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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Escola de Enfermagem da UFMG: Professoras coordenam telenovela sobre educação alimentar e nutricional que será exibida em restaurantes populares

Criar estratégias de educação alimentar e nutricional para usuários de restaurantes populares de Belo Horizonte. Essa é a propostas da telenovela “O Caminho do Meio”, iniciativa da Escola de Enfermagem da UFMG em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte. O lançamento foi realizado na tarde de ontem, 5 de junho, no auditório Maria Sinno da Escola de Enfermagem da UFMG.


As coordenadoras, professoras Flávia Gazzinelli e Simone Cardoso (à direita) e a equipe da telenovela

Coordenada pelas professoras Maria Flávia Gazzinelli Bethony, do Departamento de Enfermagem Aplicada, e Simone Cardoso Lisboa Pereira, do Departamento de Nutrição, a obra faz parte do projeto de pesquisa “Perfil sociodemográfico, nutricional e psicossocial dos usuários dos restaurantes e refeitório populares de BH-MG: fundamento para a elaboração de uma intervenção educativa alimentar e nutricional”. A promoção da alimentação saudável; a prevenção de doenças crônicas e a importância da atividade física são alguns dos temas abordados.

De acordo com a enfermeira e arteterapeuta Juliana Maria de Melo, responsável pelo texto da telenovela, juntamente com o acadêmico de Enfermagem Relbson Matos, o trabalho foi pensado pela professora Flávia Gazzinelli para transmitir um conteúdo que se que se diferenciasse da didática e estética habitual, fazendo com que o espectador se identificasse como sujeito da sua própria história de vida. “A ideia principal era sintonizar os temas com a nossa linguagem do cotidiano”, explicou. 



Para Gazzinelli, o projeto visa promover reflexões e possíveis mudanças de atitudes e de práticas relacionadas à alimentação. “Essa telenovela trabalha não só com o conhecimento científico, mas mobiliza as pessoas afetivamente. Nós acreditamos que ela tem um potencial muito grande em instigar o movimento, deslocando essas pessoas de uma posição e as colocando para pensar sobre seus hábitos alimentares”, afirmou. 

A professora falou, ainda, sobre o processo inicial de catalogação de informações para a construção do projeto. “Para a criação da telenovela, nós fizemos antes um levantamento socioeconômico, nutricional e psicossocial dos usuários que frequentam os restaurantes populares e de posse desses dados é que demos início ao processo de criação. Buscamos entender primeiro quem são esses usuários; qual a classe social e econômica deles; como se alimentam; que dificuldades têm para se alimentar de maneira mais saudável e quais barreiras eles encontram para isso; como eles vêem a sua própria alimentação, entre outras questões”, explicou


O desafio da implementação da telenovela também foi citado por Flávia Gazzinelli. “Vamos fazer um estudo piloto em um restaurante inicialmente, para saber como será a repercussão dessa telenovela junto aos usuários e fazer os ajustes que forem necessários. Como educadores, sabemos que a telenovela é uma estratégia pedagógica, então, para ser bem sucedida, ela depende do envolvimento e da postura das pessoas que vão educar. Mais importante que a telenovela em si é a forma como ela vai ser utilizada e como vai acontecer naqueles espaços educativos”.

Segundo a professora Simone Cardoso, que também coordena o projeto, uma das estratégias do governo para promover a segurança alimentar e nutricional da população e reduzir o número de pessoas em situação de insegurança alimentar é o programa restaurante popular. “Ele é reconhecido nacional e internacionalmente como uma prática bem sucedida de administração pública, oferecendo refeições saudáveis a preços acessíveis”, esclareceu.


A professora explicou que foram estudados 1656 usuários dos restaurantes populares da capital mineira. No perfil sociodemográfico, ela afirmou que observou-se predominância de usuários do sexo masculino, em idade economicamente ativa, trabalhadores, de classe econômica c, sem parceiro e com ensino médio. No que diz respeito ao perfil nutricional, a professora destacou que é uma maior proporção de indivíduos sem excesso de peso (59,7%) e predominância de usuários (73,4%) com hábito alimentar não adequado. Já no perfil psicossocial, Simone Cardoso ressaltou que os resultados apontaram que 52,9% não realiza e nem esperam realizar mudanças na alimentação e 65,2% dos usuários dos RPBH-MG relataram ter dificuldade para se alimentar de forma saudável. “Para os usuários em segurança alimentar a principal mudança é cortar, reduzir e evitas doces, frituras e a principal dificuldade é a falta de tempo(82,9%). Já para os usuários em insegurança alimentar, as mudanças que precisam fazer para se alimentarem de maneira saudável estão relacionadas a consumirem mais frutas, verduras e legumes. Sinalizam a condição financeira como principal dificuldade para se alimentarem de forma mais saudável”, enfatizou.



