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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Brasil assina adesão ao apelo global contra a hanseníase




Brasília - A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, assina hoje (18) o Apelo Global contra a Hanseníase. A cerimônia será às 9h, no Plenário 7 da Câmara dos Deputados.

A adesão do Brasil ao movimento, que manifesta o compromisso de luta contra a discriminação global das pessoas atingidas pela hanseníase, é um marco no engajamento do país na eliminação da doença e do estigma que ainda é associado a ela.

Participam do lançamento o embaixador das Nações Unidas para a Eliminação da Hanseníase, Yohei Sasakawa, e o coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Artur Custódio.

Fonte: Exame

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Definidas datas para Encontro Nacional do Morhan


O Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN) reunirá representantes de todos os estados brasileiros para avaliar o cenário de combate à doença, as estratégias de luta e ações a serem desenvolvidas. Em 2013, o XIV Encontro Nacional ocorrerá no Rio de Janeiro de 27/02 a 03/03 com a participação de diversos convidados ilustres. Na ocasião será eleita a nova diretoria do Morhan Nacional e serão aprovadas as pautas levantadas nos Encontros Regionais, realizados no final de 2012, para entender e apontar demandas dos voluntários do movimento.

Na programação haverá oficinas de comunicação, atividades culturais, debates, assembleias e identificação das principais demandas para os próximos 2 anos.

Segundo Artur Corrêa, voluntário do Morhan, o evento, que já era para ter acontecido, acabou sendo adiado por falta de recursos financeiros e parceiros para esse fim e pelo fato do Ministério da Saúde, parceiro na realização do evento, não ter encontrado local adequado para realização do mesmo na época da RIO +20 e posteriormente no final de 2012. Como a nova data escolhida não perpassa por nenhum feriado ou data comemorativa de grande peso, a organização deu certo e o Encontro acontecerá.

No momento, o Morhan finaliza a programação e convida autoridades inerentes à causa para o evento, a fim de garantir um maravilhoso encontro. A participação é restrita para as pessoas eleitas e indicadas pelos núcleos para participarem e convidados do Movimento. Todas as notícias serão acompanhadas aqui no site e nas redes.

Fonte: Morhan



sábado, 24 de novembro de 2012

Arquivo de notícias: Saúde inicia campanha contra hanseníase em Botucatu


Saúde inicia campanha contra hanseníase em Botucatu


Teve início a Campanha Anual de Combate à Hanseníase, promovida pelo Ministério da Saúde em parceria com os poderes públicos municipais. Ela segue até o dia 30 de novembro. No período, serão realizados esforços para diagnosticar novos casos e examinar pessoas que possam ter adquirido a doença por meio de contato.


Em paralelo, ações de mobilização junto à população deverão promover maior conscientização sobre a hanseníase, com o objetivo de eliminar o preconceito e estigma relacionados à doença. Materiais informativos sobre prevenção e tratamento serão distribuídos em unidades de saúde, igrejas, centros comunitários, escolas e comércio.


A Secretaria Municipal de Saúde de Botucatu orienta toda a população a procurar pela Unidade de Saúde mais próxima de sua casa, de segunda à sexta-feira, entre 9 e 17 horas.

Em 2011, seis casos novos foram registrados em Botucatu: quatro em homens e dois em mulheres. Já em 2012, a quantidade registrada corresponde a cinco novos casos, sendo quatro masculinos e um feminino.

No Brasil, a meta do Plano de Eliminação da Hanseníase, estabelecido em 2011, é que aja menos de um caso da doença para cada grupo de dez mil pessoas até o ano de 2015. Para tanto, o País tem mantido a queda na incidência da hanseníase dentro da população brasileira.

No período 2010-2011, o coeficiente de detecção de casos novos caiu 15%. Entre menores de 15 anos, este percentual baixou 11%. De 34.894 casos da doença registrados em 2010, o número caiu para 30.298 no ano de 2011, o que representa um coeficiente de aproximadamente 15 novos casos por 100 mil habitantes. Destes, 2.192 foram encontrados em menores de 15 anos de idade.

O SUS (Sistema Único de Saúde) tem trabalhado constantemente para alcançar as metas de redução de 26,9% do coeficiente de detecção da hanseníase em menores de 15 anos, aumento do percentual de cura em 90%, e o exame de 80% dos contatos intradomiciliares dos casos novos da doença.

