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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Índios defendem cultura popular, desenvolvimento sustentável e visão integrada da realidade

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A sabedoria dos “povos da floresta” compartilhada com cerca de cem participantes do módulo 

(Foto: Caique Cahon)
Em seu novo livro “O Futuro Chegou”, o sociólogo italiano Domenico de Masi defende que o Brasil oferece o melhor modelo para o futuro da sociedade. Duas entre inúmeras razões são a formação populacional mestiça e a sabedoria indígena, à qual, segundo o pesquisador, o Brasil deveria “boa parte de sua esfera inconsciente e emotiva”, adequada ao contexto natural. A sabedoria desses “povos da floresta” pôde ser constatada, na manhã desta quarta-feira, 13, quando três lideranças indígenas deram aula a mais de cem participantes do módulo “Cultura Indígena na brisa da cura” do curso de extensão e disciplina “Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais”.
(Foto: Caíque Cahon)
Benki Ashaninka, reconhecido internacionalmente pela aplicação do modelo e desenvolvimento sustentável em comunidade no Acre, na fronteira entre o Peru e o Brasil(Foto: Caíque Cahon)
Os índios Ailton Krenak, Álvaro Tukano e Benki Ashaninka revezaram-se na roda formada por estudantes de graduação, pós-graduação e comunidade externa para apresentarem a trajetória de vida de cada um e a luta em defesa das causas indígenas, que, para eles, também devem ser de toda a população. No Jardim Botânico da UFJF, na Mata do Krambeck, o trio entoou cânticos, orações e levou tinta natural de urucum para compor a palestra em meio a revoadas de maritacas.
Reconhecido internacionalmente pela aplicação do modelo de desenvolvimento sustentável na comunidade Ashaninka, no Acre, na fronteira entre Peru e Brasil, o líder Benki defendeu a indissociabilidade entre seres humanos e natureza como condição fundamental para o funcionamento harmônico do planeta. O indígena relatou ainda os esforços realizados para demarcar o território de seu povo, reflorestar mais de 21 mil hectares da área, realizar o manejo da flora e fauna e combater narcotraficantes e madeireiros.“Fomos ensinados por nossos avós a fazer o replantio de árvores se precisarmos tirar uma delas para montar uma casa ou canoa. Isso é para mantermos a existência da floresta para as próximas gerações diferentemente do que vimos acontecer por aí”, disse.  
A partir de trabalhos com adolescentes, Benki fundou o Centro de Formação Aiyoreka Ãntame, no município acreano de Marechal Thaumaturgo, para difundir a filosofia indígena, valorizar a cultura local e desenvolver práticas sustentáveis. “Era para ter livros sobre a história dos povos indígenas. O que é preciso é respeitá-los, unir as energias de cada um com a sociedade e descobrir momentos oportunos. A ciência não está só na academia”, destacou.
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Álvaro Tukano é uma das principais vozes críticas do país em relação aos embargos em demarcações de terras indígenas (Foto: Caíque Cahon)
Nascido em Minas Gerais, o ambientalista e ex-deputado federal eleito para a Assembleia Constituinte, em 1986, Ailton Krenak elogiou a oferta da disciplina na UFJF. “Nossas universidades devem ser uma importante porta de entrada para o conhecimento não sistematizado, que está nas nossas memórias, nas nossas tradições. As instituições devem ter algumas frestas para poder botar oxigênio, saúde [na produção do saber] assim como essas árvores deixam a luz passar por entre elas”. O indígena criticou a prevalência da “matriz de pensamento europeu, branco, racional, sistemático” no ensino e na pesquisa e a exclusão do conhecimento tradicional ao longo dos séculos. “Somos [os índios] da tribo das pessoas que vivem o que falam”, afirmou, recomendando ainda que o cidadão deveria se esforçar para ter uma visão integrada da realidade, não apenas restrita ao cotidiano local e imediato, sob o risco de não compreender as consequências de crimes ambientais e sociais, mesmo que localizados em terras distantes.
Representante do povo Tukano, situado no município de São Gabriel da Cachoeira, no extremo noroeste do Amazonas, Álvaro Sampaio Tukano é uma das principais vozes críticas em relação aos embargos em demarcações de terras indígenas, à Fundação Nacional do Índio (Funai) e às políticas públicas destinadas a esses povos. No encontro no Jardim Botânico, o ambientalista focou no relato sobre  as dificuldades enfrentadas junto a parlamentares para estabelecer limites aos territórios indígenas e defendeu o trabalho educacionais para essa população.
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Ailton Krenak elogiou a oferta da disciplina na UFJF, abrindo caminho para o conhecimento não sistematizado (Foto: Caíque Cahon)
As aulas dos três líderes ambientalistas, iniciadas na última segunda-feira, 11, e que se estendem até a próxima sexta-feira, 15, não interessou apenas a moradores de Juiz de Fora. A professora de Artes, no Ensino Básico, Marta Prata Soares veio de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, apenas para ouvi-los. A docente mantém interesse na cultura indígena, repassada para seus alunos em sala de aula, e fez curso a distância de Aperfeiçoamento em História e Cultura dos Povos Indígenas, oferecido pelo Centro de Educação a Distância da UFJF. “Mostro os grafismos de cada etnia para os alunos, falo sobre a pintura de urucum. Nesses encontros, a principal mensagem que fica é a de preservação”, disse.
Com a última aula na sexta-feira, a primeira edição do curso e disciplina “Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais” chega ao fim. A iniciativa foi dividida em três módulos semanais consecutivos, o primeiro abordou o tema agroecologia, o segundo apresentou o conhecimento quilombola, e o atual discute questões indígenas. Segundo o coordenador do curso, professor Daniel Pimenta, a disciplina optativa oferece quatro créditos para alunos de graduação, três para os do Programa de Pós-graduação em Ecologia da UFJF e certificado a participantes externos. Nova oferta do curso, no próximo semestre, dependerá de financiamento do Governo Federal. Se considerada a afirmação de Domenico de Masi, de que “a história dos brasileiros é longuíssima, que funda suas raízes nas míticas civilizações tupi e tapuia, e que exatamente desas raízes provém a sua melhor parte”, há ainda motivos sobre o que ensinar.