Logo após a exibição da telenovela foi realizada uma roda de conversa com as atrizes Glenda Bastos e Kátia Assis; a responsável pelo texto, Juliana Maria de Melo; o diretor da obra, Marcelo do Vale, e a coordenadora do projeto, professora Flávia Gazzinelli. “Foi uma mesa multidisciplinar onde pessoas com experiências diferentes e de áreas de conhecimento diferentes contaram como foi à experiência de participar do processo de construção da telenovela”, explicou Flávia. 
Juliana Maria de Melo, Flávia Gazzinelli, Glenda Bastos, Kátia Assis e o diretor da telenovela, Marcelo do Vale
Fonte: Escola de Enfermagem da UFMG

terça-feira, 18 de março de 2014

Programa Ecoforte apoiará redes da agroecologia

Lançado na sexta-feira (14) no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), o Programa Ecoforte vai apoiar organizações que atuam na promoção da agroecologia, extrativismo e produção orgânica. Faz parte do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Brasil Agroecológico), e seu primeiro edital prevê o investimento de R$ 25 milhões financiados pela Fundação Banco do Brasil, o Fundo Amazônia e o Fundo Social do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A solenidade contou com a presença do Ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e representantes do governo e da sociedade civil.

O Ecoforte visa fortalecer as redes de agroextrativismo e produção agroecológica e orgânica, com foco em produtores familiares, extrativistas, povos e comunidades tradicionais, dando ênfase na inclusão das mulheres e juventudes, explicou Conceição Gurgel, da Fundação Banco do Brasil. Vai ampliar o trabalho que as redes desenvolvem nos territórios com a produção de base agroecológica e identificar práticas e instrumentos que fortaleçam essas unidades, complementou.

De acordo com Denis Monteiro, secretário executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), é muito significativo o lançamento do programa no ano internacional da agricultura familiar, camponesa e indígena, e num momento em que o mundo busca soluções para crises que colocam críticos desafios à segurança e soberania alimentar. Ele também se referiu ao recente documento do relator da ONU para o direito humano à alimentação, que aponta a agroecologia como enfoque para a reestruturação dos sistemas agroalimentares. 

“A agroecologia proporciona as condições para a produção de alimentos em quantidade, qualidade, e diversidade, promovendo a saúde humana e ambiental, evitando desmatamentos e conservando os solos, as águas e a biodiversidade. Para a ANA, o Plano é a expressão do reconhecimento do atual governo federal desses potenciais da agroecologia. Como sociedade civil organizada, cobraremos sua efetivação. O Programa Ecoforte, ao se orientar pelo enfoque territorial, é um elemento chave para a efetivação do Planapo”, afirmou Monteiro. Ele mencionou, no entanto, que a expectativa era de um montante maior de recursos destinados ao primeiro edital.

“É um estado feito pelas elites para financiar os grandes, e nós vamos tentando mudar a lógica. Mas dá um trabalho enorme, tudo para eles é rápido e para os pequenos é um esforço enorme. As pessoas que estão no governo e têm juízo sabem que isso passa, e só vale quando você presta um serviço exatamente na lógica que nos moveu na década de 70, que é o ideal de construir a justiça. E o projeto da agroecologia é lindo, produzir o alimento respeitando a terra e dando autonomia para as pessoas viverem com dignidade e ao mesmo tempo oferecendo um produto que dá vida saudável, não dá câncer. É evidente que estamos felizes ainda que esse resultado esteja longe do que gostaríamos, queria estar anunciando muito mais, mas vamos continuar brigando. Os recursos públicos serão democratizados, acabou o tempo da casa grande e da sensala”, destacou o ministro.

O secretário geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, reconheceu a limitação do programa frente às iniciativas do governo em relação a outras políticas. Disse ainda que é o resultado da costura paciente, feita pela pressão, briga, protesto e generosidade de quem faz militância e aqueles que ocupam postos dentro do estado. Para ele, as conquistas ainda são pequenas mas alguns caminhos estão sendo encontrados para mudar a lógica do Estado graças a pressão dos movimentos sociais.

