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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Índios defendem cultura popular, desenvolvimento sustentável e visão integrada da realidade

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A sabedoria dos “povos da floresta” compartilhada com cerca de cem participantes do módulo 

(Foto: Caique Cahon)
Em seu novo livro “O Futuro Chegou”, o sociólogo italiano Domenico de Masi defende que o Brasil oferece o melhor modelo para o futuro da sociedade. Duas entre inúmeras razões são a formação populacional mestiça e a sabedoria indígena, à qual, segundo o pesquisador, o Brasil deveria “boa parte de sua esfera inconsciente e emotiva”, adequada ao contexto natural. A sabedoria desses “povos da floresta” pôde ser constatada, na manhã desta quarta-feira, 13, quando três lideranças indígenas deram aula a mais de cem participantes do módulo “Cultura Indígena na brisa da cura” do curso de extensão e disciplina “Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais”.
(Foto: Caíque Cahon)
Benki Ashaninka, reconhecido internacionalmente pela aplicação do modelo e desenvolvimento sustentável em comunidade no Acre, na fronteira entre o Peru e o Brasil(Foto: Caíque Cahon)
Os índios Ailton Krenak, Álvaro Tukano e Benki Ashaninka revezaram-se na roda formada por estudantes de graduação, pós-graduação e comunidade externa para apresentarem a trajetória de vida de cada um e a luta em defesa das causas indígenas, que, para eles, também devem ser de toda a população. No Jardim Botânico da UFJF, na Mata do Krambeck, o trio entoou cânticos, orações e levou tinta natural de urucum para compor a palestra em meio a revoadas de maritacas.
Reconhecido internacionalmente pela aplicação do modelo de desenvolvimento sustentável na comunidade Ashaninka, no Acre, na fronteira entre Peru e Brasil, o líder Benki defendeu a indissociabilidade entre seres humanos e natureza como condição fundamental para o funcionamento harmônico do planeta. O indígena relatou ainda os esforços realizados para demarcar o território de seu povo, reflorestar mais de 21 mil hectares da área, realizar o manejo da flora e fauna e combater narcotraficantes e madeireiros.“Fomos ensinados por nossos avós a fazer o replantio de árvores se precisarmos tirar uma delas para montar uma casa ou canoa. Isso é para mantermos a existência da floresta para as próximas gerações diferentemente do que vimos acontecer por aí”, disse.  
A partir de trabalhos com adolescentes, Benki fundou o Centro de Formação Aiyoreka Ãntame, no município acreano de Marechal Thaumaturgo, para difundir a filosofia indígena, valorizar a cultura local e desenvolver práticas sustentáveis. “Era para ter livros sobre a história dos povos indígenas. O que é preciso é respeitá-los, unir as energias de cada um com a sociedade e descobrir momentos oportunos. A ciência não está só na academia”, destacou.
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Álvaro Tukano é uma das principais vozes críticas do país em relação aos embargos em demarcações de terras indígenas (Foto: Caíque Cahon)
Nascido em Minas Gerais, o ambientalista e ex-deputado federal eleito para a Assembleia Constituinte, em 1986, Ailton Krenak elogiou a oferta da disciplina na UFJF. “Nossas universidades devem ser uma importante porta de entrada para o conhecimento não sistematizado, que está nas nossas memórias, nas nossas tradições. As instituições devem ter algumas frestas para poder botar oxigênio, saúde [na produção do saber] assim como essas árvores deixam a luz passar por entre elas”. O indígena criticou a prevalência da “matriz de pensamento europeu, branco, racional, sistemático” no ensino e na pesquisa e a exclusão do conhecimento tradicional ao longo dos séculos. “Somos [os índios] da tribo das pessoas que vivem o que falam”, afirmou, recomendando ainda que o cidadão deveria se esforçar para ter uma visão integrada da realidade, não apenas restrita ao cotidiano local e imediato, sob o risco de não compreender as consequências de crimes ambientais e sociais, mesmo que localizados em terras distantes.
Representante do povo Tukano, situado no município de São Gabriel da Cachoeira, no extremo noroeste do Amazonas, Álvaro Sampaio Tukano é uma das principais vozes críticas em relação aos embargos em demarcações de terras indígenas, à Fundação Nacional do Índio (Funai) e às políticas públicas destinadas a esses povos. No encontro no Jardim Botânico, o ambientalista focou no relato sobre  as dificuldades enfrentadas junto a parlamentares para estabelecer limites aos territórios indígenas e defendeu o trabalho educacionais para essa população.
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Ailton Krenak elogiou a oferta da disciplina na UFJF, abrindo caminho para o conhecimento não sistematizado (Foto: Caíque Cahon)
As aulas dos três líderes ambientalistas, iniciadas na última segunda-feira, 11, e que se estendem até a próxima sexta-feira, 15, não interessou apenas a moradores de Juiz de Fora. A professora de Artes, no Ensino Básico, Marta Prata Soares veio de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, apenas para ouvi-los. A docente mantém interesse na cultura indígena, repassada para seus alunos em sala de aula, e fez curso a distância de Aperfeiçoamento em História e Cultura dos Povos Indígenas, oferecido pelo Centro de Educação a Distância da UFJF. “Mostro os grafismos de cada etnia para os alunos, falo sobre a pintura de urucum. Nesses encontros, a principal mensagem que fica é a de preservação”, disse.
Com a última aula na sexta-feira, a primeira edição do curso e disciplina “Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais” chega ao fim. A iniciativa foi dividida em três módulos semanais consecutivos, o primeiro abordou o tema agroecologia, o segundo apresentou o conhecimento quilombola, e o atual discute questões indígenas. Segundo o coordenador do curso, professor Daniel Pimenta, a disciplina optativa oferece quatro créditos para alunos de graduação, três para os do Programa de Pós-graduação em Ecologia da UFJF e certificado a participantes externos. Nova oferta do curso, no próximo semestre, dependerá de financiamento do Governo Federal. Se considerada a afirmação de Domenico de Masi, de que “a história dos brasileiros é longuíssima, que funda suas raízes nas míticas civilizações tupi e tapuia, e que exatamente desas raízes provém a sua melhor parte”, há ainda motivos sobre o que ensinar.