Fonte: UFJF

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Evento vai debater alternativas para melhorar saúde pública


Durante os dias 18 e 22 de março a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) realizará o IV Seminário Internacional de Engenharia de Saúde Pública (Siesp), em Belo Horizonte, Minas Gerais.

O evento contará com painéis temáticos, mesas-redondas e expositores nacionais e internacionais de países como Portugal, França, Inglaterra, México, Chile, Costa Rica e Estados Unidos. Também será realizada a II Feira de Tecnologias, a qual irá expor inovações tecnológicas, e a IV Mostra de Pôsteres que visa promover o debate, o intercâmbio e a divulgação dos resultados de pesquisas, estudos e trabalhos de campo voltados para o tema do seminário.  

Parte da população ainda vive em situação precária. Falta água com qualidade para consumo humano, esgoto corre a céu aberto e o lixo é armazenado de maneira inadequada. O objetivo principal do evento é debater alternativas e tecnologias para que essas pessoas tenham acesso a esses sistemas e, assim, tenham melhor qualidade de vida.

O Siesp visa discutir propostas para reduzir os déficits da saúde pública.  Serão debatidos assuntos como: Escassez e uso racional da Água; Desafios para a universalização do Saneamento Rural; Sustentabilidade e efetividade dos investimentos de Saneamento Ambiental; Tecnologias e Inovações em sistemas de Esgotamento Sanitário e Resíduos Sólidos; Plano de Segurança da Água e Gestão de desastres naturais. 

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) revelam que atualmente 1,6 bilhão de pessoas vivem em regiões com escassez de água. Um dos palestrantes no seminário é o consultor em Água e Saneamento, Menahem Libhaber, que vem dos Estados Unidos para falar sobre os motivos da crise de água e opções para diminuí-la. “O uso racional da água é uma das atividades para aliviar os problemas da escassez, mas não é a única solução. Pode dar bons resultados, especialmente em lugares onde o consumo per capita diário é alto, mas há uma série de atividades adicionais que devem ser adotadas e serão discutidas no evento”, explica Menahem.  