O controle da hanseníase é baseado no diagnóstico precoce, tratamento e cura. Segundo Camila Baptista, coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Botucatu, é importante mobilizar a população, pois quanto antes a enfermidade for detectada , maiores as chances de cura total.

“A maioria das pessoas acaba não dando a importância devida para essas manchas que aparecem de repente no corpo e, quando procuram a Unidade de Saúde, a doença já se encontra em um estágio avançado, sendo menores as possibilidades de cura total da área afetada”, explica.

 Sobre a Hanseníase - A hanseníase é uma doença infecciosa e atinge a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas é longo e varia de dois a cinco anos.

É importante que, ao perceber algum sinal, a pessoa com suspeita de hanseníase não se automedique e procure imediatamente um serviço de saúde.

É preciso observar manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo e em áreas da pele. São manchas que não causam coceira, mas que produzem a sensação de formigamento, ficando  dormentes, com diminuição ou ausência de dor, da sensibilidade ao calor, ao frio e ao toque.

Tratamento - Hanseníase têm tratamento e cura. A doença pode causar incapacidades físicas, evitadas com o diagnóstico precoce e o tratamento imediato, disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento, gratuito e eficaz pode durar de seis a doze meses.

Os medicamentos devem ser tomados todos os dias em casa e uma vez por mês no serviço de saúde. Também fazem parte do tratamento exercícios para prevenir as incapacidades físicas, além de orientações da equipe de saúde.

Serviço
Secretaria Municipal de Saúde
Rua Major Matheus, nº 7, Vila dos Lavradores
Telefone: (14) 3811-1100

 Fonte: Leia Notícias

Arquivo de notícias: Morhan marca presença no III Seminário da ANEPS


Morhan marca presença no III Seminário da ANEPS

O III Seminário da Articulação Nacional de Educação Popular em Saúde (ANEPS) foi realizado nos dias 05,06 e 07 de Novembro de 2012 em Brasília Distrito Federal. Participaram do evento diversos atores de movimentos sociais, academia, gestão e serviços, totalizando 151 presentes de todas as regiões do país sendo 10 do Norte, 66 do Nordeste, 31 do Centro-oeste, 27 do Sudeste e 17 do Sul. O Morhan, através da sua integração em diversos setores, contou com a participação do Coordenador Nacional Artur Custódio,dos diretores Eni Carajá, e Lucimar Batista e dos Voluntários Toninho Ferreira e Fabiane Borges.
Durante o evento foram visualizadas e repensadas espaços, parceiros e estratégias de fortalecimento da educação popular com especial destaque para os eixos de Mobilização, Formação, Organização, Cultura, Cuidados/Práticas. COm isso, diversos encaminhamentos foram lançados tanto nos níveis nacional, regional, estadual e local. Entre eles, em uma importante reunião com os representantes dos movimentos sociais, o Morhan se comprometeu a elaborar e produzir o seu jornal uma edição dedicada a Política Nacional de Educação Popular em Saúde visibilizando seus contatos com a ANEPS nos estados e municípios.


Fonte: Morhan

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Arquivo de notícias: Hanseníase no Acre

Hanseníase no Acre: do isolamento ao exame de DNA

Nesta segunda-feira, 5 de novembro, a Universidade Federal do Acre  concedeu o título de Doutor Honoris Causa, ao médico irlandês William John Woods, que vive  no Acre desde  a década de 60. Ele já foi condecorado pela Rainha Elizabeth, da Inglaterra, com o título de Cavaleiro da Ordem do Império Britânico. As duas homenagens são pela luta do médico em diminuir os casos de hanseníase na Amazônia. Nas décadas de 70 e 80, em pequenos aviões, barcos, canoas, lombo de animais e muitas horas a pé, ele levou os medicamentos que tratavam e curavam a hanseníase, para moradores de seringais, aldeias indígenas, localidades ribeirinhas e locais de difícil acesso no Acre.