Fonte: UFJF

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Governo oferece mil vagas em curso de gênero e sustentabilidade

Estão abertas as inscrições para o curso on-line 'Igualdade de Gênero e Desenvolvimento Sustentável' promovido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). Os interessados podem se inscrever diretamente na plataforma Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). 


O curso terá a carga horária de 20h e será realizado nos meses de setembro e outubro. Estão disponíveis mil vagas e as inscrições acabam no dia 29 de agosto.
O MMA tem realizado uma série de cursos a distância com a meta de ampliar o acesso de diversos públicos interessados nos processos de formação e capacitação desenvolvidos pelo órgão. 


O curso pretende sensibilizar e capacitar gestores, de todas as áreas, sobre a questão da desigualdade de gênero e a importância da inserção da perspectiva de gênero nas políticas públicas. Por isso, é destinado, principalmente, a gestores públicos das esferas federal, estadual e municipal, servidores públicos responsáveis pela elaboração de políticas públicas e lideranças da sociedade civil.
A ação está interligada ao Comitê Interno de Gênero do MMA, que tem como proposta incluir questões de gênero e políticas públicas para as mulheres, orientar a execução de ações, projetos e programas das ações afirmativas de gênero e articular com as organizações públicas e da sociedade civil que tenham como objetivo convergir esforços para a eficácia e efetividade de ações.
Capacitação de gestores
No contexto, também está com inscrições abertas, o curso on-line voltado para gestores de órgãos públicos interessados em instituir ações socioambientais. A capacitação será realizado em setembro, com duração de 12 horas. Nesta primeira turma, serão ofertadas mil vagas.
O programa A3P visa estimular a adoção de ações na área de responsabilidade socioambiental nas atividades internas e externas. Para facilitar a sua implantação, o MMA  disponibiliza em seu site uma série de cartilhas com informações sobre a adesão, os eixos temáticos e as metas.
Fonte: Portal Brasil 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Projeto que promove práticas indígenas recebe apoio da ONU

Fortalecer as práticas indígenas de manejo, uso sustentável e conservação dos recursos naturais e reconhecer as terras indígenas como áreas essenciais para a conservação da diversidade biológica e cultural dos biomas florestais brasileiros são os principais objetivos do projeto piloto “Gestão Ambiental e Territorial Indígena” (Projeto GatiI). A iniciativa reúne o movimento indígena, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF) e outros parceiros.
Implementado desde 2010, o Gati cria condições para que as comunidades indígenas sejam protegidas, melhorem a autoestima, empoderem suas vidas e tenham a valorização histórica, cultural e produtiva que merecem.
No último ano, as ações do projeto se intensificaram com o apoio de mais de 50 iniciativas indígenas das suas áreas de referência. Isto também foi possível devido aos 'Microprojetos Indígenas' – uma modalidade de financiamento para pequenos projetos de plantios agroflorestais, roças agroecológicas, educação ambiental e valorização das práticas e conhecimentos tradicionais.
“Este projeto vem para corresponder às demandas que existem há muito tempo nas comunidades indígenas”, afirma Edson Bakairi, membro do Comitê Diretor do Gati, representante da Articulação do Mato Grosso.
População indígena
Atualmente, a população indígena do Brasil é de aproximadamente 900 mil pessoas. Destes, 520 mil (57,7%) vivem nas 687 terras indígenas e 380 mil fora delas.
Além de assegurar o bem-estar e a reprodução física e cultural destes povos, as terras indígenas, que correspondem atualmente a quase 13% do território nacional, são verdadeiras áreas de proteção ambiental. Imagens de satélite mostram que o território indígena é mais preservado frente à expansão da fronteira econômica e ao desmatamento, sobretudo na Amazônia.
O projeto também conta com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai), do Ministério do Meio Ambiente brasileiro e do The Nature Conservancy.
Fonte: Portal Brasil/Organização das Nações Unidas

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Mostra de filmes em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente


Para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado neste 5 de junho, o Espaço Catavento, de Belo Horizonte, recebe mostra de filmes relacionados à temática ambiental. O Espaço Catavento - Centro de Saberes Ecoculturais fica na Av. General Olímpio Mourão Filho, 400 - B. Itapoã – BH. Telefone: (31) 3443-8307. Entrada franca.