Resultado da luta histórica de um conjunto de pessoas e organizações, o Ecoforte é um dos programas mais importantes para consolidação do Planapo, reforçou Sandra Procópio, membro da Subcomissão Temática de Produção Orgânica. “Não é um favor, é um direito, resultado de um longo processo de construção. Dentre os desafios, esperamos que o impacto do programa chegue às pessoas onde o próprio censo do governo mostra como populações mais vulneráveis, e ajude a superar o problema da fome que ainda temos. Pensar num estado e processo que supere os mecanismos de burocracia para acesso dos programas e políticas do governo. Supere também a violência de gênero, a participação desigual das mulheres nas ações e execuções. O que estamos construindo é para as futuras gerações, outro modelo de sociedade que acreditamos ser possível”, ressaltou.

Ainda que limitado, esse é apenas o primeiro edital nessa linha financiado pelo BNDES, afirmou Francisco Oliveira, assessor da presidência do banco. Segundo ele, a agroecologia é estratégica na linha de financiamento da entidade para a agricultura e a agricultura familiar. “Cabe às organizações cobrar do banco o financiamento. BNDES tem um papel importante no Pronaf, é preciso chamá-lo e criar programas de convergência para que papeis se somem. Foi assim no Terra Forte, e acreditamos que seja assim no Ecoforte também. Não é a fundo perdido, como se dizia antigamente, é recurso não reembolsável, é parte do lucro do banco. Estamos dispostos a fazer muitos editais, temos que ir atrás dos recursos e cumprir com os compromissos. Se trata de uma disputa de fundo público. É preciso contar com entidades fortes da sociedade civil. Exemplo das cisternas da ASA, ao todo 20 mil, R$ 200 milhões”, disse.

O Programa Ecoforte vai apoiar projetos voltados à instensificação das práticas de manejo sustentável de produtos da sociobiodiversidade e de sistemas produtivos e de base agroecológica. O total dos investimentos está na ordem de R$ 175 milhões, e no primeiro edital serão destinados R$ 25 milhões a 30 projetos selecionados, cada um no valor máximo de R$ 1,25 milhão. Os agricultores familiares, assentados da reforma agrária, povos e comunidades tradicionais e indígenas, bem como suas associações e cooperativas, serão os beneficiários. Os projetos terão dois anos para a execução. Mais detalhes do Programa na página da Fundação Banco do Brasil.

Fonte: Articulação Nacional de Agroecologia

quinta-feira, 6 de março de 2014

FAO exige melhor distribuição de produção alimentícia contra fome

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) exige uma melhor distribuição da produção alimentícia no mundo para evitar situações de fome em regiões pobres ou atingidas por conflitos.

Assim disse o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, à margem de um Fórum Mundial sobre agricultura familiar que termina nesta quinta-feira em Budapeste.

Apesar de em nível global a produção de alimentos "está bem", há problemas e desafios locais na distribuição, o que limita o acesso a produtos básicos para a sobrevivência, disse Silva em declarações à Agência Efe.

"Há uma estreita relação entre conflito e fome. Onde há fome há conflito e onde há conflito há fome", destacou o diretor-geral da FAO, ao assinalar especificamente regiões como o Sahel (uma das regiões mais pobres do planeta), os territórios palestinos e o Líbano.

Nestas regiões há "uma convergência de problemas", que não são só políticos, mas também estão relacionados com a escassez de água e de terras aráveis, acrescentou.

"A agricultura ali é muito difícil", lembrou ele, cuja organização, com sede em Roma, tem como principal objetivo erradicar a fome no mundo.

Segundo dados da FAO, 90% dos alimentos são produzidos pela agricultura familiar, que ao mesmo tempo é uma das maiores fontes de emprego no mundo todo. A agricultura familiar é uma forma de organizar a atividade agrícola, florestal, de pesca e de pastoreio, administrada por famílias.

A inclusão das mulheres na produção agrária e a promoção desse ofício entre os jovens são alguns dos temas que 500 delegados de uma centena de países debatem no fórum desta semana na capital da Hungria.

A FAO "está empenhada" em fomentar o papel das mulheres na rede alimentícia, na manufatura, o comércio e a agroindústria em geral, destacou Silva. É que em diferentes culturas a mulher continua excluída do acesso às terras, como, por exemplo, no caso das heranças, que costumam estar dominadas pelos homens.