Médico Willian John vive no Acre desde a década de 60 e já foi condecorado pela rainha Elizabeth
  Willian, ou Dr. Guilherme, como ficou conhecido por aqui, chegou ao Acre na década de 60 como missionário Batista. Mas, vendo o sofrimento de seringueiros nas matas acreanas que perdiam pedaços do corpo, por causa da hanseníase, ele foi estudar medicina na Universidade Federal do Amazonas, onde se formou em 1974. Voltou para o Acre e passou a ser o “médico da hanseníase”. Inicialmente, usava a dapsona, única droga conhecida para tratar a doença. Só a partir de 1986, o Ministério da Saúde, passou a utilizar na rede pública de saúde, a poliquimioterapia, três medicamentos, que curam de fato a hanseníase. Dr. Guilherme continuou as viagens com o novo tratamento e a realidade acreana com relação à hanseníase mudou. Na década de oitenta, o Acre era o primeiro do Brasil em número de casos de hanseníase. Eram 3.419 casos no estado em 1985 e no ano passado, foram apenas 228. Os números deste ano só serão divulgados em março de 2013.      

Atualmente com 75 anos, já aposentado, o médico continua atendendo diariamente no Centro de Referência Estadual de Hanseníase, em Rio Branco, e ainda faz pequenas viagens pelos seringais da região. Avesso a entrevistas, ao receber o título da Ufac, Dr. Guilherme, lembrou que tudo o que fez foi para “ajudar o próximo”, e que faria tudo de novo.

De acordo com o presidente nacional do Morhan, Arthur Custódio, o Acre “fez bem o dever de casa e passou de último para o décimo lugar na eficácia do combate à hanseníase. Capacitou bem o pessoal, fez a profilaxia, descentralizou o tratamento”. Segundo Arthur a mudança começou na década de oitenta e agora o diagnóstico e tratamento são os mais rápidos do Brasil. Ele reconhece a importância do trabalho desenvolvido pelo médico Irlandês. “Não adiantava nada ter o remédio se não havia como levá-lo aos doentes em localidades de difícil acesso. O Dr. Guilherme teve essa coragem e salvou milhares de vidas”.  

Hanseníase: desde a Bíblia histórias de dor e separação
Não há data certa, mas estima-se que a hanseníase exista desde o século sete Antes de Cristo. Na Bíblia, a doença já é citada como segregadora. Em vários países do mundo, os portadores da doença foram mortos queimados, expulsos de casa e os filhos foram tirados à força e levados para entidades criadas para esse fim.    No Brasil, os presidentes seguiam o modelo adotado por Benito Mussolini, na Itália, que tinha o tripé: leprosário (que cuidava dos doentes) dispensários (que examinava os parentes e pessoas com contatos com os doentes) e os preventórios (que abrigavam os filhos dos doentes).

Maria de Fátima foi separada da mãe com quatro horas de vida e só a reencontrou com 17 anos
Em 1949, um decreto do presidente Eurico Gaspar Dutra tornou ainda mais dura a vida dos hansenianos. O decreto determinou a sumária retirada das crianças de perto das mães assim que elas nasciam. Durante mais de sessenta anos, filhos foram separados dos pais hansenianos em todo o Brasil. No Acre, cerca de duas mil crianças, que nasceram nas colônias de hansenianos em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, foram levadas para os preventórios, onde muitas foram adotadas, outras esquecidas e algumas morreram. Muitas famílias foram desfeitas para sempre.

Francisca Elba Batista, ainda na adolescência, foi levada para a Colônia Hernani Agrícola em Cruzeiro, junto com o marido, que também tinha a doença. Os cinco filhos foram levados para o Educandário: a mais nova, Maria de Fátima, foi tirada dela com quatro horas de vida. Quase 17 anos depois, já curada, ela foi em busca dos filhos. Mas o único homem do grupo havia sido adotado. “Eu fui atrás dele, mas ele não quis saber de mim”.    Maria de Fátima, a filha mais nova de Francisca Elba, diz que nem gosta de lembra da infância e parte da adolescência. Chora ao lembrar que cresceu pensando que a mãe havia abandonado todos eles. “Ninguém contava que ela e meu pai estavam doentes e internados. A sensação que a gente tinha era de abandono. Todas as crianças internadas lá tinham esse mesmo sentimento”, relata ela com o filho pequeno no colo.