Confira a programação:

Dia 07/06 – Sábado às 15 horas - Tempo de exibição do total dos filmes: 2h e 21min

Filmes com tema "Biodiversidade"
· Albatroz - Um projeto pela vida
· Devir Animal
· Salvem os Sapos

Filmes com Tema "Mudanças do Clima"
· Turismo C0² neutro - o Registro de uma transformação
· Caixa

Filmes com o Tema "Água"
· Incentivo às Políticas Públicas voltadas ao reuso da água e ao aproveitamento da água de Chuva
· Da nascente à torneira
· Desafogando a Água

Filmes com o tema "Combate ao Desmatamento"
· Desmatamento Zero
· Cerrado ao Meio

Dia 10/06 – terça-feira, às 19h30 - Tempo de exibição dos filmes: 2h27min47s

Filmes com o Tema "Comunidades Tradicionais"
· Awá Filhos da Floresta 1, 2 e 3
· Intercâmbio GATI/MS - Cooperafloresta
· Retomada Aldeia Pindo Roky
· Retomada Buriti

Filmes com tema "Responsabilidade socioambiental"
· 1ª Mostra de vídeo Curta Ambiental - Ré-ação
· Curtas Caranga - Abertura; Manguezal legal; Reciclagem; Dengue; Energia Elétrica; Água; Trânsito; Aterro Sanitário; Defeso; Praia Limpa
· Escalada
· Energia Eólica: a caçada dos ventos
· Ritos de Rios e Ruas

Filmes com o Tema "Resíduos Sólidos"
· Terra Cuide dessa bola
· Lixo rural: do problema à solução
· Uma chance para o futuro

Dia 17/06 – Terça feira às 19h30 - Tempo de exibição dos filmes: 2h5min52s

Filmes com o tema "Agricultura Familiar"
· Maracujá da Caatinga
· Oficina de intercâmbio de Algodão
· Produzido em São Paulo

Filmes com o tema "Unidades de Conservação"
· Últimos Refúgios - Reserva Biológica de Duas Bocas
· Sertão Veredas Peruaçu - Mosaico de Conservação: Cultura e Produção
· Últimos refúgios – Itaúnas
· Últimos refúgios - Toninho Mateiro


Foto: Linha de buritis no Parque Nacional Grande Sertão Veredas (MG/BA)
© WWF-Brasil / Bento Viana

terça-feira, 25 de março de 2014

OMS: 7 milhões de mortes em 2012 foram associadas à poluição



Cerca de 7 milhões de pessoas morreram em 2012 por exposição à poluição do ar, que se transformou no maior fator de risco ambiental para a saúde no mundo, alerta hoje (25) a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo os novos dados divulgados nesta terça-feira, uma em cada oito mortes naquele ano foi causada pela exposição à poluição do ar, dado que duplica números anteriores e confirma que a poluição do ar é agora o maior fator de risco ambiental para a saúde humana.

Reduzir a poluição do ar poderia salvar milhões de vidas, destaca a OMS em comunicado. “Os riscos da poluição do ar são agora muito maiores do que se pensava, particularmente no que diz respeito a doenças coronárias e acidente vascular cerebral [AVC]”, disse Maria Neira, diretora do Departamento da OMS para a Saúde Pública, Ambiente e Determinantes Sociais da Saúde.

“Poucos fatores de risco têm hoje maior impacto na saúde global do que a poluição do ar; as evidências alertam-nos que é preciso uma ação concertada para limpar o ar que respiramos”, acrescentou.

Segundo as estimativas divulgadas, a poluição do ar interior esteve ligada a 4,3 milhões de mortes em 2012 em lares com fogões a carvão, lenha ou biomassa. A poluição do ar exterior está na origem de 3,7 milhões de mortes em todo o mundo.

Como há muitas pessoas expostas à poluição interior e exterior, a mortalidade associada às duas fontes não pode ser simplesmente adicionada, daí a estimativa de 7 milhões de mortes em 2012.

Os novos dados, adianta a agência da ONU para a saúde, revelam uma ligação mais forte entre exposição à poluição do ar interior e exterior e as doenças cardiovasculares, como o AVC e a cardiopatia isquêmica, assim como a poluição do ar e o câncer. Essas ligações juntam-se ao papel da poluição do ar no desenvolvimento de doenças respiratórias, incluindo infecções agudas e doenças pulmonares obstrutivas crônicas.

As novas estimativas baseiam-se não só em mais conhecimento sobre as doenças causadas pela poluição do ar, mas também em avaliações mais rigorosas da exposição humana aos poluentes, por meio de melhores medições e tecnologias. Essas melhorias permitiram aos cientistas analisar detalhadamente os riscos para a saúde em uma cobertura geográfica mais ampla.

Em termos regionais, os países de baixo e médio rendimento nas regiões do Sudeste Asiático e do Pacífico Ocidental registraram maior número de mortes associadas à poluição do ar, com um total de 3,3 milhões de mortes ligadas à poluição do ar interior e 2,6 milhões de mortes associadas à poluição do ar exterior.
“Limpar o ar que respiramos previne doenças não transmissíveis e reduz as doenças entre as mulheres e os grupos vulneráveis, como as crianças e os idosos”, disse Flavia Bustreo, diretora adjunta da OMS para a Saúde da Família, Mulheres e Crianças, citada no comunicado da OMS.

“As mulheres e as crianças pobres pagam um preço elevado pela poluição do ar interior porque passam mais tempo em casa, respirando fuligens de fogões a carvão e a lenha”, explicou.

Segundo os dados da OMS, 80% das mortes associadas à poluição do ar interior devem-se a doenças cardiovasculares, como a cardiopatia isquêmica (40%) e o acidente vascular cerebral (40%).



A doença pulmonar obstrutiva crónica (Dpoc) é responsável por 11% das mortes ligadas à poluição interior, enquanto o câncer de pulmão (6%) e as infeções respiratórias agudas em crianças (3%) respondem pelo restante.

