Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Guardiãs da cura: a sabedoria popular das benzedeiras em Alagoas

Por Renata Arruda

Principalmente no interior das cidades nordestinas, a figura folclórica das benzedeiras ou rezadeiras curam, de acordo com a tradição popular, algumas enfermidades da alma e do corpo com rezas mágicas e especiais. Geralmente, essas mulheres utilizam plantas como os ramos de arruda, mastruz, crista de galo, entre outras, dependendo da moléstia sofrida.

Quebranto, ventre caído, fogo selvagem e mau olhado são algumas das “doenças” lendárias mais comuns no universo da cura popular dessas misteriosas senhoras. Quem não se lembra de ter sido levado, quando criança, para se tratar com uma dessas curandeiras? Não importava o motivo, fosse dor de cabeça ou cansaço, muitas crianças eram levadas pelas anciãs da família aos tais rituais milagrosos.

A Agência Alagoas conversou com três mulheres de fé e encantos que, por meio da antiga tradição quilombola, levam cura e paz para milhares de alagoanos. Na série de reportagens Guardiãs da Cura, contaremos a história dessas mulheres que curam pela fé e pelo amor.

A pioneira e mais ilustre herdeira da cultura quilombola

Anézia Maria da Conceição, 112 anos, é a mais antiga benzedeira de Alagoas, considerada patrimônio vivo e uma verdadeira fonte inesgotável de sabedoria primitiva da arte popular. Moradora célebre da cidade de Santa Luzia do Norte, área metropolitana de Maceió, é bastante querida pela população.

Dizer que já rezou por quase todos os moradores não é exagero, pois até hoje, mesmo com a fragilidade decorrente da idade avançada e a voz arrastada, ainda realiza proezas com quem a procura. Além de ser rezadeira, desde os 12 anos de idade costumava realizar partos na região.

“Praticamente todas as mulheres das cidades vizinhas vinham aqui para casa para minha mãe [Anézia] fazer os partos. Naquela época, não tinha médico por aqui, e era ela quem trazia as crianças para o mundo”, diz Nêga, a primogênita entre as cinco filhas da benzedeira.


Tantas décadas fazendo orações e partos lhe renderam o carinho da população e uma bela homenagem. Em breve, Anézia ganhará uma estátua de destaque na Praça da Liberdade, a principal da cidade.

Católica fervorosa, aprendeu a rezar ainda criança e o dom da cura não tardou em chegar. Ela afirma que aos 10 anos já ouvia uma voz divina que a orientava a ajudar as pessoas: “Conseguia ver o que estava de errado no corpo e na alma das pessoas e Deus me usava como instrumento para socorrê-las. A cura dependia da fé de cada um, esse era o segredo”.

Devota de padre Cícero, Anézia conta que em uma de suas romarias à Juazeiro do Norte presenciou o religioso profetizar sobre a futura perda da visão da rezadeira. O prenúncio se cumpriu quando, aos 80 anos, ela realizou o último parto. Mesmo com a cegueira, continuou usando os outros talentos para trazer bem-estar às pessoas até hoje.

Dona Anézia teve cinco filhos, 40 netos, 20 bisnetos e dez tataranetos. Dos descendentes, nenhum herdou o seu dom.

Fonte: Agência Alagoas

sábado, 18 de janeiro de 2014

Transplante de medula óssea cresce no Brasil com aumento do registro de doadores

O transplante de medula óssea vem crescendo no Brasil nos últimos anos. Ele pode ser usado no tratamento de algumas doenças relacionadas à produção das células do sangue, como leucemia, anemia, linfoma, entre outras. A medula óssea é um tecido líquido-gelatinoso que ocupa o interior dos ossos e o transplante consiste na troca da medula óssea doente por outra saudável visando a reconstituição da antiga.

O transplante pode ser feito com células troncos do próprio paciente, chamado de transplante autogênico, ou através de um doador, que é o alogênico. O transplante alogênico é o mais complicado porque necessita de um doador vivo e com medula compatível com a do paciente. O primeiro passo é ver se o irmão ou irmã tem a compatibilidade necessária para o transplante – chamado de alogênico aparentado. Caso contrário, será preciso procurar um doador fora da família, que é o alogênico não aparentado.