A coordenadora do Departamento de Hanseníase no Acre, Francieli Gomes, diz que a hanseníase sempre foi acompanhada por muitos mitos: um deles é que os pés e mãos dos doentes se desprendiam e caiam.  Ela conta que os portadores de hanse-níase perdem os membros por causa de infecções “que qualquer pessoa pode ter” . “A bactéria que causa a hanseníase ataca a pele e os nervos. Essas pessoas ficam sem tato, por isso se machucam e acabam com osteomielite, uma infecção que pode resultar na perda de dedos”, explica.

Manchas brancas sem tato, suor ou pelo são os primeiros sintomas da doença, que diagnosticada precocemente, pode ser tratada entre seis meses a um ano. Todo o tratamento é gratuito na rede pública de saúde.

Exames de DNA comprovam laços entre parentes separados pela hanseníase
O Movimento de Reintegração dos hansenianos, o Mor-han nacional, está realizando exames de DNA para descobrir parentes de pes-soas que foram levadas para os preventórios e por vários motivos, não conseguiram reaver as famílias. Os exames são feitos em nove estados, incluindo o Acre, onde o Instituto Nacional de Genética Médica Populacional, já entregou mais de 100 resultados de exames.

A médica geneticista Lavínia Faccini conta que dos nove estados onde realizou os exames, o Acre é onde há o maior índice de pessoas que não reencontraram os pais ou irmãos, quase 200. “Essa dificuldade é porque nos preventórios daqui muitas crianças não eram identificadas sequer pelo primeiro nome dos pais. A direção desses locais queria proteger as crianças do preconceito e jamais diziam que eram filhos de hansenianos para que fossem logo adotados. Faziam de tudo para apagar todos os laços e por isso, muitas pessoas de quem coletamos o material não reencontraram parentes, porque não sabia nem como começar a procura”.

Seu Paulo Bernardo dos Santos, 63 anos, foi beneficiado com o exame de DNA. Ele conta que, escoltado pela Polícia Sanitária, levou os quatro filhos que nasceram na Colônia Souza Araújo, para o Preventório de Rio Branco, hoje conhecido como Educandário Santa Margarida. Quando saiu da internação buscou os filhos e descobriu que uma havia morrido e um tinha sido adotado por um parente próximo. Ele pegou de volta dois dos filhos e “correu atrás” do adotado. Em 2011 fez exame de DNA junto com o filho e conseguiu provar que era pai de fato do homem que hoje tem 36 anos e prefere não aparecer nas fotos ao lado da família. “Meu filho achava que era meu sobrinho. Depois do exame, ficou revoltado comigo e com o tio que o criou como pai. Agora ele já tá mais próximo da família e entendeu que ninguém teve culpa do que aconteceu”, relata Paulo Bernardo.

José Peixoto, de 81 anos, era do serviço de profilaxia da hanseníase em Cruzeiro do Sul, a Polícia Sanitária. Ele diz que muitas vezes teve que levar crianças das colônias para os preventórios. “A gente sofria junto com as mães, ouvia o choro das crianças. Mas a ordem era essa e o objetivo era que as crianças não fossem contaminadas pela hanseníase”. Uma das crianças que levou para o Educandário, ele mesmo adotou e cria até hoje como filha.

Segundo o presidente nacional do Morhan, Arthur Virgílio, o Acre tinha uma das polícias sanitárias mais rigorosas do Brasil e revela: “mesmo com o tratamento disponível, o governo Getúlio Vargas, por exemplo, continuava separando pais e filhos, porque muitas colônias e preventórios foram construídas na época e tinham que continuar ocupadas”.

Indenização e títulos definitivos de propriedades
Uma lei de 2007, do então senador Tião Viana (PT/AC), garantiu o direito à pensão dos hansenianos que foram isolados em Hospitais Colônias por causa da hanseníase. Cada um recebe R$ 950 mensais. Agora os filhos, que foram separados compulsoriamente dos pais, também buscam o direito à indenização. Uma Comissão da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República esteve no Acre fazendo levantamento da situação. O presidente do Morhan no Acre, Elsom Dias, diz que todo o trâmite deve ser concluído em 2013. O valor pode variar entre R$ 50 e R$ 70 mil para cada um.  De acordo com o Morhan nacional, cerca de 25 mil filhos de hansenianos, que foram separados dos pais devem ser beneficiados. No Acre, são mais de duas mil pessoas.