No que diz respeito à poluição do ar exterior, 34% das mortes devem-se ao AVC, 26% à cardiopatia isquêmica, 22% à Dpoc, 12% a infeções respiratórias agudas em crianças e 6% ao câncer de pulmão.



Fonte: Agência Brasil 
Foto: Carlos Rhienck/Hoje em Dia

sexta-feira, 14 de março de 2014

Arquiteto indígena do Xingú vira professor em universidade de Brasília



Especialista na construção residencial tradicional da tribo Kamayurá do Alto Xingú, o arquiteto indígena, Maniwa Kamayurá foi um dos mestres da disciplina de Artes e Oficios dos Saberes Tradicionais oferecida pela Universidade de Brasília (UnB). O projeto Encontro de Saberes, realizado em parceria com a SID/MinC teve o objetivo de levar aos alunos universitários o conhecimento arquitetônico presente na cultura indígena.

Maniwa e seu filho passaram cerca de duas semanas em Brasília compartilhando com os alunos um pouco do conhecimento milenar de seu povo. Na atividade principal, os índios e os alunos construíram uma maquete do que seria uma moradia tradicional Kamayurá, feita com materiais orgânicos e fibras, praticamente a mão quase sem utilizar ferramentas.

A construção original que dura um período de 15 a 20 anos, leva cerca de 7 meses para ficar pronta e segundo o mestre, tem uma estrutura inspirada na anatomia do ser humano, com costelas, pés e peito. "A gente faz uma pessoa e essa casa não é inventada, ela vem de nossos avôs. Só a família mora na casa, sogra, filhos, genro, tios, netos".

Segundo o professor da universidade, Jaime Almeida, a arquitetura indígena faz parte de uma relação direta entre seu construtor, sua família e a comunidade. A construção das casas é trocada por comida e, além disso, os arquitetos índios passam a ter um reconhecimento social na comunidade por serem "pessoas de talento".

A estudante do curso de arquitetura e urbanismo, Lívia Brandão foi uma das participantes da disciplina e aprovou as aulas do mestre Maniwa. "É uma oportunidade inédita para nós estudantes termos acesso a forma de construção de outros povos. É incrível como eles tem a capacidade de construir as suas próprias casas e como elas são perfeitas na relação com a temperatura, luminosidade e relação com a natureza. O modelo que a gente busca, de sustentabilidade eles já aplicam há muito tempo, porque se entendem parte dessa casa, dos materiais que são usados por eles. Ter acesso a essa sabedoria e a essa historicidade é um privilégio".



Assista ao vídeo sobre a aula: http://vimeo.com/18017653


Fonte: Arquitetura Sustentável , 20/02/3014

Nota do Blog da Rede Saúde e Cultura de Minas Gerais: a matéria se refere à Edição 2010 - Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais. Saiba mais AQUI

Leia também: UFPA desenvolve Projeto Encontro de Saberes em parceira com UNB

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Evento vai debater alternativas para melhorar saúde pública


Durante os dias 18 e 22 de março a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) realizará o IV Seminário Internacional de Engenharia de Saúde Pública (Siesp), em Belo Horizonte, Minas Gerais.

O evento contará com painéis temáticos, mesas-redondas e expositores nacionais e internacionais de países como Portugal, França, Inglaterra, México, Chile, Costa Rica e Estados Unidos. Também será realizada a II Feira de Tecnologias, a qual irá expor inovações tecnológicas, e a IV Mostra de Pôsteres que visa promover o debate, o intercâmbio e a divulgação dos resultados de pesquisas, estudos e trabalhos de campo voltados para o tema do seminário.  

Parte da população ainda vive em situação precária. Falta água com qualidade para consumo humano, esgoto corre a céu aberto e o lixo é armazenado de maneira inadequada. O objetivo principal do evento é debater alternativas e tecnologias para que essas pessoas tenham acesso a esses sistemas e, assim, tenham melhor qualidade de vida.

O Siesp visa discutir propostas para reduzir os déficits da saúde pública.  Serão debatidos assuntos como: Escassez e uso racional da Água; Desafios para a universalização do Saneamento Rural; Sustentabilidade e efetividade dos investimentos de Saneamento Ambiental; Tecnologias e Inovações em sistemas de Esgotamento Sanitário e Resíduos Sólidos; Plano de Segurança da Água e Gestão de desastres naturais. 

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) revelam que atualmente 1,6 bilhão de pessoas vivem em regiões com escassez de água. Um dos palestrantes no seminário é o consultor em Água e Saneamento, Menahem Libhaber, que vem dos Estados Unidos para falar sobre os motivos da crise de água e opções para diminuí-la. “O uso racional da água é uma das atividades para aliviar os problemas da escassez, mas não é a única solução. Pode dar bons resultados, especialmente em lugares onde o consumo per capita diário é alto, mas há uma série de atividades adicionais que devem ser adotadas e serão discutidas no evento”, explica Menahem.  

Já o engenheiro civil e líder de projetos da Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH), Luiz Fernando Orsini, vai falar sobre os serviços de drenagem e manejo de águas pluviais no Brasil e expor soluções técnicas e institucionais que permitam melhorar a segurança da população diante dos riscos de enchentes. “Pretendo destacar a importância do planejamento e das ações integradas para a melhoria da qualidade das águas e redução dos riscos, não só das inundações, como também de escassez hídrica”, afirma Orsini.