“As chances de um irmão de mesmo pai e mãe ter a medula compatível é de 25%. Se não tiver irmão compatível, achar um doador fora da família é muito difícil”, confirma o médico hematologista Gustavo Bettarello, do Instituto de Cardiologia do DF (ICDF), que realizou o 1º transplante de medula óssea no Distrito Federal, realizado neste ano.

Apesar da dificuldade em encontrar doadores compatíveis, esse tipo de transplante tem crescido significativamente nos últimos 10 anos no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o diretor do Centro de Transplantes de Medula Óssea do Instituto do Câncer (Inca), que é vinculado ao Ministério da Saúde, Luis Fernando Bouzas, o crescimento médio do transplante não-aparentado de 20 a 30% ao ano, desde 2003, pode ser atribuído, principalmente, ao aperfeiçoamento do Registro de Doadores de Medula Óssea (REDOME).

“Esse aumento de transplantes veio com o crescimento do registro de doadores. Na medida em que aumentamos a chance de achar doador, aumenta a chance de transplantes”, explica Bouzas. Ele lembra que, até 2003, o registro era pouco efetivo e contava com 30 a 40 mil doadores, hoje estão cadastrados 3,3 milhões de pessoas dispostas a doarem medula óssea. É o terceiro maior registro do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e Alemanha. “Até 2003 tínhamos uma média de 30 transplantes não aparentados por ano, este ano estimamos fazer entre 280 e 300 transplantes desse tipo”, conta Bouzas. Desses, 95% são realizados pelo SUS.

Carolina Tonioli, 30 anos, descobriu que tinha Leucemia Mielóide Aguda e começou a fazer quimioterapia. Após um ano de tratamento, o médico de Carolina achou melhor fazer o transplante de medula óssea para evitar definitivamente a volta da doença. Essa leucemia é um câncer que se caracteriza pela proliferação de células anormais que se acumulam na medula e interferem na produção do sangue. Carolina completou 9 meses do transplante e está satisfeita com o resultado. “Estou super feliz porque a médica tirou toda a medicação e algumas restrições, pois não podia tomar sol, nem entrar na piscina. Estou mais próxima de conseguir a vida normal”, comemora Carolina.

Ela teve que fazer o transplante não aparentado porque suas irmãs não tinham a medula compatível. Ao buscar no cadastro achou 26 doadores parcialmente compatíveis e 13 doadores 100% compatíveis, sendo considerado um número alto de prováveis doadores. “Tive muita sorte em ter tantos doadores compatíveis. E hoje a chance da doença voltar, segundo os médicos, é algo em torno de 15%”, afirmou Carolina.

Além do aperfeiçoamento do REDOME, que passou a contar com os hemocentros espalhados por todo o país para cadastrar doadores, o aumento das equipes especializadas também foi responsável pelo crescimento nos transplantes, em especial os não aparentados. “Até 2003 nós tínhamos apenas 2 centros que faziam transplantes não aparentado e hoje são 24. Os centros credenciados para todos os tipos de transplante de medula eram 17 no Brasil e hoje são 72”, comenta o diretor do Centro de Transplantes de Medula do INCA, Luis Bouzas. 

Como doar - Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde poderá doar medula óssea. É coletada uma amostra de sangue para testes que determinam as características genéticas que são necessárias para descobrir a compatibilidade entre doador e paciente. É fundamental que ao mudar de endereço ou trocar de contatos o doador sempre atualize o cadastro no REDOME. Saiba maiores detalhes para se tornar um doador aqui.

Fonte: Blog Saúde

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Brasil assina adesão ao apelo global contra a hanseníase




Brasília - A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, assina hoje (18) o Apelo Global contra a Hanseníase. A cerimônia será às 9h, no Plenário 7 da Câmara dos Deputados.

A adesão do Brasil ao movimento, que manifesta o compromisso de luta contra a discriminação global das pessoas atingidas pela hanseníase, é um marco no engajamento do país na eliminação da doença e do estigma que ainda é associado a ela.

Participam do lançamento o embaixador das Nações Unidas para a Eliminação da Hanseníase, Yohei Sasakawa, e o coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Artur Custódio.

Fonte: Exame

sábado, 26 de janeiro de 2013

Mais de 2 mil pessoas foram libertadas da escravidão em 2012


O Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encerrou o ano de 2012 contabilizando a libertação de 2.094 trabalhadores de condições análogas à escravidão. Os resgates ocorreram em 134 estabelecimentos, entre fazendas, carvoarias, canteiros de obra, oficinas de costura e outros, conforme levantamento feito com base em informações sobre operações de resgate.