Paulo Bernardo ao lado de um dos filhos que pegou de volta no Educandário Santa Margarida
E o Acre é o segundo estado do Brasil (o Rio de Janeiro foi o primeiro) a conceder títulos definitivos de propriedade para os hansenianos. Em Cruzeiro do Sul, o Instituto de Terras do Acre (Iteracre) entregou cem títulos no Bairro do Telegrafo, criado ao redor do Hospital Colônia Souza Araújo. Em Rio Branco, mais de mil e quinhentos títulos serão entregues nos bairros Santa Cecília e Albert Sampaio, ambos ao lado da Colônia Souza Araújo. “Tudo o que se fizer por essas pessoas ainda será pouco”, explica o presidente do Iteracre, Glenilsom Araújo.

Francisca Soriano, de 81 anos, que mora no Bairro do Telegrafo, em Cruzeiro do Sul, diz com orgulho que agora é dona de fato e de direito da casa onde mora. Ela também recebe mensalmente a pensão de R$ 950 desde 2009. Com o dinheiro já conseguiu reformar a casa e em agosto, recebeu o título definitivo da casa onde mora.

Por causa da lei da internação compulsória, ela que foi retirada da sala de aula pela Polícia Sanitária, aos 12 anos e levada para a Colônia Hernani Agrícola. Ela relata emocionada que chegou a pensar que “nem era gente, não tinha direito sequer a morar com os pais. Agora recebo pensão, posso me consultar, comprar comida melhor para casa e agora eu recebi o título da minha casa. Tudo o que foi tirado de mim na adolescência, casa e cidadania eu tenho de volta hoje  e me sinto uma cidadão acreana feliz”, ressalta.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Arquivo de Notícias: Ney Matogrosso e a hanseníase

Contra o preconceito
Elena Corrêa - Revista Quem

O cantor Ney Matogrosso viaja pelo interior do Brasil ajudando a informar sobre os sintomas, o tratamento e a cura da hanseníase, doença que registra a média nacional de 42 mil novos casos por ano

Uma confusão de sobrenomes, ocorrida em 2000, acabou levando Ney Matogrosso a abraçar a causa em favor das pessoas com hanseníase. Na época, segundo o cantor, o ator Ney Latorraca disse em uma entrevista que iria deixar sua herança para pessoas com Aids e hanseníase. E várias instituições, na tentativa de falar com o ator, acabaram telefonando para o cantor. “Eu dizia que elas estavam enganadas, que aquele assunto não era comigo. Mas comecei a perguntar coisas; achava que hanseníase era uma doença que não existia mais”, conta Ney Matogrosso.

Impressionado com a quantidade de informação que não é devidamente divulgada entre a população (exemplos: a doença tem cura, o tratamento é gratuito e deve estar disponível em todo posto de saúde, os remédios são fornecidos de graça), o cantor colocou-se à disposição para atuar com o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), grupo formado por ex-portadores da doença, com sede no Rio de Janeiro e escritórios em todo o país. O trabalho de Ney consiste em visitar antigos hospitais de isolamento em cidades do interior do país, investir contra preconceitos e explicar como curar e evitar o surgimento de novos casos da doença.

CASO DE SAÚDE PÚBLICA

A hanseníase é causada por um micróbio que ataca a pele, os olhos e os nervos. É conhecida, também, como lepra. A forma de transmissão é pelas vias aéreas: uma pessoa infectada libera o bacilo no ar e cria a possibilidade de contágio. A infecção, porém, dificilmente acontece depois de um simples encontro social. No Brasil, a doença está presente em todos os estados e é considerada um grave problema de saúde pública. “Faço campanhas estaduais, mas a necessidade é de uma campanha nacional de informação. É o Ministério da Saúde que tem que fazer. Não pode ser uma campanha de dez, 15 dias, tem que ser regular, anos seguidos”, afirma o cantor. “Nós queremos que se chegue a um ponto de banalização da doença, de olhar para um amigo e dizer: ‘Olha, você está com esse sinal aí na pele. Isso pode ser hanseníase. Vá a um posto de saúde!’.”