A estimativa é de que o encontro deste ano reúna, aproximadamente, 1.500 pessoas, entre pesquisadores, professores, profissionais dos setores público e privado, além de estudantes.

Para acessar a programação prévia do evento, clique aqui

Serviço:
Evento: IV Seminário Internacional de Saúde Pública
Data: 18 a 22 de março
Local: Minascentro
Endereço: Av. Augusto de Lima, 785 – Centro – Belo Horizonte – MG


Fonte: Funasa

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

SPM lança prêmio “Mulheres Rurais que Produzem o Brasil Sustentável” - Inscrições até 01 de fevereiro

Trinta grupos e organizações produtivas ganharão troféus e as dez experiências mais pontuadas receberão R$ 20 mil. Inscrições começam a ser aceitas a partir desta quarta-feira (19/12) e se encerrarão em 1º de fevereiro de 2013

Experiências de grupos e organizações produtivas do campo e da floresta serão reconhecidas pelo Prêmio “Mulheres Rurais que Produzem o Brasil Sustentável”, publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira (19/12). Organizado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), o concurso destacará 30 iniciativas com o troféu “Mulheres Rurais que Produzem o Brasil Sustentável”. As dez experiências, que obtiverem maiores pontuações, receberão R$ 20 mil cada uma.

A premiação pretende dar visibilidade ao trabalho das mulheres do campo e da floresta, por meio de suas organizações produtivas, no fortalecimento da sustentabilidade econômica, social e ambiental, e geradoras da segurança e soberania alimentar no País. Foca na produção e na disseminação de conteúdos que subsidiem o fortalecimento da Política Nacional para as Mulheres com participação e controle social.

“Esse prêmio vai reconhecer parte significativa do trabalho que as mulheres fazem para que o Brasil seja um país sustentável. Com isso, precisamos avançar no debate sobre políticas públicas para a igualdade de gênero no campo e na floresta”, explica a secretária de Avaliação de Políticas e Autonomia Econômica das Mulheres da SPM, Tatau Godinho.

As inscrições podem ser feitas, a partir desta quarta-feira (19/12) até 1º de fevereiro de 2013, pelo endereço eletrônico www.spm.gov.br ou pela via postal para: Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM-PR) – Prêmio “Mulheres Rurais que Produzem o Brasil Sustentável”, Via N1 Leste s/nº, Pavilhão de Metas, Praça dos Três Poderes, Zona Cívico-Administrativa, CEP: 70.150-908, Brasília-DF. Pelos Correios, o prazo limite para envio é 31 de janeiro de 2013.

Poderão ser inscritas trajetórias e experiências que se destacam pela viabilidade econômica, social, cultural e ambiental de grupos de mulheres que integram organizações produtivas, associações e/ou cooperativas. É necessário que essas instituições sejam compostas por um mínimo de 70% de mulheres e tenham presença feminina na direção geral. A cerimônia de entrega da premiação acontecerá em 8 de março de 2013, Dia Internacional da Mulher, em Brasília.

Realizado pela SPM, o concurso tem como parceiros o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Social (Seppir) e o Banco do Brasil.

Acesse aqui o edital Prêmio “Mulheres Rurais que Produzem o Brasil Sustentável” publicado no Diário Oficial da União. 

Fonte: Secretaria de Políticas para as Mulheres – SPM

Fonte de acesso Blog Rede Saúde e Cultura: SEPPIR

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Arquivo de notícias: Carta do Cerrado propõe a criação do Conselho de Desenvolvimento Regional


Carta do Cerrado propõe a criação do Conselho de Desenvolvimento Regional


A criação de um Conselho de Desenvolvimento Regional, com caráter deliberativo, que viabilizará a sistematização e regulamentação das políticas regionais das unidades do Centro-Oeste; e também do Banco do Desenvolvimento Regional do Centro-Oeste. Essas são algumas das propostas que compõem a Carta do Cerrado, que sintetiza as propostas da 1ª Conferência Macrorregional de Desenvolvimento Regional do Centro-Oeste, realizada nos últimos três dias na Escola de Governo Henrique Santillo, em Goiânia. 

O evento teve início na última segunda-feira (12/11) e encerrou-se na tarde de hoje (14/11) com uma plenária que reuniu 50 delegados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Eles debateram as propostas da Região em grupos de trabalho. A promoção da Conferência Macrorregional é Ministério da Integração Nacional, com o apoio da Secretaria de Gestão e Planejamento (Segplan) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). As propostas do Centro-Oeste serão apresentadas na Conferência Nacional de Desenvolvimento Regional, a ser realizada em Brasília, e vão contribuir para a elaboração do novo Plano Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR).

Conforme a Carta do Cerrado, a estrutura econômica do Centro-Oeste está fortemente assentada na atividade agropecuária, mas apresenta uma incipiente atividade industrial. No Centro-Oeste convivem regiões de renda elevada e dinâmicas, como o eixo Brasília-Anápolis-Goiânia, o Sul Goiano e o Centro-Norte Matogrossense e as capitais do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul; com outras regiões economicamente deprimidas ou estagnadas, como o Entorno do Distrito Federal, o Nordeste Goiano, o Vale do Araguaia Matogrossense e o Centro-Norte-Sul Matogrossense.

