Palácio Capanema. Foto: Claudio Prata

A Escola Municipal Professor Eliseu Paglioli, de Porto Alegre (RS) atende alunos com deficiência intelectual e expôs caleidoscópios feitos em oficinas de educação ambiental, em que são ensinados conceitos de redução, reaproveitamento e reciclagem.  

O segundo dia de atividades foi realizado no campus da Fiocruz, na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), com a continuidade da feira saúde e cultura e início das discussões dos grupos de trabalho, sobre os seguintes temas: práticas tradicionais em saúde; práticas integrativas e complementares em saúde; equidade em saúde e cultura; saúde indígena; saúde mental; a arte e o cuidado à saúde (promoção, prevenção e reestabelecimento da saúde); controle social, participação e solidariedade; acesso a conhecimentos e expressões culturais tradicionais e necessidades de formação para apoiar a gestão, os serviços e as práticas na interface saúde e cultura.

Feira Saúde e Cultura na ENSP. Foto: Comunicação Fiocruz

O terceiro e último dia de atividades aconteceu no Instituto Nise da Silveira, trazendo para a prática a articulação entre saúde e cultura. Foi realizada a plenária resultante dos grupos de trabalho organizados no segundo dia de atividades, seguido de um momento de apresentação da Rede, sempre entremeados de manifestações culturais.

Plenária no Instituto Nise da Silveira. Foto: Marcus Plessman

A Semana é promovida pela Fiocruz, por meio da FIOCRUZ Brasília – Programa de Educação, Cultura e Saúde (Pecs) -, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Ensp, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (Icict); pelo Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural, (SCDC/MinC); pelo Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Gestão Participativa, pelas Secretarias Estaduais de Cultura e Saúde do Rio de Janeiro, e pela Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro, por meio do Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde, com a colaboração de movimentos sociais, entre outros.

Fonte: Portal Fiocruz, com colaboração da Rede Saúde e Cultura Minas Gerais.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Integrantes da Rede Saúde e Cultura: Exposição Dona Helena e seus saberes vai a Araçuaí



A Exposição Dona Helena e seus saberes chega a Araçuaí nesta sexta feira, dia 26 de outubro. Quem tiver a oportunidade irá conferir os trabalhos de um dos parceiros da Rede Saúde e Cultura, Lori Figueiró, integrante do Ponto de Cultura AJENAI e do Memorial do Vale.

Não percam!


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Integrantes da Rede Saúde e Cultura: Lori Figueiró


Iniciamos com este post uma série de apresentações de trabalhos de integrantes da Rede Saúde e Cultura e quem estréia o quadro é o fotógrafo Lori Figueiró.

Lori tem um belo trabalho de registro da memória local na região do Vale do Jequitinhonha, atuando no Centro de Cultura Memorial do Vale. Você pode conferir mais sobre seu trabalho em http://lorifigueiro.blogspot.com/

A exposição "Dona Helena e Seus Saberes" compôs o Espaço Saúde e Cultura do 44º Festival de Inverno da UFMG, durante os dias 16 a 24 de julho de 2012. Quem não pôde conferir ou quer matar a saudade das belas fotos e a história por trás delas, fique à vontade para apreciá-la nesta postagem.

Esperamos que nossos leitores possam se emocionar conosco, com a beleza e a diversidade dos integrantes da Rede Saúde e Cultura Minas Gerais.



Dona Helena e Seus Saberes
Fotografias de Lori Figueiró
Atualmente, vivemos em uma época de grandes transformações, principalmente nas áreas econômica, tecnológica e sociológica (através da globalização da informação). Esse contexto cria a necessidade de refletirmos acerca do lugar em que se coloca o universo individual, principalmente a individualidade ainda não totalmente integrada a uma cultura urbana, mas representativa de um universo rural e isolado, em franco processo de esfacelação.



as cartas mesmo... outro dia mesmo, tinha uma pessoa... falava: ‘Está usando carta mais não! Isso agora é telefone para todo canto; tem celular... não Helena, porque as cartas que você escrevia...’.
Eu escrevia cinco, seis cartas por noite, porque de dia eu trabalhava para os outros... eu não tinha tempo... à noite que eu ia escrever... o pessoal só trazia o envelope e o papel... só, pronto!”