Segundo dados oficiais, surgem mais de 42 mil novos casos da doença por ano. “Se atingisse a classe média, a média-alta, como a Aids, já estaria sendo tratada de outra maneira. Mas atinge gente muito pobre, que vive em situações muito precárias. E eles são interessantíssimos. Eu conheci um homem que não tem braço, não tem perna, é cego e é um guerreiro”, conta o cantor.

“Eu vi uma criança uma vez, no Ceará, que, tenho certeza, tinha hanseníase. Chamei um amiguinho dela que estava perto e mandei ele avisar a mãe da criança para levá-la a um posto de saúde. E o menino respondeu: ‘Ah, não. Isso é pano branco’. Eles confundem. Pano branco é uma manchinha branca que dá na pele, eles acham que não há nada. Mas também ocorre por falta de higiene”, diz o cantor.

Para Ney, a única alternativa para reverter os números da doença são as campanhas: “A matemática é simples: informação mais esclarecimento reduzem o preconceito”.

O Morhan mantém-se com o dinheiro de doações, arrecadado através do telefone 0800-262001, que informa sobre a doença.

Fonte: UOL

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Segunda geração da hanseníase quer reparação

Filhos Separados, documentário do Museu da Oralidade que será lançado no dia 21/07, traz histórias de descendentes de hansenianos criados como órfãos em educandários, onde sofriam de humilhação e maus tratos
Até a década de 1980, os portadores da hanseníase eram internados em colônias isoladas e, além da proibição de conviver com o mundo externo, eram impedidos de criar os próprios filhos. Amparada pela legislação, a situação criou uma geração estimada em 40 mil pessoas, que não tiveram contato com os pais na infância e foram levados para educandários conhecidos como preventórios.
O documentário “Filhos Separados” traz histórias de filhos de hansenianos do interior de Minas Gerais que, depois de anos de desconhecimento sobre os próprios pais, acabaram, mesmo que superficialmente, reatando o contato, mas ainda enfrentam a discriminação da comunidade. O lançamento vai acontecer em Diamantina, no Espaço Saúde e Cultura, no dia 21/07, sábado, às 17h, com roda de conversa com os diretores - Paulo Morais e Andressa Gonçalves. Os diretores fazem parte do Ponto de Cultura Museu da Oralidade, projeto da Viraminas Associação Cultural, de Três Corações (MG). O projeto foi vencedor do Prêmio Cultura e Saúde 2010.

Preventórios. Os preventórios recebiam centenas de crianças de várias idades, que eram criadas por irmãs de caridade. Fruto do desconhecimento da época sobre a doença – hoje sabe-se que o tratamento impede o contágio e que a contaminação depende de uma série de fatores muito além do simples contato físico -, os educandários são retratados como locais de maus tratos aos filhos dos hansenianos. As denúncias vão desde a adoção não registrada de crianças como empregados domésticos em famílias desconhecidas até castigos físicos, humilhações e regimes de trabalho pesados.
A memória da doença no Brasil é uma das lutas do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), entidade que reúne ex-doentes, filhos e médicos em busca de reparação pela violação de direitos humanos causada pelo isolamento compulsório dos doentes. Muitos dos descendentes de ex-internos das colônias (a chamada segunda geração da hanseníase) jamais reencontraram a família. Alguns empreenderam buscas por várias colônias e, com o apoio do Morhan, voltaram ao convívio com os pais biológicos, embora não tenham reconquistado a afetividade.
Existe um grande movimento de reintegração, comandado pelo Morhan, que usa de documentos de hospitais e educandários, para tentar descobrir onde irmãos e filhos de atingidos pela hanseníase foram parar. Até um banco de DNA para exames de paternidade está sendo planejado, para casos em que a documentação não traz dados suficientes. Os ex-moradores das colônias conquistaram durante o governo Lula indenização pelos danos sofridos no período de internação. O Morhan agora defende que o benefício seja estendido para os filhos criados em preventórios.
Minas Gerais teve cinco colônias de hanseníase, nas cidades de Três Corações, Betim, Ubá, Bambuí e Sabará. Elas funcionavam como espécie de cidades autônomas, com diversos serviços prestados pelos próprios internos. Em Minas, a internação compulsória acabou em 1986.

Fonte: Viraminas Associação Cultural









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