Já o engenheiro civil e líder de projetos da Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH), Luiz Fernando Orsini, vai falar sobre os serviços de drenagem e manejo de águas pluviais no Brasil e expor soluções técnicas e institucionais que permitam melhorar a segurança da população diante dos riscos de enchentes. “Pretendo destacar a importância do planejamento e das ações integradas para a melhoria da qualidade das águas e redução dos riscos, não só das inundações, como também de escassez hídrica”, afirma Orsini.

A estimativa é de que o encontro deste ano reúna, aproximadamente, 1.500 pessoas, entre pesquisadores, professores, profissionais dos setores público e privado, além de estudantes.

Para acessar a programação prévia do evento, clique aqui

Serviço:
Evento: IV Seminário Internacional de Saúde Pública
Data: 18 a 22 de março
Local: Minascentro
Endereço: Av. Augusto de Lima, 785 – Centro – Belo Horizonte – MG


Fonte: Funasa

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

SPM lança prêmio “Mulheres Rurais que Produzem o Brasil Sustentável” - Inscrições até 01 de fevereiro

Trinta grupos e organizações produtivas ganharão troféus e as dez experiências mais pontuadas receberão R$ 20 mil. Inscrições começam a ser aceitas a partir desta quarta-feira (19/12) e se encerrarão em 1º de fevereiro de 2013

Experiências de grupos e organizações produtivas do campo e da floresta serão reconhecidas pelo Prêmio “Mulheres Rurais que Produzem o Brasil Sustentável”, publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira (19/12). Organizado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), o concurso destacará 30 iniciativas com o troféu “Mulheres Rurais que Produzem o Brasil Sustentável”. As dez experiências, que obtiverem maiores pontuações, receberão R$ 20 mil cada uma.

A premiação pretende dar visibilidade ao trabalho das mulheres do campo e da floresta, por meio de suas organizações produtivas, no fortalecimento da sustentabilidade econômica, social e ambiental, e geradoras da segurança e soberania alimentar no País. Foca na produção e na disseminação de conteúdos que subsidiem o fortalecimento da Política Nacional para as Mulheres com participação e controle social.

“Esse prêmio vai reconhecer parte significativa do trabalho que as mulheres fazem para que o Brasil seja um país sustentável. Com isso, precisamos avançar no debate sobre políticas públicas para a igualdade de gênero no campo e na floresta”, explica a secretária de Avaliação de Políticas e Autonomia Econômica das Mulheres da SPM, Tatau Godinho.

As inscrições podem ser feitas, a partir desta quarta-feira (19/12) até 1º de fevereiro de 2013, pelo endereço eletrônico www.spm.gov.br ou pela via postal para: Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM-PR) – Prêmio “Mulheres Rurais que Produzem o Brasil Sustentável”, Via N1 Leste s/nº, Pavilhão de Metas, Praça dos Três Poderes, Zona Cívico-Administrativa, CEP: 70.150-908, Brasília-DF. Pelos Correios, o prazo limite para envio é 31 de janeiro de 2013.

Poderão ser inscritas trajetórias e experiências que se destacam pela viabilidade econômica, social, cultural e ambiental de grupos de mulheres que integram organizações produtivas, associações e/ou cooperativas. É necessário que essas instituições sejam compostas por um mínimo de 70% de mulheres e tenham presença feminina na direção geral. A cerimônia de entrega da premiação acontecerá em 8 de março de 2013, Dia Internacional da Mulher, em Brasília.

Realizado pela SPM, o concurso tem como parceiros o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Social (Seppir) e o Banco do Brasil.

Acesse aqui o edital Prêmio “Mulheres Rurais que Produzem o Brasil Sustentável” publicado no Diário Oficial da União. 

Fonte: Secretaria de Políticas para as Mulheres – SPM

Fonte de acesso Blog Rede Saúde e Cultura: SEPPIR
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