Mas não só os desequilíbrios de produção e acesso às terras são um problema, também é preciso combater o mau consumo e o esbanjamento dos alimentos, alertou Silva.

"Temos que aprender a comer melhor", afirmou o diretor-geral da FAO, aludindo a que 30% dos alimentos produzidos no mundo terminam no lixo.

"As pessoas pobres, inclusive dos países produtores (de alimentos) não comem bem", disse Silva, mencionando o caso dos países da América Latina, uma das regiões agrárias mais importantes do mundo.
Além disso, Silva destacou que a agricultura familiar costuma ser "guarda da biodiversidade", com uma produção agrária sustentável.

A FAO declarou 2014 o "ano da agricultura familiar", à qual dedicará vários eventos e conferências nos próximos meses.

Fonte: Terra

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Jardineiro clandestino muda a lei da cidade para plantar comida

Ron Finley, o estilista que planta hortas em Los Angeles
Estilista quer hortas em todos os terrenos baldios de Los Angeles

Entre o meio-fio e a calçada, num bairro de classe média baixa repleto de lojas de bebida, fast food e terrenos baldios, o estilista americano Ron Finley plantou uma horta. Cansado de dirigir 45 minutos para encontrar alimentos saudáveis e convicto de que hortas urbanas são um antídoto para problemas de saúde, pobreza e violência da cidade, resolveu dar um destino melhor à faixa de grama seca na frente de sua casa.

Em Los Angeles, a responsabilidade pela manutenção da calçada e de sua vegetação é de cada morador, mas a lei antiga não permitia o plantio de alimentos no local. Alguém então denunciou a horta clandestina de Finley, que acabou recebendo a seguinte notificação da prefeitura: se não limpar o terreno, o próximo passo será um mandado de prisão. O estilista, determinado, fincou o pé e desafiou a burocracia. Não só não derrubou a horta, como conseguiu o apoio de outros jardineiros e simpatizantes da ideia e conseguiu uma alteração na lei: agora é permitido plantar alimentos pelas ruas da cidade.

Por acreditar que plantar comida é uma ferramenta de educação e transformação do bairro, Finley fundou uma rede de jardineiros voluntários, a LA Green Grounds. Ele tem planos de ocupar todos os terrenos baldios de Los Angeles com jardins comestíveis, formando uma “floresta de comida”. Neste vídeo (com legendas em português), ele conta um pouco mais:




As nossas hortas urbanas

O Hortelões Urbanos é talvez o maior e mais conhecido grupo dedicado ao cultivo de alimentos na cidade. Conta com mais de 5 mil participantes e se encontra no Facebook para trocar experiências sobre o cultivo doméstico e organizar mutirões nas hortas comunitárias da cidade. Para plantar alimentos em áreas públicas de São Paulo, como praças, canteiros e terrenos abandonados, é simples: basta solicitar autorização da subprefeitura. No jardim de casa ou no vaso do apartamento, não custa nada.

Andrea e Ariel, participantes ativos do grupo Hortelões Urbanos, contam como vêem o processo de sensibilização para a criação de hortas urbanas em São Paulo e por que isso é importante para eles e para a cidade:

"As hortas urbanas, a meu ver, têm um incrível poder transformador. Na horta das Corujas, pequenos milagres acontecem todos os dias. Às vezes estamos cavando um canteiro novo e aparece uma nascente borbulhando. Às vezes vemos pica-paus, insetos coloridíssimos que ninguém nunca conhecia, borboletas e maritacas em bandos. De repente uma muda que parecia morta começa a verdejar, vinga, e cresce diante de nossos olhos.


Quando você se dá conta, está com um monte de estranhos carregando esterco, instalando uma cacimba, cavando a terra, e mais gente se junta pra ajudar, e no fim do dia você ganhou um monte de amigos. Sentimos juntos as agruras da seca, o calor do sol, o vento gelado do inverno e vivenciamos cada estação com suas cores, cheiros, sabores. Comemoramos juntos a primavera, a água pura que brota farta, a abundância das colheitas, aprendemos e ensinamos tudo o que sabemos e sempre há algo novo a ser aprendido e ensinado. Doamos nosso tempo e ganhamos vida, amigos, alimento fresco, esperança.

A porteira da Horta das Corujas está sempre aberta para quem quiser plantar ou colher."
     