“É essencial o estabelecimento de uma política urbana que contemple uma rede equilibrada de cidades para o suporte do desenvolvimento da Região”, diz o documento. A Carta do Cerrado defende que a escala do agronegócio baseada na exploração dos recursos naturais requer “a imediata implementação do Zoneamento Ecológico e Econômico (ZEE), como mecanismo de proteção ambiental.” Isso porque o Centro-Oeste tem biomas diferenciados, como cerrado, pantanal e floresta amazônica.

Investimentos
A Carta do Cerrado defende a ampliação dos investimentos de infraestrutura e logística que incorporem novas áreas produtivas, diversificando a matriz econômica da Região. Também ressalta que o Centro-Oeste requer o redirecionamento do seu modelo de desenvolvimento, de forma a estabelecer critérios de valorização das economias regionais, visando estimular os setores da agricultura familiar, agronegócio, agroextrativismo, comércio, indústria e serviços por ações de ciência, tecnologia e inovação. “Faz-se necessário o desenvolvimento de políticas de educação, saúde, segurança, cultura, lazer e promoção social, com o estabelecimento de polos de educação e pesquisas voltadas para a inclusão social e produtiva”, afirma o documento.

Os delegados da Conferência Macorregional recomendam que o Banco do Desenvolvimento do Centro-Oeste, instituição a ser criada, adote políticas voltadas para as pequenas e médias empresas, agricultura familiar e microempreendedores. Sobre a proposta de criação do Conselho de Desenvolvimento Regional, destacam que ele suprirá a falta de instrumentos de governança e se constituirá em um espaço de negociação para reforçar o princípio federativo.

Clique aqui e acesse a Carta do Cerrado

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Políticas Públicas para comunidades quilombolas

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR/PR) abriu Chamada Pública 002/2012,  de assinatura de convênios para projetos de instituições privadas, sem fins lucrativos,  voltados para a capacitação de lideranças quilombolas, com foco no fortalecimento institucional e desenvolvimento local.Os convênios, que somam um total de R$ 1,2 milhão, serão firmados com a SEPPIR depois da seleção das propostas. Atualmente, 1.834 comunidades, certificadas e/ou tituladas, são oficialmente reconhecidas pelo Governo Federal.Os convênios têm como objetivo apoiar efetivamente as iniciativas que contribuam para o empoderamento e autonomia da população quilombola.

Os critérios de pontuação da Chamada Pública foram elaborados de maneira a garantir a priorização das propostas apresentadas pelas próprias organizações representativas deste segmento populacional; ou por proponentes que demonstrem ter familiaridade com o universo quilombola, tanto de trabalho in loco quanto acadêmico (de produção de conhecimento para construção de políticas públicas); e que incluam em suas equipes executoras pessoas das comunidades quilombolas a serem atendidas. As propostas poderão ter orçamento entre R$ 120 mil e R$ 200 mil, voltados para gastos de custeio (capacitação, formação, incentivo, dentre outros).

Esta é a segunda chamada pública da SEPPIR voltada para Povos e Comunidades Tradicionais em 2012. A primeira, já na fase final do processo de seleção, contemplou os povos tradicionais de matriz africana.

Programa Brasil Quilombola (PBQ)

A Chamada Pública é uma das ações da SEPPIR no contexto do Programa Brasil Quilombola (PBQ), lançado em 2004, para consolidar os marcos da política de Estado para os territórios quilombolas. O PBQ teve sua institucionalização ampliada com a publicação do Decreto 6261, de 2007, que agrupa as ações voltadas às comunidades em quatro eixos: acesso à terra; infraestrutura e qualidade de vida; inclusão produtiva e desenvolvimento local; e direitos e cidadania.

Já existem muitos empreendimentos quilombolas consolidados, e outros em fase inicial e/ou intermediária, com destaque para o arroz quilombola do Sul, a banana orgânica de São Paulo, os produtos de castanha-do-Pará, o artesanato de Pernambuco, entre outras comunidades.

Quilombolas

As comunidades quilombolas são grupos étnico-raciais segundo critérios de auto-atribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida . Localizam-se em 25 estados da federação, sendo a maior concentração nos estados do Maranhão, Bahia, Pará, Minas Gerais e Pernambuco. Os únicos estados que não registram ocorrências destas comunidades são o Acre e Roraima.

Fonte: SEPPIR

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente recebe inscrições até 2/7

A Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (OBSMA), projeto educativo criado em 2001 pela Fiocruz em parceria com a Abrasco, recebe inscrições de trabalhos até o dia 2 de julho de 2012. A OBSMA busca incentivar a realização de trabalhos que contribuam para a melhoria das condições ambientais e de saúde no Brasil, além de possibilitar que o conhecimento científico se torne próximo do cotidiano escolar e as atividades pedagógicas de professores e escolas ganhem visibilidade.

A Olimpíada tem abrangência nacional e, a cada dois anos, recebe, avalia e divulga atividades desenvolvidas por professores e alunos em sala de aula. A OBSMA contempla os projetos realizados por alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º ao 4º ano do Ensino Médio – incluindo o ensino profissionalizante e o de jovens e adultos – nas modalidades Produção Audiovisual, Produção de Texto e Projeto de Ciências.

Para participar, os professores devem acessar o site www.olimpiada.fiocruz.br e inscrever os trabalhos realizados com seus alunos na temática da Olimpíada. Estão entre os objetivos da OBSMA incentivar a realização de atividades interdisciplinares relacionadas à saúde, ao meio ambiente e à qualidade de vida nas escolas brasileiras de educação básica, como também  conhecer, valorizar e divulgar essas atividades.