Apesar da dificuldade de identificar com precisão as atividades de todos os estabelecimentos flagrados, a partir dos registros na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae, instrumento de padronização de códigos de atividades econômicas utilizado pelos diversos órgãos de administração tributária do país) é possível estimar que o padrão detectado nos anos anteriores se manteve em 2012: a pecuária apresentou, de longe, o maior número de resgates de trabalhadores escravos, seguida por atividades ligadas ao plantio e extração de madeira e pelo carvão. Ou seja, 56 libertações ocorreram em fazendas de criação – ou com registro de criação – de gado, 21 em empreendimentos de plantio (ou com registro) de eucalipto, pinus e exploração de madeira, e 16 em carvoarias.

Outro setor que teve número significativo de casos de trabalho escravo foi a sojicultura. Ao mesmo tempo em que a área de soja plantada em terras recém-desmatadas na Amazônia saltou de 11,69 mil ha para 18,41 mil ha na safra 2011/2012 (um aumento de 57%) de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, em 2012 o Grupo Móvel resgatou 144 trabalhadores em 10 fazendas de soja ou com registro de produção do grão.

O Pará é o estado em que mais operações foram realizadas e onde aconteceram mais flagrantes, conforme tabela ao lado.

Fonte: Repórter Brasil

Fonte de consulta Blog RSC: Fundação Cultural Palmares

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Arquivo de notícias: Reunião do Mercosul Cultural

Mercosul Cultural
 
I Reunião da Comissão da Diversidade Cultural apresenta propostas de integração entre países

Promover a cidadania e o desenvolvimento sustentável, por meio da diversidade cultural. Esse é o objetivo comum que une os países-membros e associados do Mercosul. A I Reunião da Comissão da Diversidade Cultural do Mercosul Cultural, realizada nos dias 5 e 6 pelo Ministério da Cultura, reuniu representantes de seis países e trouxe propostas de intercâmbio de políticas para a Cultura.

Márcia Rollemberg, secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, enfatizou a importância da manutenção de um diálogo constante e da troca de experiências entre os países. “O MinC está de portas abertas para mantermos esse diálogo tão importante para a diversidade cultural. Espero revê-los em breve”, saudou Márcia. Além de Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela, países-membros do bloco, também participaram da reunião representantes da Colômbia, do Equador e do Peru.

Uma das propostas apresentadas ao final do encontro foi a formatação de um plano de ação para a integração nas áreas de fronteiras dos países, que trabalhe com os diversos programas nacionais de apoio à cidadania e à diversidade cultural. Foram mostrados exemplos de projetos, como as experiências das Usinas Culturales e dos Centros de Educação e Cultura, do Uruguai; dos Pontos de Cultura e das Usinas Culturais, do Brasil; e dos Puntos de Cultura, da Argentina.

Para que essa troca seja constante foi sugerida ainda a execução de uma plataforma virtual que possibilite a disponibilização de informações, a articulação em rede e o intercâmbio de experiências. De acordo com Maximiliano Vera, assistente técnico da Secretaria do Mercosul Cultural, a Comissão é um espaço imprescindível para fortalecer a integração entre os países. “Esta reunião é um produto muito importante da nossa integração cultural”, disse.

Segundo Florencia Alaye, representante da Direção de Política Cultural e Cooperação Internacional da Argentina, a primeira reunião da Comissão foi muito relevante para seu país, pois trabalhavam no tema há algum tempo. “Gostaria de felicitar o Brasil pela organização desse encontro tão importante para a integração de nossas políticas para a cultura”, afirmou. Durante a reunião, Florencia apresentou para os participantes o “Programa Iber-rutas”, coordenado pela Argentina, que tem como objetivo promover a diversidade cultural na Ibero-América.

Outro ponto destacado pelos participantes foi a promoção de um canal de diálogo permanente entre os países da região para apresentar um posicionamento convergente do Mercosul na Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais da Unesco. Este ano, a Convenção será realizada em Paris, no mês de dezembro, e Brasil e Argentina têm atualmente os assentos no Comitê, que são rotativos. Para Alejandro Gortázar, diretor de Projetos Culturais do Uruguai, cada país possui suas particularidades, mas há um espírito comum nas políticas culturais: “Estamos unidos pelo mesmo objetivo de promover a cidadania e a diversidade cultural”, concluiu.