Andrea Valencio Pesek, designer

"Tem muitos objetivos e inclusive mudam para cada pessoa. Os que eu enxergo são:
Sensibilizar a população sobre temas como a crise alimentar e a importância de promover modelos de produção de alimentos justos e sustentáveis.

- Promover e buscar maior contato com a terra e a reconexão com os ciclos da natureza.
- Empoderar cada vez mais cidadãos para cultivar seu próprio alimento de forma orgânica e agroecológica e sensibilizar sobre a importância de fortalecer cadeias e empreendimentos de pequenos produtores agroecológicos e de comércio justo.
- Criar comunidades solidárias e com maior coesão social.

O processo de encher as cidades de concreto tem uma inércia grande, são muitas cadeias produtivas envolvidas e um paradigma de desenvolvimento instaurado, mas as cidades, sobre tudo as grandes, perceberam que precisam mudar, e cada vez com mais urgência. O desafio está nas pequenas e médias, elas precisam entender que podem fazer as coisas de uma forma diferente."

Ariel Kogan, engenheiro

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Seminário debate sobre alimentação indígena

Cerca de 60 mulheres, representantes de várias etnias, discutem costumes alimentares e situação nutricional nas aldeias
 
Brasília, 8 – Nestas terça (12) e quarta-feira (13), 60 mulheres indígenas de diversas etnias e de todas as regiões do país reúnem-se com representantes do governo federal, em Brasília, para discutir a segurança alimentar e nutricional nas aldeias e promover a troca de experiências, práticas e saberes entre as diferentes culturas alimentares.
 
O secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Arnoldo de Campos, participa do encontro na quarta-feira (13) pela manhã. Organizado pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), o seminário ocorre a partir das 8h, na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
 
Para acessar a programação preliminar, clique aqui.
 
SERVIÇO
Seminário de Mulheres Indígenas e Segurança Alimentar e Nutricional
Quando: terça (12) e quarta-feira (13), a partir das 8h
Onde: Sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura(Contag), SMPW Quadra 1, Conj 2, Lote 2 - Núcleo Bandeirante
 
Ascom/MDS
(61) 2030-1021

Ritual marca início dos Jogos Indígenas em Cuiabá

Foto: Albino Oliveira / MDA
Enquanto o sol se põe, anunciando o fim do dia, o primeiro guerreiro indígena entra na arena dos Jogos dos Povos Indígenas 2013. Trazendo o fogo sagrado, ele acende várias tochas que cercam o espaço. O ritual de benção marca o início oficial do evento que reúne mais de 1,6 mil indígenas de 48 etnias brasileiras, em Cuiabá (MT).

Uma diversidade de cores, texturas, sons e danças vão tomando conta do local. O encontro é uma forma de divulgar a cultura indígena. Andrea Everton, representante do Ministério do Turismo, destacou o envolvimento do Governo Federal com a realização dos jogos. “O recurso vai para as políticas que a população precisa que sejam realizadas. E a população indígena precisa e merece.”


Em nome dos povos, o indígena  Marcos Terena agradeceu o apoio ao evento. “Que esta semana seja grande para os jogos, em que o importante não é ganhar, mas celebrar”, pontuou.

Ao final da cerimônia, a plateia se juntou aos atletas na arena para assistir à queima de fogos que encerrou o evento. Também participaram da celebração, a ministra de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luíza Bairros e o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, entre outras autoridades locais.


Os jogos seguem até 16 de novembro e trazem novidades. Pela primeira vez, é montada a Feira Nacional da Agricultura Tradicional Indígena e o Encontro Nacional dos Agentes de Leitura Indígenas, promovidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. O objetivo é de aproximar as políticas do público a que se destinam.

Juliana Reis
(61) 2020-0223 / 2020-0262
imprensa@mda.gov.br

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Mapeamento das comunidades tradicionais de terreiro pode ajudar a definir políticas públicas


Candomblé, umbanda, tambor de mina, batuque, nação, quimbanda, xambá, omolocô, pajelança, jurema: as religiões de matriz africana e indígena compõem, no Brasil, um cenário amplo e plural. Para melhor compreender tal cenário e conhecer a realidade das comunidades tradicionais de terreiro, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – UNESCO, em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR e a Fundação Cultural Palmares – FCP, desenvolveram o projeto Mapeando o Axé. A pesquisa socioeconômica e cultural das comunidades tradicionais de terreiro foi realizada nas capitais dos Estados de Minas Gerais, Pernambuco, Pará e Rio Grande do Sul.