Contabilizando todas as edições, a Olimpíada já teve cerca de 4 mil projetos inscritos, iniciativas que chamavam a atenção para temas como preservação de recursos hídricos, problemas gerados pelo lixo e malefícios causados por agrotóxicos, entre outros. As formas de expressão eram as mais variadas, incluindo poesias, documentários, cordéis, pesquisas de campo, reportagens e atividades de reciclagem.



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Rio+20: jovens apontam problemas socioambientais e propõem possíveis soluções

O auditório Arena de Debates, montado no Pop Ciência - evento de popularização da ciência na Rio+20 - atraiu olhares curiosos de seus jovens visitantes na tarde desta terça-feira (19/06). A atração foi a videoconferência realizada entre os adolescentes contemplados pelo projeto CEnaRios - versão em português para Science Centers Engagement and the Rio Summit (SCEnaRios) - criado para envolver a juventude nas discussões sobre os problemas socioambientais globais e seus impactos e possíveis soluções. Os participantes do projeto, idealizado pela Fiocruz e a Association of Science-Technology Centers (ASTC) em parceria com o Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico (Inhotim), são jovens de 15 a 19 anos de museus de ciência de 12 países. Com o uso de ferramentas tecnológicas e interativas, eles apresentaram ao público os resultados de seis projetos piloto que desenvolveram sobre temas como acesso à água potável, alternativas sustentáveis de consumo de energia e saúde.

Ao abrir o evento, o diretor de Relações Internacionais da ASTC, Walter Staveloz, falou sobre o surgimento do CEnaRios. "Quatro questões deram origem ao projeto: o engajamento crescente da sociedade civil em debates sobre o desenvolvimento sustentável, o desejo da juventude de todo o mundo em contribuir para as soluções para os problemas socioambientais, a possibilidade de esses jovens fazerem isso em conjunto e seu gosto pela tecnologia", explicou. Também presente ao encontro, o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, destacou a importância do CEnaRios e da parceria entre a Fundação e Moçambique no projeto. "O importante da iniciativa é que ela contempla jovens que ainda estão desenvolvendo sua visão de mundo e cidadania. Além disso, a cooperação com Moçambique é muito especial para nós, pois demonstra nosso compromisso com os países africanos em auxiliá-los a expressar sua visão e mostrar seu potencial para juntos construirmos um mundo sustentável", afirmou.

Os estudantes do Museu da Vida da Fiocruz, que atuaram em parceria com a Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba, em Lichinga, Moçambique, apontaram os problemas socioambientais enfrentados pelas regiões da Maré e Manguinhos - na Zona Norte do Rio de Janeiro - e a cidade moçambicana. "A importância do projeto está em dar luz a problemas que ficam ocultos a quem não os conhece e apontar suas causas ao moradores desses locais", disse Jade, coordenadora do grupo do Museu da Vida. Inicialmente encarregados de desenvolver projeto sobre mudanças climáticas, o grupo decidiu, durante suas buscas, mudar o enfoque de seu tema. "Mudamos para a temática erradicação da pobreza por ser parte integrante da realidade desses jovens", explicou a coordenadora.

A falta de saneamento básico, o acúmulo de lixo e poluição de rios, o tráfico, a violência, entre outros problemas socioambientais comuns ao Rio de Janeiro e Lichinga, foram reunidos em um mapa georeferenciado com fotografias e informações. "Vimos que em Lichinga a violência é tão alta que os moradores sequer puderam interagir conosco por medo do tráfico", comentou Danilo, jovem do Museu da Vida. O trabalho desenvolvido parece ter deixado uma lição aos participantes. "O projeto nos ajudou a ter um olhar mais crítico. Vimos que não basta apontarmos os problemas, precisamos também buscar suas causas e propor soluções", disse o adolescente. "Como soluções, propomos a busca pela real causa de cada problema e, a partir daí, o trabalho de conscientização da sociedade e inclusive das autoridades", sugeriu Mariane Cavalcanti, participante do Museu da Vida. Os resultados do projeto também foram compliados em um blog, criado como canal de diálogo entre os participantes dos dois países.

Embora Bogotá, na Colômbia, e Miami, nos Estados Unidos, tenham características bem distintas, os jovens de museus dos dois países, que trabalharam em conjunto, encontraram problemas comuns às duas regiões: a poluição provocada pelos meios de transporte e o aumento do nivel do mar. "Bogotá e Miami são diferentes, mas dependem da mesma fonte de vida: a água", constatou uma das participantes americanas. "Também sofremos com a redução de espécies marítimas", complementou. Os jovens criaram um video com seus achados, que também foram apresentados em outros meios audiovisuais e disponibilizados na web.

O acesso à água potável foi tema dos adolescentes de museus da Cingapura, Austrália e China, parceiros no projeto. A busca por soluções para o problema incluiu entrevistas com cientistas, pesquisas de campo, métodos de conversão de esgoto em água potável e soluções de filtragem. O impacto da falta de acesso à água potável na saúde humana também foi objeto de estudo. "Fizemos uma sessão de testes com água engarrafada que nos levou à conclusão de que as pessoas não conseguem identificar a água potável pelo gosto", alertou um dos participantes. O problema da água no planeta também foi exposto por jovens mexicanos e italianos, em trabalho desenvolvido em conjunto. O grupo alertou para as terríveis consequências aos locais declarados patrimônio histórico da Unesco, se não houver equilíbrio do uso da água. Essa problemática pode ser visualizada no jogo online Playdecide, criado pelos próprios participantes.