Ponto de Cultura: Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro
Para concluir a I Reunião da Comissão da Diversidade Cultural, os participantes visitaram um Ponto de Cultura aqui do Distrito Federal: Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro. Com a proposta de criar um identificador cultural em Brasília, o grupo inventou seu próprio mito sobre o surgimento do Cerrado. Settefanie Oliveira, coordenadora do Ponto, explica que com muita dança, música e teatro, foram criados 35 personagens para apresentar ao público a história do Calango Voador.

O mito conta que “todo ano, quando o Calango Voador resolve matar sua sede e esfriar sua língua, um período de seca acontece, castiga o Cerrado e as águas diminuem de volume. É o Quando enfim o Calango mata sua sede, as águas sobem novamente, enchendo as corredeiras e as cachoeiras. Foi assim, de amor e desamor, de temor e destemor, que surgiu o Calango Voador, reverenciado rebento, filho da Terra e do Sol, afilhado do Ar, lendária criatura, mito dos ritos de cá”.

O grupo de Seu Estrelo, personagem fictício do mestre Chico Magalhães, foi criado em junho de 2004 e tornou-se Ponto de Cultura em 2010. Além de oficinas de dança, teatro e batuque, o grupo oferece aulas de produção de figurinos, para suas encenações. Entre os dias 20 de novembro e 2 de dezembro, o grupo se apresentará na Funarte, em Brasília.

(Texto: Cora Dias, Ascom/MinC)
(Fotos: Jessica Tavares)



Fonte: Ministério da Cultura


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Arquivo de notícias: Uma nova cultura para saúde

 Investir constantemente em saúde é a única maneira eficaz de garantir a todos os brasileiros um tratamento realmente eficiente e digno. E quando o assunto é esse, temos de nos preocupar em estar sempre um passo adiante do que já é feito habitualmente. Somente assim poderemos viabilizar o sonho de oferecer condições cada vez melhores para a nossa população.

Cerca de 70% dos gastos com atendimento e tratamento do SUS são direcionados para doenças crônicas, incluindo o câncer. Anualmente, 500 mil novos casos de câncer são registrados no país, que despende cerca de R$ 2,2 bilhões por ano da receita do Ministério da Saúde para o tratamento oncológico.

É, sem dúvida, um grande avanço em relação ao custeio provido há poucos anos atrás, mas esse volume ainda é insuficiente.

Mesmo somando-se todos os investimentos no tratamento do câncer, ainda há um déficit significativo. A criação de projetos de pesquisa e auxílio ao paciente é uma realidade em diversas instituições filantrópicas sérias e respeitadas no país. Muitas delas enfrentam enormes dificuldades financeiras para, principalmente, conseguir suportar o custeio do tratamento, cada vez mais elevado em vista do ressarcimento nem sempre ideal das fontes pagadoras, incluindo o SUS.

Em São Paulo, o governo do Estado mantém, há quatro anos, um dos maiores institutos oncológicos da América Latina. O Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira) é uma das referências no país no tratamento do câncer, aliando competência e tecnologia para tratar nossa população.

É um investimento público que ajuda milhares de pessoas. Instituições assim já são uma realidade no Brasil, mas necessitam, constantemente, de novos recursos para atender mais e melhor os pacientes.

Incentivar e acreditar em projetos oriundos da vontade e do esforço da sociedade civil é uma maneira de ajudar o Estado a enfrentar a dura realidade do tratamento de doenças sérias. Recentemente, essas instituições e seus pacientes receberam uma ótima notícia.

A presidente Dilma Rousseff incluiu na MP 563 a criação do Pronom (Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica). Trata-se de um programa de concessão de benefícios fiscais a instituições e empresas com projetos de auxílio aos pacientes com câncer. Com a nova lei, pessoas físicas e empresas poderão usar parte de seu imposto de renda como doações para investimentos em pesquisa e prestação de assistência nessas áreas.

Naturalmente, essa iniciativa deve ser uma fonte de recursos extras para a saúde, com o intuito de financiar os bons projetos do setor. Uma parceria que beneficiará milhares de pessoas.

O Brasil tem agora uma grande oportunidade de criar uma nova cultura para a saúde. Uma cultura que estimule a solidariedade e o papel individual de cada cidadão na determinação de como será nosso país no futuro. Uma cultura que, em última análise, salva vidas.

PAULO HOFF, 44, é oncologista e Diretor Geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (ICESP)


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...