Segundo Eloi Ferreira de Araujo, presidente da Fundação Cultural Palmares, o governo brasileiro tem uma longa dívida com as comunidades remanescentes de terreiros. “As comunidades são a essência da matriz cultural africana e afro-brasileira. O mapeamento busca conhecer a realidade dessas comunidades, criando as condições necessárias para que as políticas públicas cheguem até elas. Além disso, garante sua preservação cultural e proteção como patrimônio imaterial”, explica.

Realizada entre maio e agosto de 2010 pela Associação Filmes de Quintal, instituição habilitada por meio de edital público, a pesquisa mapeou 4.045 terreiros em regiões metropolitanas, sendo 1.089 deles em Belém; 353 em Belo Horizonte; 1.342 em Porto Alegre; e 1.261 em Recife. Entre os objetivos, estavam descobrir quem são, onde estão localizados, quais as principais atividades comunitárias, qual a situação fundiária e demais aspectos socio-culturais e demográficos.

De acordo com Marcelo Vilarino, antropólogo da Associação Filmes de Quintal e um dos coordenadores da pesquisa, a valorização e o reconhecimento da importância histórica das comunidades negras no Brasil puderam ser observadas nas falas e nas ações das lideranças das casas religiosas. “Damos destaque para o movimento pelo fim da intolerância religiosa e pela aplicabilidade da lei que garante a liberdade de culto no país”, conta.

Vilarino enfatiza que, em regiões periféricas dos grandes centros urbanos, em geral não alcançadas pelos serviços públicos, as comunidades dos terreiros e suas lideranças exercem diversos papéis importantes, tanto como conselheiros espirituais quanto no desenvolvimento de ações de apoio à saúde, cultura e educação e de combate à violência contra a mulher. “Os terreiros são espaços privilegiados de solidariedade. As pessoas são respeitadas pela sua própria existência e por poderem ser instrumentos da ação das forças divinas na terra, no ato da incorporação espiritual. Nessas comunidades, tudo é partilhado e ninguém passa fome. O pouco que se tem é distribuído ou reaproveitado, sendo o desperdício inexistente, diante do processo dinâmico de distribuição do excedente”, conta o antropólogo.

Segundo Marcos Dal Fabbro, diretor de Promoção à Alimentação Adequada da Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, o levantamento buscou difundir a importância da localização das comunidades no espaço geográfico das cidades, fazer sua contabilização e realizar um diagnóstico sociocultural focado em segurança alimentar e nutricional. “As comissões de acompanhamento da pesquisa foram formadas por lideranças das comunidades tradicionais de terreiros, representantes de órgãos governamentais locais – que possuem interlocução com os atores sociais em foco –, e de movimentos negros organizados, além de outras instituições e de pessoas como yalorixás, babalorixás, mametus, tatetus, zeladores, mães e pais de santo”.

A partir das informações coletadas, foi construído um banco de dados sobre as comunidades tradicionais de terreiro, com o objetivo de servir como referência para a formulação de políticas públicas, em especial as de promoção da segurança alimentar e nutricional. “Os terreiros podem ser vistos como facilitadores de ações de assistência social, saúde e segurança alimentar e espaços de promoção social e inclusão produtiva. A sintonia com as necessidades locais faz com que sejam potenciais espaços para a identificação de demandas para formações e capacitações voltadas à comunidade”, conta Dal Fabro. Para ele, a sustentabilidade cultural e a segurança alimentar estão relacionadas à promoção da autonomia dos terreiros quanto à produção de alimentos adequados e saudáveis, por meio de atividades como hortas comunitárias, quintais produtivos e agricultura urbana. “Os terreiros também são locais de saberes tradicionais femininos, que junto à diversidade étnica e religiosa, precisam ser respeitados e trabalhados do ponto de vista de políticas culturais e educacionais”, enfatiza o diretor de Promoção à Alimentação Adequada da Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS.

Preservação da matriz cultural africana

Sobre a contribuição do mapeamento das comunidades tradicionais de terreiro para a preservação do patrimônio cultural brasileiro, conversamos com o professor da Escola de Comunicação – ECO da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Muniz Sodré. Segundo ele, o mapeamento é importante para avaliar a força, a presença geográfica e o lugar social que os terreiros ocupam nas cidades brasileiras.