Num conjunto de imagens que se propõe a desvendar o pessoal, a representação dos objetos que compõem essa identidade exige constantemente uma seleção, pois qualquer tipo de redundância figuraria como sinônimo, acabando não significando coisa alguma em meio ao conjunto da obra. Este foi o desafio – delicioso desafio – que Lori Figueiró enfrentou.



 Prova disso é a profusão de imagens no universo virtual que não nos dizem nada, pois são tomadas pela ilustração e pela figura e não pela sua representação artística. Se o distanciamento de outrora foi sendo substituído pela conectividade, nem por isso as identidades locais se transformaram completamente; elas, por meio da comparação com outras comunidades, passaram a reconhecer a sua importância e o caráter único e individualizante que lhe confere sua identidade, compreendendo a permanência como algo diferente do engessamento de suas práticas e saberes. Assim aconteceu em São Gonçalo do Rio das Pedras, distrito do Serro.


 Dona Helena é uma pessoa “conectada” ao mundo porque ela o percebe, entende suas transformações e pensa a sua inserção nele, mas sem abrir mão de sua individualidade. Escreve poemas, cria e recria seu presépio e as histórias que conta.



Recriar assim... porque, naquele tempo, os pais da gente... no interior é interior, é cultura do interior, até o palavreado... tudo é do interior... e eles contavam as histórias simples... tudo do jeito que eles também escutaram dos pais deles e eles passavam para a gente... e hoje eu conto para as pessoas de fora... então...”

 Numa conversa ela lamenta a sorte de chineses, após algum desastre natural e, no instante seguinte, comenta que a industrialização/mecanização deixou de empregar: “agora trabalham dez onde trabalhavam cem...”. Ela lembra um Guimarães Rosa de saias:


A vida é mais ou menos... porque você leva esta vida ‘mais ou menos’ até o fim e ninguém está sabendo o que está acontecendo com você, o que está passando... é ‘mais ou menos’, uai! No mesmo dia você está triste, pensativo e tudo... (alguém pergunta:) ‘Como você está? Tudo bem?’ (e você responde:) ‘Mais ou menos’!
Pronto! E você empurra tudo para a frente!”


 Com esta exposição o Museu do Diamante é o conector que mostra “um mundo” para as pessoas e os saberes desta mulher... e, quando encontrá-la, ela gostará de conhecer os seus saberes.





Exposição realizada por

MUSEU DO DIAMANTE – IBRAM – MINC 









quarta-feira, 25 de julho de 2012

Confira mais fotos das atividades do Espaço Saúde e Cultura


Lucely Pio (à direita), da Articualção Pacari, participa da
roda sobre farmácias populares - 20/07
Roda de Conversa "Experiências de Farmácias Populares"
Terezinha Santos e Cleonice Silva, de Araçuaí  - 20/07

Lançamento do filme "Filhos Separados", da Viraminas
Associação Cultural - 21/07

Roda de conversa "O uso da fotografia no contexto da saúde
pública", com Maria José Nogueira - 21/07

Roda de conversa com apresentação de trabalhos do
Programa de Educação  Tutorial da UFVJM - 23/07




Roda de conversa "Experiência das Casinhas de 
Cultura com conhecedores tradicionais" - 23/07
Roda de conversa "Alimentação e Cultura - classificações
paralelas de alimentos" com Nadja Murta (UFVJM) - 24/07


Roda de conversa com experiência do Mestrado em 
Saúde, Sociedade e Ambiente da UFVJM 24/07


Fotos: Mônica Profeta e Renata Santos



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