Com o tema consumo de energia, os jovens de Israel e da Filadélfia, nos Estados Unidos, reuniram os problemas socioambientais encontrados nas regiões em um video apresentado na videoconferência. Nele, cenas dos encontros e discussões entre membros dos grupos e uma peça de teatro encenada pelos jovens com dicas de economia de energia. A temática também foi abordada pelo grupo de adolescentes do Canadá, Estados Unidos e Dinamarca, que estudaram diferentes métodos de energia renovável e os impactos do uso inadequado de recursos energéticos. "Percebemos que muito do que se diz da energia eólica é falso. Ao contrário, essa forma de uso de energia tem excelente aproveitamento e pouco impacto ambiental", observou Frederik, do Museu Experimentarium, da Dinamarca. Porém, segundo ele, não é fácil fazer essa adaptação. "É uma alternativa mais cara e passamos por momentos de crise eonômica. Mas não podemos nos acomodar, caso contrário, nosso futuro estará degradado", advertiu.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Transgênico para quê?

Todos os dias, durante a Cúpula dos povos, você pode experimentar algo diferente: a troca de sementes crioulas. A feira de intercâmbio é iniciativa da Rede de Grupos de Agroecologia do Brasil (Rega), com o apoio do MST, da Via Campesina e de grupos de extensão (universitários ou não). O objetivo do encontro é promover e dar visibilidade às trocas de sementes nativas, consideradas um patrimônio dos povos.

Para Tainá Soares, da Casa de Sementes de Aldeia Velha, em Silva Jardim (RJ), o momento é importante para fortalecer a discussão sobre o tema. “É um fruto que vamos colher ao final da Cúpula. precisamos discutir o uso das sementes tradicionais, do trabalho desses camponeses e ir contra o movimentos capitalistas e a ‘Revolução Verde’”, explica. “Aqui tem sementes que eu procuro há anos, mas que só encontrei agora”.

Outro ponto importante proporcionado pela troca de sementes é “o aumento da variabilidade genética dos alimentos, que diminui a exposição às pragas e às intempéries” explica Tadzia Maya, coordenadora da Casa de Sementes Livres. Maya explica que a maioria das pessoas que estão ali trocam sementes ou aceitam colaboração espontânea.



A Feira de Sementes Crioulas acontece até sexta-feira (22) na tenda Frida Kahlo, nos Territórios do Futuro 2.

Vale a pena passar por lá para conferir esse trabalho bacana! Quem sabe você não se anima e começa uma mini-horta em casa?

Fonte: Site da Cúpula dos Povos

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Arquivo de notícias: Fiocruz da Rio+20


Fiocruz da Rio+20

O presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, esteve no sábado, 16 de junho, na Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo, para prestigiar o Espaço Saúde, Ambiente e Sustentabilidade, montado pela Fiocruz, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e o Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes) para a realização de debates e a divulgação de publicações sobre ambiente e saúde.

Paulo Gadelha
Em entrevista ao site Saúde Rio + 20, Gadelha explicou que a interface simbiótica entre saúde e ambiente é um campo muito vasto e que a Fiocruz trabalha intensamente algumas áreas consideradas mais relevantes, sempre com o cuidado de pensar maneiras de produzir efeitos significativos. Um eixo importante, segundo ele, é a relação entre o modelo de desenvolvimento e os impactos ao ambiente e à saúde, que envolve desde a discussão mais ampla sobre o modelo até algumas iniciativas de grande de grande porte, como as hidrelétricas em Rondônia e o Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj).

O presidente da Fiocruz também destacou a relevância de estudos sobre as consequências da redução da biodiversidade sobre os mecanismos de produção de emergência de doenças e novos agravos em saúde, tema ainda muito pouco explorado:

“Essa questão é essencial, porque com a escassez de biodiversidade, determinadas zoonoses que tinham um circuito restrito a determinados ambientes passam a ter o homem como hospedeiro e, de zoonoses, tornam-se doenças humanas”, explicou.

Outra questão central, segundo Gadelha, é o uso de agrotóxicos. Ele contou que a Fiocruz está diretamente envolvida com a Campanha Nacional contra os Agrotóxicos e pela Vida e ressaltou que a produção de conhecimento em várias áreas da Fundação permite mostrar a gravidade do quadro nacional.

“Há uma variedade grande de iniciativas muito concretas da Fiocruz como parte da tomada de consciência e militância no combate aos agrotóxicos no Brasil. Participamos da produção de um filme (O veneno está na mesa, de Sílvio Tendler), temos produzido diversas publicações e criamos um mestrado na Escola Nacional de Saúde Pública voltado para a questão ambiental, que enfoca a questão dos agrotóxicos”, enumerou.

Gadelha acrescentou que a Fiocruz está fazendo uma interação forte com o BNDES, buscando agregar questões de saúde e ambiente à visão de portfólio, à postura e ao processo de financiamentos dos investimentos do banco.

“É um vasto mundo, mas estamos trabalhando de maneira bastante estruturada para operar algumas linhas centrais”, concluiu.

Na ocasião, Gadelha confraternizou com o representante da Organização Panamericana de Saúde (Opas/OMS) no Brasil, Carlos Corvalan, e com o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Valcler Rangel Fernandes (foto).

Eles participaram de debate sobre as publicações da Fiocruz e de parceiros em saúde e ambiente. (Marina Lemle / VPAAPS / Fiocruz)

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