De acordo com Sodré, as comunidades de terreiro não são movimentos exclusivamente religiosos, mas se apresentam historicamente como organizações políticas capazes de preservar a identidade cultural de matriz africana: “a identificação com a cultura africana sempre esteve ligada aos terreiros”, resume.

O pesquisador também ressaltou a importância do mapeamento dos terreiros para a proteção jurídica territorial, possibilitando a regulamentação fundiária das comunidades tradicionais. Da mesma forma, a legitimação das comunidades de terreiro junto ao Estado é também importante para proteger sua cultura do assédio de outras religiões de cunho fundamentalista e discriminatório. Sodré ressaltou ainda a modernidade das religiões de matriz africana em relação ao respeito que prestam às demais religiões, um “respeito fortalecedor da convivência religiosa”. Para ele, é sadio para a democracia e para a cultura brasileira que os terreiros estejam sob a proteção do Estado.

Veja aqui o site do projeto

Fonte: Blog Acesso

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Publicações - Alimento: Direito Sagrado

Mais uma publicação interessante para quem trabalha com Saúde e Cultura.

O livro abaixo pode ser conferido integralmente no link ao final da postagem.

Alimento: Direito Sagrado

Apresenta os resultados da Pesquisa Socioeconômico e Cultural de Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiros, realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Belém, Belo Horizonte e Porto Alegre. Com a pesquisa, o Estado brasileiro reforça o compromisso com o direito humano à alimentação adequada, garantindo a esses povo e comunidades o respeito às práticas ritualísticas tradicionais

Resumo: Apresenta os resultados da Pesquisa Socioeconômico e Cultural de Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiros, realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Belém, Belo Horizonte e Porto Alegre. Com a pesquisa, o Estado brasileiro reforça o compromisso com o direito humano à alimentação adequada, garantindo a esses povo e comunidades o respeito às práticas ritualísticas tradicionais.
Vários autores

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Alimento: direito sagrado – Pesquisa Socioeconômica e Cultural de Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiros. Brasília: SAGI, 2011. 200 p. ISBN: 978-85-60700-50-9.



“Tudo começa e acaba com comida, tudo começa e acaba com
cânticos, porque para nós aqui os cânticos são primordiais, a
gente canta para morrer, canta para nascer, canta para acordar
de manhã, canta para dormir, tudo é cantado no candomblé (...)
então essa é uma importância muito grande para nós, da alimentação,
de alimentar, de preparar essa comida, de comungar com
essa comida, de distribuir essa comida para a comunidade.”

Tat’etu Arabomi


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Observatório de Iniciativas: Rede Interinstitucional de Alimentação e Cultura

Alimentação e cultura é um tema emergente no campo da nutrição e se configura, no cenário técnico-científico, como um conhecimento fundamental para suprir lacunas e compreender a comensalidade no contexto contemporâneo. A importância dos aspectos socioculturais nas escolhas alimentares dos indivíduos é importante para a compreensão da formação de hábitos e práticas relacionadas ao comer; e estas são questões que ultrapassam aspectos biológicos/nutricionais e se inserem na constituição conflitiva do cotidiano do indivíduo e da coletividade.

Diante dos desafios enfrentados pelas políticas públicas voltadas à segurança alimentar e à promoção da alimentação saudável, faz-se necessário entender variados e complexos problemas alimentares na sociedade brasileira, buscando conhecer de modo mais amplo os métodos de abordagens para a compreensão dos diversos saberes e práticas que envolvem o comer e a comida, suas diferentes interfaces, valores, códigos, linguagens e contribuir para o maior acesso da atenção básica de saúde e nutrição da população.

Com este propósito foi criada em 2007 a Rede Interinstitucional de Alimentação e Cultura – Rede A&C, na perspectiva de reunir pesquisadores da nutrição, antropólogos, sociólogos e historiadores nacionais e internacionais, profissionais de saúde e sociedade, com vistas a discutir a alimentação e cultura, articulando, dentro do possível, as questões globais e locais, a fim de produzir e disseminar conhecimentos, saberes e tecnologias e contribuir para a formação de profissionais no campo da Alimentação e Cultura. O objetivo é constituir uma Rede de Pesquisa e Formação que permita a troca de experiências entre seus membros e a maximização de recursos humanos, de infra-estrutura e financeiros.

Conheça mais sobre a Rede: http://redeac.ensp.fiocruz.br/ 





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